Ao Criador toda a glória e louvor.
Parabéns maestros Donaldo Guedes e Joel Prado; congratulações ao Coral e Orquestra IBABAN. Gratidão ao Mackenzie…
Vivemos em um tempo em que narrativas são constantemente construídas — muitas vezes não para revelar a realidade, mas para moldá-la conforme interesses políticos, emoções ou ilusões. E, nesse cenário, o “eu” costuma ocupar o centro de tudo. É o “eu quero”, “eu penso”, “eu mereço”. Sem perceber, colocamos o nosso próprio pronome acima de todos os outros, como se fôssemos o eixo em torno do qual a vida gira.
No entanto, essa inversão de valores traz consigo perigos silenciosos. Quando o “eu” se torna absoluto, perdemos a sensibilidade para o “tu” — o outro, o próximo, aquele que caminha ao nosso lado. E mais ainda: afastamo-nos de “Ele”, que deve ser o verdadeiro norte da vida e de todas as coisas.
A ordem, portanto, não é apenas gramatical, mas espiritual e existencial: primeiro, Ele. Depois, tu. Por fim, eu.
Quando “Ele” vem à frente — Deus, o Criador, a fonte de toda verdade, sabedoria e sentido — nossa visão se alinha com algo maior do que nossas vontades mesquinhas e imediatas. Passamos a enxergar a vida de outro ângulo, com mais sabedoria, entendendo que nem tudo gira ao redor de nossos próprios desejos, mas de um propósito maior.
Em seguida, vem o “tu”. O próximo deixa de ser coadjuvante e passa a ser prioridade. O amor ao outro, tão ensinado nas Escrituras, ganha forma prática: no respeito, na empatia, na disposição de servir. Reconhecemos que ninguém vive sozinho, e que a verdadeira grandeza está em estender a mão, não em se exaltar.
E, então, por último, vem o “eu”. Não como desprezo de si mesmo, mas como equilíbrio. Quando colocamos o “eu” no seu devido lugar, deixamos de ser escravos do dinheiro, da política e do ego e nos tornamos livres para viver com propósito, humildade e paz.
Essa hierarquia — Ele, tu, eu — não diminui o ser humano; ao contrário, o eleva. Pois é somente quando nos colocamos na posição correta que encontramos sentido verdadeiro na existência.
Que a cada dia, reorganizemos nossos pronomes interiores. Que o “eu” não grite mais alto do que deve, que o “tu” nunca seja ignorado, e que “Ele” sempre seja engrandecido e jamais esquecido.
Porque, no fim, é nessa ordem que a vida encontra harmonia..
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| * Linoel Dias é jornalista, assessor de imprensa e colunista do Coisas de Agora |


Como sempre, texto belíssimo, perfeito, sem observações, parabéns Linoel Dias, Deus te abençoe sempre. Abção.
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