domingo, 24 de maio de 2020

CHUMBO GORDO.
Por Carlos Brickmann*

UM CALOR DE GELAR OS OSSOS


Prepare-se: a temperatura política deve subir a tal ponto nesta fria semana de outono que, mais que o clima, fará congelar as expectativas de que a crise termine pacificamente. Quem leu a transcrição do vídeo, preparada pela Advocacia Geral da União, pode imaginar o quanto é grotesco – e agora pode ser exibido, com exceção das menções a outros países. A linguagem é de cavalariça. As ideias não são ruins – nem boas, não existem. Existe xingação, inexiste qualquer pensamento sobre nosso grande inimigo, o coronavírus. E, fora da reunião, as ideias foram colocar um general na Saúde para hidroxicloroquinar o país. As associações médicas rejeitam o uso maciço do medicamento, pelos riscos de vida que oferece.

Só? Não: o PT e os partidos que sempre o apoiaram pediram ao STF o exame do celular do presidente. Não deve dar em nada: o ministro Celso de Mello enviou o pedido ao procurador-geral Augusto Aras, que dificilmente o aceitará. Mas o general Augusto Heleno já se manifestou, e disse, em outras palavras, que presidente é presidente, e um pedido "inconcebível" como este "poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional". Pois é: Bill Clinton precisou depor sobre um caso ruim e os EUA ficaram estáveis. O presidente, lá, não está acima da Constituição nem das ordens judiciais.

A Paraná Pesquisas informa que, para 35% do povo, Bolsonaro é culpado pelas mais de 20 mil mortes por Covid 19. A China é culpada para 4%.


E daí?


Bolsonaro fez piada: "Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína". Lula também foi mal: "Ainda bem que a Natureza criou esse monstro". Queria dizer que é preciso que o Estado seja forte para agir.

Nos dois extremos da política, ninguém tinha algo melhor para dizer?

Os homens do presidente 1


O general da Saúde se cercou de militares. Um é o major Angelo Martins Denicoli, novo diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS, muito ativo em redes sociais. Saúde? Defende a cloroquina, e só.

1 – Em 8 de abril, disse que a FDA (Federal Drugs Administration), dos Estados Unidos, tinha aprovado a hidroxicloroquina, e que a Novartis, uma das maiores indústrias farmacêuticas do mundo, iria doar 130 milhões de doses. Tudo falso: o site da Novartis informa que as pesquisas da empresa são favoráveis à hidroxicloroquina e que, com base nelas, pediria à FDA e à Comissão Europeia de Medicamentos que a aprovassem. Nesse caso, iria doar 120 milhões de doses. A notícia foi copiada de um site bolsonarista (que publicou o número errado). Era fácil apurar a verdade: bastaria procurar em www.novartis.com. Informou o Ministério da Saúde que o major não sabia que a notícia era falsa e que, quando soube, imediatamente a apagou. Não era bem assim: até 19 de maio, quando a Folha o procurou, estava no ar.

2 – Disse Denicoli, sobre o Supremo, que Ricardo Lewandowski é amigo de traficantes, Celso de Mello apoia pedófilos, Rosa Weber é a garantia dos estupradores, Marco Aurélio dos assassinos e que corrupto só precisa ligar para Gilmar Mendes. Havia fotos de cada ministro, com nome e legenda com a informação falsa: "Votou a favor de corruptos (ou assassinos, ou pedófilos, ou estupradores) nunca serem presos". Denicoli cuida hoje de Saúde.

Os homens do presidente 2


Responda depressa: por que, entre os integrantes da equipe de apoio do general que está na Saúde, foi contratado um advogado criminalista?

