terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

CONVERSA DE PISTA.
Por Wagner Gonzalez*

F-1 EM ÉPOCA DE BRUXAS SOLTAS

Vettel e Wehrlein envolvidos em acidentes distintos.
Equipes anunciam mudanças de pessoal técnico.
Dallara critica novo regulamento.

Equipes querem fugir de chuvas e trovoadas. Foto: Mercedes.

Pascal Wehrlein e Sebastian Vettel machucados, McLaren perdendo chefe de equipe, pessoal de fábrica trabalhando sob pressão.. a bruxa parece andar solta. A duas semanas do início dos treinos de pré-temporada a F-1 vive momentos de tensão dos mais fortes. Exceção aos acidentes que lesionaram os dois pilotos alemães, nada de novo no front. Pelo menos por enquanto: os carros que apresentarem defeitos nos primeiros treinos tem potencial para provocar abalos sísmicos nas equipes que não conseguirem bons resultados nos ensaios de Barcelona e nas primeiras provas da temporada. Todo início de temporada é a famosa corrida contra o relógio para aprontar os carros para os primeiros treinos livres; qualquer erro de projeto significa desembarcar na Austrália em desvantagem. As equipes querem evitar chuvas e trovoadas às vésperas da abertura da temporada.

Wehrleim está concentrado em sua recuperação física para treinar Barcelona. Foto: Mercedes.

Pascal Wehrlein e Sebastian Vettel saíram machucados em situações semelhantes, mas o caso do primeiro é bem mais grave: Pascal foi disputar a Corrida dos Campeões nos Estados Unidos e voltou para casa com o pescoço lesionado após um acidente que envolveu Felipe Massa. Os desmentidos pouco convincentes de Monisha Kaltenborn, a manda-chuva na equipe Sauber, não garantem a presença do pupilo da Mercedes nos primeiros testes de Barcelona, que acontecem por quatro dias a partir do dia 27 próximo. Difícil não pensar que Felipe Nasr poderia substituir o alemão, caso necessário. Fácil concluir que essa possibilidade é pequena, apesar do carisma arranhado do tedesco.

O acidente de Wehrlein reforça a sua já desgastada imagem do piloto, que chegou à F-1 sob a proteção de Toto Wolff. mas que até agora não correspondeu às expectativas associadas ao título de campeão da DTM em 2015. Verdade que o equipamento que dispunha na Manor F1 não era dos mais competitivos, porém ele não mostrou superioridade contundente sobre o indonésio Rio Haryanto e acabou preterido na disputa pela vaga de Nico Hulkenberg na Force India, preenchida por Estebán Ocón, substituo do piloto asiático na segunda metade da temporada de 2016.


Nielsen (E) será substituído por Redding na Williams. Bottas foi para a Mercedes. Foto: Williams.

O desfecho do episódio criado com a surpreendente decisão de Nico Rosberg encerrar sua carreira após conquistar o título do ano passado também não lhe foi positivo, mesmo que poucos acreditassem que ele seria uma escolha melhor que o finlandês Valtteri Bottas. Em resumo, parece que a carreira de Wehrlein sofre da falta de bons ventos e pode acabar ancorando em portos menos badalados que os da F-1.

Ainda sobre a casa de Hinwill, endereço de Wehrlein para 2017, fala-se na possível troca de fornecedor de motor para a temporada de...2018. Uma decisão deverá ser conhecida até o mês de abril e a marca que poderia substituir a Ferrari é a Honda: no final deste ano vence seu contrato de exclusividade com a McLaren. Há anos os carros suíços são equipados com o trem de força dos italianos, mas a possível chegada da Alfa, como equipe B da equipe modenense e a necessidade velada dos japoneses suprirem um segundo time, a combinação nipo-suíça faz sentido.


Sebastian Vettel bateu testando pneus de chuva em chassi de 2015. Foto: Ferrari.

