FALSO MORALISMO
Levy Fidelix era apenas ridículo e folclórico, com seu aerotrem. Mas resolveu representar um novo papel, capitalizando aquela parcela do eleitorado mais atrasada culturalmente. Ao explicitar sua homofobia, e também apoio saudoso à ditadura (segundo a rádio Estadão FM), ele busca espaço num segmento já ocupado pelo Bolsonaro. É o eleitor irracional e iletrado, de baixa escolaridade, que escreve errado e se expressa de forma confusa, atrelado a todos os preconceitos e ao pior conservadorismo.
Discutir idéias e propostas, num contexto democrático, é uma atitude totalmente diferente de professar a homofobia e de achar que o autoritarismo e a violência são soluções. Justamente porque uma coisa é a negação da outra. São inconciliáveis.
Essas figuras representam a marcha à ré da História. Regridem aos padrões culturais da Idade Média, quando a fogueira em praça pública era o destino de alguém flagrado pensando com liberdade.
Ainda que este senhor, felizmente, não tenha a menor chance de chegar à presidência da República, pois todo mundo sabe que é o cacique de um partidinho de aluguel, a serviço da melhor oferta no mercado político, ele acaba ocupando um espaço de grande repercussão. Sem rodeios semânticos, avacalha mais ainda com a política, que já ocupa o primeiro lugar entre as descrenças da população, segundo pesquisas.
O sexo, que é um impulso natural do ser humano e dos animais, para preservar as espécies, foi transformado em culpa para o domínio religioso. O prazer ficou associado ao pecado. A rejeição ao prazer e ao amor entre pessoas do mesmo sexo segue a mesma lógica perversa. Pergunto: quem tem direito de negar a outro que viva sua própria vida, na plenitude da felicidade?
Quem não sente atração por pessoas do mesmo sexo não é obrigado a nada. Mas não lhe cabe nenhum direito, sob nenhum argumento moral, religioso ou social, de negar e principalmente de condenar quem adota essa forma de amar.
É inconcebível que ainda hoje se tenha que discutir um tema como este. Certas leis sociais e preceitos religiosos foram feitos pelos homens, sempre os dominadores, sem respeitar a natureza, direitos e aspirações dos demais. É uma forma imensa de opressão e violência quando uma lei, ou uma religião, impõe ao conjunto da sociedade determinados valores e condutas. Ora, o que cada pessoa faz na sua privacidade é assunto que não é da conta de ninguém mais. Só será correto combater algo que prejudique alguém, ou a todos. Se dois homens, ou duas mulheres, se amam e querem unir suas vidas e aspirações, que o façam, livres de julgamentos. Isso nada tem de indecente. Imoral é ser bandido e corrupto.
Pior ainda quando muitos desses falsos moralistas, certamente a maioria, fazem em segredo tudo aquilo que publicamente condenam em outros.
* Milton Saldanha, 68 anos, gaúcho, é jornalista desde os 17 anos. Trabalhou na imprensa de Santa Maria (RS) e Porto Alegre. Vive em São Paulo há mais de 40 anos. Passou por muitos empregos, entre eles Rede Globo, Estadão, TV Manchete, Diário do Grande ABC, Jovem Pan, revista Motor3, Ford Brasil, IPT, Conselho de Economia e vários outros, inclusive na Ultima Hora. Ao se aposentar, criou o jornal Dance, já com 19 anos. É autor dos livros “As 3 Vidas de Jaime Arôxa” (Editora Senac Rio); “Maria Antonietta, a Dama da Gafieira” (Phorte Editora) e “O País Transtornado” (Editora Movimento, RS) onde conta 60 anos da recente História brasileira. Participou da antologia de escritores gaúchos “Porto Alegre, Ontem e Hoje” (Editora Movimento)
* Milton Saldanha, 68 anos, gaúcho, é jornalista desde os 17 anos. Trabalhou na imprensa de Santa Maria (RS) e Porto Alegre. Vive em São Paulo há mais de 40 anos. Passou por muitos empregos, entre eles Rede Globo, Estadão, TV Manchete, Diário do Grande ABC, Jovem Pan, revista Motor3, Ford Brasil, IPT, Conselho de Economia e vários outros, inclusive na Ultima Hora. Ao se aposentar, criou o jornal Dance, já com 19 anos. É autor dos livros “As 3 Vidas de Jaime Arôxa” (Editora Senac Rio); “Maria Antonietta, a Dama da Gafieira” (Phorte Editora) e “O País Transtornado” (Editora Movimento, RS) onde conta 60 anos da recente História brasileira. Participou da antologia de escritores gaúchos “Porto Alegre, Ontem e Hoje” (Editora Movimento)

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