Lembrando o tempo petista


Um caso explosivo: o bilionário Beny Steinmetz, empresário do setor de diamantes, briga nos EUA para não pagar à Vale a multa de US$ 2 bilhões a que foi condenado pela Corte Arbitral Internacional de Londres. A Vale diz ter sido enganada por Steinmetz, seu sócio no projeto da mina de Simandou, na Guiné, uma das maiores do mundo. Steinmetz teria informado à Vale que a concessão da mina tinha sido obtida legalmente. Steinmetz não é uma pessoa comum: já foi condenado por corrupção pela Justiça de Israel, Suíça, EUA e Guiné. E continua lutando: seus detetives gravaram conversas com diretores da Vale da época do presidente Lula, e ele as apresentou no dia 19 à Justiça de Nova York. Um áudio é atribuído ao ex-diretor de Minério de Ferro da Vale, José Carlos Martins, que diz que o Conselho de Administração da empresa tinha conhecimento de tudo, mas concordou em correr o risco pela importância estratégica da mina. Na época, havia também o interesse do Governo Lula de estreitar laços com a África (nos processos do Mensalão, revela-se que o interesse era também dos governantes).

Dinheiro não tem cheiro


Atribui-se a Martins a recomendação de fechar o acordo "de nariz fechado pois cheira mal, para não deixar o negócio com os competidores". Roger Agnelli, presidente da Vale, teria dito "tem algo errado". Mas, no final, o Conselho decidiu: "OK, vamos nessa. Não digam mais nada. Vamos fechar".


Carlos Brickmann é Escritor, Jornalista e Consultor, diretor da Brickmann & Associados Comunicação
Leia o Chumbo Gordo, informação com humor, precisão e bom. 
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sábado, 23 de maio de 2020

CASA DA MÃE JOANA.
Por Marli Gonçalves*

MÁSCARA NEGRA: UMA NOVA MARCHA.


A marcha entoada agora é fúnebre. E mesmo ela só pode ser silenciosa, já que não há tempo, esse senhor que nos mastiga, sempre empurrando, sempre sem volta. Os dias passam em um ritmo inexplicável. Cada um de nós os terá marcados na vida de uma forma, e sem que se possa saber o que será; mas certamente o que será, será.

"...Quanta tristeza! Quanta agonia!
Mais de vinte mil mortos pelo chão
Todos estão chorando
No meio da multidão.
-
Quanta tristeza, oh, quanta agonia!
Mais de vinte mil mortos no salão
Joãos, Marias e Josés chorando
No meio da multidão
-
Que bom será te ver outra vez
Tá fazendo meses
O carnaval que passou, o mundo parou
Eu sou quem te abraçou e te beijou, meu amor
-
Na mesma máscara branca, negra, colorida
Que esconde o teu rosto
Eu vou querer matar a saudade
Vou beijar-te, mas não agora
Não me leve a mal
Hoje é quarentena total
-
Vou beijar-te, mas não agora
Não me leve a mal
Hoje é isolamento social..."

Temos de sobreviver. Essa é a nova missão imposta pela natureza nessa época em que não há mais datas previsíveis, todas deslocadas, como os feriados antecipados, os planos adiados, as propostas em compassos de ritmos bagunçados. O Carnaval já não foi o mesmo, pensa bem, os 40 dias da quaresma já foram uma quarentena real que agora se estende trazendo para muito perto datas outrora distantes. Tenta-se, assim, esticar prazos, propor o futuro, mas ninguém tem certeza é de mais nada.

O melhor e o pior de nós surge, inclemente. Não há protocolo, decreto, determinação, conselho, entre as palavras que mais andamos ouvindo ultimamente, que façam mudar a terrível natureza humana - e estamos vivendo para ver e comprovar tristemente isso.

É um pesadelo tenebroso. E há ainda quem não tenha se dado conta que esse acordar não se dará em um estalo. Há ainda também quem consiga que tudo se torne ainda pior, acelerando suas sombras e avançando para o que temos de mais valioso para agir, a liberdade, o pensamento.

Não sei se dormem esse mesmo sono intranquilo; ou se apenas foram moldados como destruidores, conviviam entre nós e não os percebemos a tempo. Para eles, amizades não valem. Honra é coisa que não sabem. E amor é próprio, o próprio. A opinião contrária, massacrada, mesmo que todos os fatos criticados sejam límpidos - há quem jure que esses seres que nos importunam têm corações peludos, almas negras ocultas por suas roupas, ternos, fardas, camisas de futebol, e que agora andam por aí usurpando símbolos nacionais, bandeiras, cores, considerando que estão protegidos dentro de seus carros que usam como tanques de guerra. Por onde passam a terra fica arrasada, inclusive dizimando até alguns deles, mas isso não lhes importa – querem avançar sobre tudo. Afinal, como disse, são sombras.

