Como você, leitor, eu também gostaria de ser respeitado como eleitor. Quando Dilma mente, Marina mente e Aécio mente, movidos por necessidades e estratégias de marketing, isso me irrita muito. Um caso típico foi a entrevista desta quinta-feira, 25 de setembro, de Marina na Globo.
Marina critica os gastos do governo e lança uma novidade: criação de um conselhão para fiscalizar isso. A proposta é, no mínimo, mirabolante.
Vamos analisar, de uma forma que qualquer pessoa entenda: 1) Isso já é função do Congresso Nacional e do Tribunal de Contas da União. Logo, o tal conselhão da Marina seria uma superposição de funções, em desrespeito à Constituição. 2) Esse conselhão, juridicamente, não pode ter função deliberativa. Logo, seria um órgão de fachada, como os tais conselhos das estatais, que já existem, e que só servem para “acalmar” quem incomoda o governo, porque isso é muito bem remunerado, e sem necessidade de trabalhar. Itaipu, por exemplo, tem em seu conselho pessoas sem a menor noção de política energética. Aparecem lá a cada três meses, se tanto, para tomar cafezinho, e embolsam por mês de 10 a 15 mil reais. Todas as estatais têm tais conselhos, uma boquinha e tanto. 3) Marina fala em reduzir gastos públicos propondo criar mais gastos. Claro, porque esses tais conselheiros são remunerados, ninguém faz nada de graça e voluntariamente. E envolve custos com passagens aéreas, hotéis, transporte, refeições, etc. 4) Ela não explica quem e quantos seriam os conselheiros. Indicados pelo próprio governo para fiscalizar seus gastos, isso equivale a colocar raposas cuidando do galinheiro. Porque nenhum governo nomearia gente que possa de fato questionar, com isenção, responsabilidade e espírito público.
Resumindo tudo: o que Marina propõe é a criação de um elefante branco, sem força política e sem legitimidade institucional. Mas, claro, com custos.
Falar em enxugar a máquina, propondo criar mais cargos, me parece uma contradição de campanha. Aécio, sem propostas, vai pelo mesmo caminho, quando diz que vai criar um time de economistas notáveis. Que, logicamente, não trabalhariam de graça. E notáveis são caros, senão não seriam notáveis. Ou alguém acha que o sujeito largaria seu emprego bem remunerado num grande banco para ir servir à pátria? Dilma também mente, quando promete números milagrosos na área social que o PT não conseguiu em três gestões consecutivas. Os candidatos nanicos, sem nada a perder, e sabendo que não serão cobrados, são os que mais mentem, prometendo soluções mágicas para tudo. É fácil!
Por fim, todos mentem quando prometem debelar com a corrupção, que é histórica, endêmica desde o regime imperial, e generalizada, do menor ao maior município do país. Isso é estrutural, não há presidente que resolva, muito menos quando atrelado a compromissos com empreiteiras financiadoras de campanhas e aliados políticos de ficha suja.
Corrupção não é problema de governo e sim de Estado. Sem tocar na estrutura nada resolve. Nunca vai desaparecer, mas pode ser reduzida com mecanismos preventivos de controle e punição. Um deles, abrindo à sociedade o acesso as contas, on line, afinal se trata de dinheiro público, do contribuinte. Mas isso só funciona se a linguagem for explícita e acessível a todos, sem economês ou financês. Que, a propósito, cumprem a função de ocultar o roubo, não só oficial, mas também dos bancos.
Isso tudo não significa que se deva anular o voto. Faça sua escolha pelo menos ruim, mas vote. Senão acaba vencendo o pior ainda.
* Milton Saldanha, 68 anos, gaúcho, é jornalista desde os 17 anos. Trabalhou na imprensa de Santa Maria (RS) e Porto Alegre. Vive em São Paulo há mais de 40 anos. Passou por muitos empregos, entre eles Rede Globo, Estadão, TV Manchete, Diário do Grande ABC, Jovem Pan, revista Motor3, Ford Brasil, IPT, Conselho de Economia e vários outros, inclusive na Ultima Hora. Ao se aposentar, criou o jornal Dance, já com 19 anos. É autor dos livros “As 3 Vidas de Jaime Arôxa” (Editora Senac Rio); “Maria Antonietta, a Dama da Gafieira” (Phorte Editora) e “O País Transtornado” (Editora Movimento, RS) onde conta 60 anos da recente História brasileira. Participou da antologia de escritores gaúchos “Porto Alegre, Ontem e Hoje” (Editora Movimento)
* Milton Saldanha, 68 anos, gaúcho, é jornalista desde os 17 anos. Trabalhou na imprensa de Santa Maria (RS) e Porto Alegre. Vive em São Paulo há mais de 40 anos. Passou por muitos empregos, entre eles Rede Globo, Estadão, TV Manchete, Diário do Grande ABC, Jovem Pan, revista Motor3, Ford Brasil, IPT, Conselho de Economia e vários outros, inclusive na Ultima Hora. Ao se aposentar, criou o jornal Dance, já com 19 anos. É autor dos livros “As 3 Vidas de Jaime Arôxa” (Editora Senac Rio); “Maria Antonietta, a Dama da Gafieira” (Phorte Editora) e “O País Transtornado” (Editora Movimento, RS) onde conta 60 anos da recente História brasileira. Participou da antologia de escritores gaúchos “Porto Alegre, Ontem e Hoje” (Editora Movimento)

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