Não adianta esconder, o Brasil é um país racista. E isso precisa ser combatido. A lei Afonso Arinos, antiga, estabelece que racismo é crime. O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a ter uma lei assim, enquanto nos Estados Unidos ainda proliferavam portas e elevadores, ou bancos em ônibus e praças, separados para brancos e negros.
O Rio Grande do Sul, onde nasci e vivi 27 anos, é muito racista. Só que ninguém se declara como tal. Mas isso vem a tona a todo momento em atitudes e frases. Patrícia Moreira, de 23 anos, pega em flagrante ao insultar o goleiro Aranha, apenas deu azar. Está longe de ser caso raro. Seu próprio time, o Grêmio, guarda em sua história a mancha de ter sido racista por muitos anos, sem contratar jogadores negros. O Grêmio sempre foi o time da suposta elite branca, arrogante e insuportável. Com o tempo, foi mudando, passou a ter jogadores e torcedores negros. A maioria, com certeza, desconhecendo esse passado do clube.
Além de racista, o Grêmio do passado era também nazista. Seu primeiro estádio, como mostram várias fotos históricas, foi cedido à concentrações de facções nazistas, com bandeiras ostentando a suástica, o famoso símbolo nazista. Os grupos se apresentavam fardados, exatamente como ocorria na Alemanha. Com a entrada do Brasil na guerra, contra o Eixo formado por Alemanha, Itália e Japão, esses grupos, claro, sumiram. Caso contrário seriam todos presos.
Hoje, é elogiável a posição da diretoria do Grêmio, que repudia comportamentos racistas e pune com rigor seus praticantes.
O racismo gaúcho, contudo, não é só dos brancos. Eu próprio, quando garoto, fui vítima de racismo de negros, em Santa Maria. Havia no meu bairro um clube só de negros, o 13 de Maio. Fui lá para um baile, com um amigo. Um sujeito da diretoria chegou e foi explicito: “Não vamos nos clubes de vocês, e não queremos vocês no nosso”. Não querendo briga, nos retiramos.
Fosse hoje, eu teria chamado a polícia para o flagrante. Mas eu era garoto, desconhecia leis e direitos. E desconhecia que racismo, seja de brancos ou de negros ou amarelos, se pune com severidade, porque isso é inadmissível numa sociedade que se pretende evoluída.
* Milton Saldanha, 68 anos, gaúcho, é jornalista desde os 17 anos. Trabalhou na imprensa de Santa Maria (RS) e Porto Alegre. Vive em São Paulo há mais de 40 anos. Passou por muitos empregos, entre eles Rede Globo, Estadão, TV Manchete, Diário do Grande ABC, Jovem Pan, revista Motor3, Ford Brasil, IPT, Conselho de Economia e vários outros, inclusive na Ultima Hora. Ao se aposentar, criou o jornal Dance, já com 19 anos. É autor dos livros “As 3 Vidas de Jaime Arôxa” (Editora Senac Rio); “Maria Antonietta, a Dama da Gafieira” (Phorte Editora) e “O País Transtornado” (Editora Movimento, RS) onde conta 60 anos da recente História brasileira. Participou da antologia de escritores gaúchos “Porto Alegre, Ontem e Hoje” (Editora Movimento)
* Milton Saldanha, 68 anos, gaúcho, é jornalista desde os 17 anos. Trabalhou na imprensa de Santa Maria (RS) e Porto Alegre. Vive em São Paulo há mais de 40 anos. Passou por muitos empregos, entre eles Rede Globo, Estadão, TV Manchete, Diário do Grande ABC, Jovem Pan, revista Motor3, Ford Brasil, IPT, Conselho de Economia e vários outros, inclusive na Ultima Hora. Ao se aposentar, criou o jornal Dance, já com 19 anos. É autor dos livros “As 3 Vidas de Jaime Arôxa” (Editora Senac Rio); “Maria Antonietta, a Dama da Gafieira” (Phorte Editora) e “O País Transtornado” (Editora Movimento, RS) onde conta 60 anos da recente História brasileira. Participou da antologia de escritores gaúchos “Porto Alegre, Ontem e Hoje” (Editora Movimento)

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