Querem encobrir a luz, mas haveremos de desmascará-los. Vivemos uma tragédia. Nacional.

... "Quanta tristeza! Quanta agonia!
Mais de vinte mil mortos pelo chão
Todos estão chorando
No meio da multidão"...

Marli Gonçalves. 
Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora Contexto e pela Amazon.
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sexta-feira, 22 de maio de 2020

A ENERGIA SOLAR, O CORONAVÍRUS E A RECUPERAÇÃO ECONÔMICA.
Por Alcione Belache, Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk*

A pandemia do novo coronavírus COVID-19 tem suscitado um grande debate entre os gestores públicos mundiais e os especialistas em saúde e em economia: como promover a adequada segurança sanitária e, ao mesmo tempo, reduzir ao máximo os efeitos negativos da crise econômica colateral nas nações ao redor do globo?

Dentro dessa discussão, há uma questão que paira sobre o setor produtivo mundial: como dinamizar as atividades econômicas com segurança, de modo a manter os negócios operando e as pessoas com emprego e renda, preservando, simultaneamente, a saúde da população?

Após o momento mais crítico da atual pandemia mundial, a fonte solar fotovoltaica será, certamente, uma ferramenta estratégica para o rápido reaquecimento das economias do mundo e, especialmente, do Brasil, país com um dos maiores potenciais solares do planeta. Trata-se da fonte renovável com o maior potencial de geração de empregos e renda no planeta. Para cada novo megawatt (MW) instalado, a solar gera de 25 a 30 novos postos de trabalho, a maioria deles localizados nas regiões em que os sistemas são instalados.

De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (International Renewable Energy Agency – IRENA), a fonte solar já é responsável por mais de um terço dos mais de 11 milhões de empregos renováveis do mundo. Outro diferencial é que estes postos de trabalho são ocupados por profissionais qualificados, com formação técnica e superior, além dos rendimentos serem maiores do que a própria média salarial brasileira.

Por estes fatores, o setor solar fotovoltaico é reconhecido como uma potente mola propulsora do desenvolvimento, trazendo mais renda e poder de compra para as famílias brasileiras, além de gerar mais caixa para as empresas com a economia nos custos operacionais. A solar também aumenta a arrecadação dos governos, ajudando a recuperação dos cofres públicos, reduzidos pelas necessárias medidas de combate à COVID-19.

Para aliviar os efeitos da crise econômica decorrente do combate ao coronavírus COVID-19, a ABSOLAR apresentou ao Governo Federal e ao Congresso Nacional a proposta de criação de um programa emergencial para instalar sistemas solares fotovoltaicos em consumidores de baixa renda com tarifa social. Também propôs à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a permissão de doação dos créditos excedentes da geração distribuída às instituições de serviços essenciais que atuam no combate ao novo coronavírus, como hospitais e centros de saúde.

Não há como negar os impactos da pandemia para a economia brasileira e, consequentemente, ao setor fotovoltaico. Distribuidores de equipamentos solares relatam reduções entre 60% e até 90% no faturamento durante os primeiros 30 dias de isolamento, em comparação com janeiro ou fevereiro de 2020. Estes impactos variam conforme a região do País, pois o Brasil possui dimensões continentais e nem todos os lugares são afetados na mesma intensidade.

Por outro lado, também não se pode negar o papel propulsor da fonte solar fotovoltaica, inclusive na história recente do Brasil. Nas crises econômicas de 2015 e 2016, o produto interno bruto (PIB) do País foi de -3,5% ao ano, mas o setor solar fotovoltaico cresceu mais de 300% ao ano, no mesmo período. Agora, mesmo considerando o período de crise aguda na economia brasileira e mundial, o setor solar fotovoltaico deverá crescer, tanto em termos globais quanto no próprio Brasil, apesar de fazê-lo em patamares menores que os previstos inicialmente.

No total acumulado, a solar já trouxe mais de R$ 26,8 bilhões em novos investimentos privados ao País, tendo gerado cerca de 130 mil empregos desde 2012. A fonte acaba de ultrapassar a marca de 5 gigawatts (GW) de potência operacional no Brasil, somadas as usinas de grande porte e os pequenos e médios sistemas instalados em telhados, fachadas e terrenos.

