quinta-feira, 29 de junho de 2017

ÀS FAVAS A ÉTICA.
Por Jairo Martins.

Se antes presenciamos ações inescrupulosas dos líderes do legislativo e do executivo, recebemos outra punhalada, agora, do judiciário. O recente episódio de absolvição frente à cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostrou-nos desdobramentos nada agradáveis. A troca de farpas entre o ministro e relator da ação, Herman Benjamin, e o presidente do TSE, Gilmar Mendes, deixa-nos claro o descompasso jurídico e a visível politização de uma instituição que deveria apenas se guiar pela verdade e pela força dos fatos. A famosa frase dita por Mendes na última sessão aponta a arrogância da supremacia da corte eleitoral: “esta ação só existe graças ao meu empenho, modéstia às favas”.

Relembro a analogia popular, onde mandar alguém "às favas" é como se estivesse mandando alguém calar a boca, parar de atrapalhar. Quem estaria atrapalhando neste caso? Não deveríamos mandar às favas os políticos e empresários malfeitores, os escândalos de corrupção e a impunidade? Ao contrário, mandamos às favas a ética, o bom senso, os valores morais.

Mandamos a ética, para bem longe, e colhemos a crise. A crise política de nosso País levou-nos à uma crise de gestão, que se deu pela falta de líderes capacitados. Isto desencadeou uma crise ética, que foi a grande responsável pela crise econômica atual. Com isso, o Brasil perdeu credibilidade e, consequentemente, competitividade frente aos mercados internacionais. Enfim, numa sequência de causas e efeitos nefastos, mergulhamos numa crise social sem precedentes, que tem feito a população ficar à deriva e sem qualquer sinal de mudança.

Estamos sofrendo uma grande crise de liderança no País. Se com os três poderes não temos esperança, resta-nos a reação da sociedade civil. A única maneira de mudar é assumir essa responsabilidade fazendo as escolhas certas e banindo dos governos políticos inescrupulosos.

Pareço insistente em falar, mas o Brasil precisa de programas de estado e de governo para recuperar a imagem interna e externa. De fato, precisamos de líderes preocupados com o bem-estar social, na criação de uma cadeia de valor sustentável.  É preciso mudar e fazer uma faxina nesse ambiente político viciado. Que vão “às favas” os políticos corruptos e o empresariado de má índole. Desapareçam, pois o Brasil não precisa de vocês.










* Jairo Martins é presidente executivo da FNQ - Fundação Nacional da Qualidade.



Imagem Corporativa.

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