No último fim de semana a Ferrari programou um teste em sua pista de Fiorano, vilarejo colado a Maranello, e preparou um chassi de 2015 equipado com pneus de chuva de composto e medidas homologadas para esta temporada. A agenda foi cumprida com um inesperado acidente, que você pode ver aqui. Sebastian Vettel sofreu escoriações e deverá treinar normalmente em Barcelona; se isso não acontecer é provável que alguns testes de durabilidade sejam confiados ao novo piloto reserva da Scuderia, Antonio Giovinazzi, que também participará de algumas sessões de treinos livres nas manhãs de sexta-feira durante a temporada.


Button e Redding em passado recente. A flor indica uma tradicional campanha beneficente da Inglaterra. Foto: McLaren.

Na Inglaterra seguem os movimentos do mercado de cabeças pensantes, nicho onde a Williams parece liderar as contratações. Depois de aliciar Paddy Lowe – que deixou a Mercedes -, agora é a vez de David Redding, que trabalhava há 17 anos na McLaren, mais recentemente ocupando a posição de chefe de equipe. O desligamento foi confirmado nos últimos dias e menos de uma semana após a saída de Joest Capito, alemão que começou sua carreira na organização da Porsche Cup nos anos 1990, e que no ano passado foi contratado por Ron Dennis.


Capito nem suou a camisa na McLaren. Foto: VW.

A partida de ambos confirma que todos os indícios que remetam a Dennis recebem o tratamento extremo de extinção: a alegação para dispensar Capito foi algo na linha do "seus métodos de trabalho não se alinhavam com os valores da casa”;  com relação a Redding sequer foi cobrado um período de quarentena, como é comum para cargos estratégicos na categoria.


James, novo chefe de equipe da McLaren. Foto: McLaren.

Redding será substituído por Paul James, atual chefe de mecânicos, que por sua vez terá seu posto assumido por Kari Lammenranta. Andrea Stella assumirá o trabalho de gerência esportiva e relacionamento com a FIA. Na Williams, Redding assumirá a gerência esportiva de pista, cargo que era ocupado por Steve Nielsen, que a partir de agora terá atuação focada na fábrica e viajará menos para os GPs.


Stella se ocupará da ligação entre McLaren e FIA. Foto: McLaren.

Na Renault, que a exemplo da McLaren usará em seus carros a dupla BP-Castrol para combustível e lubrificantes, respectivamente, foi confirmado também que Cyril Abiteboul não assumirá o posto que Frédéric Vasseur ocupou nos últimos anos. Os dois franceses já não conseguiam esconder suas diferenças nos últimos tempos e a saída do último, então líder da Renault na F-1, fez supor que o primeiro seria promovido.


Abiteboul e Vasseur, caminhos diferentes na Renault. Foto: Renault.

EQUIPES APRESENTAM CARROS

Sauber (20, Barcelona), Renault (21, Londres), Force India (22, Silverstone) Mercedes (23, Silverstone), McLaren (24, Woking), Ferrari (Fiorano, 24) e Toro Rosso (26, Barcelona) já programaram a data de apresentação de seus carros para a temporada 2017. Ainda por confirmar datas e locais, Haas, Red Bull e Williams deverão aproveitar o início dos treinos de Barcelona para essa cerimônia, possivelmente nos dias 25 e 26.


DALLARA QUESTIONA


Dallara: "Novas regras levam a F-1 pelo caminho errado. Foto: Dallara.

Veterano construtor e líder da maior fabricante de carros de corrida, o engenheiro italiano Gian Paolo Dallara criticou as últimas modificações feitas no regulamento técnico da F-1. Falando ao jornalista italiano Leo Turrini, Dallara foi claro e objetivo ao pontuar que “aumentar as asas e os pneus vai na contramão do que a categoria precisa: mais ultrapassagens“. Sua empresa é responsável pelo projeto e construção do chassi usado pela equipe Haas, que usa trem de força da Ferrari.










* Wagner Gonzalez é jornalista especializado em automobilismo de competição, acompanhou mais de 350 grandes prêmios de F-1 em quase duas décadas vivendo na Europa. Lá, trabalhou para a BBC World Service, O Estado de S. Paulo, Sport Nippon, Telefe TV, Zero Hora, além de ter atuado na Comissão de Imprensa da FIA. Atualmente é diretor de redação do site www.motoresclassicos.com.br. Fale com o Wagner Gonzalez: wagner@beepress.com.br.