Como os dados demonstram, a solar poderá ajudar, e muito, a retomada da economia e dos empregos do País. A exemplo do que já fez pela sociedade brasileira no passado próximo, a energia solar fotovoltaica está preparada para alavancar a recuperação do Brasil, tanto em termos econômicos quanto sociais e ambientais.

* Alcione Belache é CEO da Renovigi 
* Rodrigo Sauaia é CEO da ABSOLAR 
* Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR

ABSOLAR
TOTUM Comunicação

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quinta-feira, 21 de maio de 2020

SENAI-PE E FIAT CHRYSLER UNEM ESFORÇOS PARA ACELERAR ENTREGAS DE RESPIRADORES EM MANUTENÇÃO

Os equipamentos são consertados na fábrica da Jeep, em Goiana, pelas equipes das duas instituições.

Com o objetivo de acelerar a entrega de respiradores consertados, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em Pernambuco (SENAI-PE) e a Fiat Chrysler Automóveis (FCA) somam seus esforços para realizar a manutenção dos equipamentos. Agora, todos os ventiladores pulmonares que necessitarem de consertos seguem para o Polo Jeep, em Goiana, onde são consertados pela equipe técnica das duas instituições. Além de garantir a troca de conhecimentos, a mudança também irá contribuir para aumentar a capacidade de atendimento e agilizar a aquisição das peças necessárias para o conserto dos aparelhos.

Desde o mês de abril, as duas instituições estão trabalhando no conserto dos equipamentos, através da Iniciativa + Manutenção de Respiradores, idealizada pelo SENAI Nacional e Governo Federal. O projeto conta com mais de 30 pontos de apoio em todo o País, entre unidades do SENAI e indústrias. Juntas, as duas instituições já receberam 134 ventiladores pulmonares para conserto. Deste total, o SENAI-PE finalizou e devolveu 12 aparelhos à Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) prontos para serem utilizados.

“Com a unificação das equipes, vamos conseguir reduzir gargalos na manutenção e calibração das máquinas, ganhando mais eficiência”, destaca Mateus Marchioro, Gerente de Montagem da Jeep, responsável pela ação. Além de Pernambuco, a FCA também está recebendo equipamentos provenientes dos estados de Alagoas e Paraíba. Até agora, 21 respiradores já foram devolvidos e outros 101 estão em manutenção.

Os profissionais do SENAI-PE se revezarão para trabalhar no local. “O SENAI-PE já construiu conhecimento e eles também. Essa troca entre os profissionais irá agregar bastante para essa ação. Também teremos mais possibilidades de realização de testes, com mais recursos, e aumentaremos a viabilidade de aquisição de peças. Nosso maior objetivo é dar mais eficiência para esse trabalho”, explica o gerente de Consultoria do SENAI-PE e coordenador da ação em Pernambuco, Oziel Alves. Segundo estimativas da SES-PE, cada respirador deverá atender até 10 pessoas durante a pandemia da Covid-19.

Fiat Chrysler Automóveis

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quarta-feira, 20 de maio de 2020

BR7 MOBILIDADE PROMOVE VACINAÇÃO CONTRA A GRIPE PARA COLABORADORES

Para garantir a saúde e o bem-estar de seus colaboradores, a BR7 Mobilidade, operadora de transporte coletivo público em São Bernardo do Campo, promoveu a segunda fase da campanha de vacinação contra a gripe para colaboradores. Nas duas fases foram vacinadas mais de 1.000 pessoas.



Segundo Nelson Ribeiro, diretor presidente da operadora, a ação está alinhada ao objetivo da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe, do Ministério da Saúde, de proteger de forma antecipada os públicos prioritários contra os vírus mais comuns da gripe. Na primeira faze, realizada no final de abril, já haviam sido vacinados cerca de 700 funcionários, que também receberam mais de 1.000 máscaras para proteção, tanto enquanto na empresa como também quando fora dela.

A BR7 Mobilidade vem realizando diversas ações para colaborar com o combate à pandemia do covid-19, tanto interna como externamente. Desde o início da campanha contra a gripe, a operadora, em parceria com a Prefeitura de São Bernardo do Campo, transformou parte do Terminal Alvarenga em PitStop para vacinação - pela primeira vez fora das UBSs - que foi realizada pelos profissionais da saúde em uma verdadeira operação de Drive-Thru, onde os munícipes sequer precisam descer do veículo para receber a proteção.

Entrega de cestas básicas para colaboradores e comunidade


Outra ação social promovida pela BR7 Mobilidade durante os meses de abril e maio é a distribuição de cestas básicas para os colaboradores com contrato de trabalho suspenso ou pertencentes ao grupo de risco e também para famílias de comunidades carentes de São Bernardo do Campo.

A BR7 Mobilidade é a nova operadora de transporte público de São Bernardo do Campo e faz a gestão das 62 linhas de transporte da cidade. A empresa opera com uma frota de mais de 400 veículos, além de ser responsável pela conservação e manutenção de terminais.

BR7 Mobilidade
Secco Consultoria de Comunicação

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CHUMBO GORDO
Por Carlos Brickmann*

O CERCO SE APERTA


O coronavírus, por enquanto, está ganhando a guerra. Já que é guerra, o Governo, oras, pôs na Saúde um general. O general se cercou de nove outros militares. Há as investigações sobre denúncias do ex-ministro Sergio Moro, há investigações sobre a organização de atos contrários à Constituição, em que se prega o fechamento do Congresso e do Supremo, há 30 pedidos de impeachment na Câmara. As denúncias do antigo aliado Paulo Marinho, que se afastou de Bolsonaro, têm pontos que podem ser verificados. O cerco ao presidente se apertou tanto que, para manter a estabilidade, mergulhou de cabeça no que chama de Velha Política: trocar cargos por votos do Centrão.

Contra Bolsonaro propriamente dito, há as denúncias de Moro e os 30 pedidos de impeachment. Paulo Marinho atinge Flávio, o filho mais velho. As investigações sobre os atos antidemocráticos podem alcançar Eduardo e Carlos, outros dois filhos. Há ainda as notícias falsas, investigadas pelo STF.

O vídeo de uma reunião ministerial grosseira, com insultos a ministros do Supremo e a governadores, confirmou as denúncias de Moro e desmentiu Bolsonaro: sim, ele disse o que tinha dito que não disse. A maior denúncia de Paulo Marinho, de que Flávio Bolsonaro lhe contou que haveria operação da PF envolvendo pessoas próximas, cita reunião num lugar em que havia câmeras de segurança. É algo que pode ser investigado – e está sendo.

Não se trata de uma gripezinha: é algo que arrisca a sobrevivência do Governo.

O vírus chapa-branca


Todos esses problemas estariam parados se Bolsonaro se ocupasse com o combate ao coronavírus. Ao contrário: pôs na cabeça que fora da cloroquina não há salvação e se comporta não como líder dos esforços para conter a doença, mas como desmoralizador dos planos que vêm sendo aplicados. Vai às ruas, faz comícios com gente aglomerada, leva sua própria filha pequena para perto da aglomeração, já cansou de negar a importância do coronavírus e, confrontado com o número de mortos, diz que não é coveiro.

Deu um tiro em cada pé em quatro ocasiões: negando a pandemia, impondo um remédio que pode até, eventualmente, ser o correto, mas que ele não tem condições de julgar, demitindo ministros e brigando com governadores e prefeitos. O peso político do presidente é muito menor do que já foi, embora grande o suficiente para evitar o impeachment. Mas já não tem excesso para queimar.

Preocupação dos traficantes


Os traficantes da Comunidade Camarista Outeiro, no Rio, determinaram que a partir de hoje o comércio só poderá abrir meia porta: "entrar, comprar e ir embora para casa", com exceção de mercadinho, farmácia e hortifruti. "Todos moradores da comunidade terão de usar suas máscaras. Toque de recolher às 21h, todos em suas casas, exceto moradores que estão chegando ou saindo para o trabalho". Mais: "Abraça o papo para o papo não te abraçar. A ronda vai passar e é sem simpatia". Assinado, A Firma.

Traduzindo, os traficantes estão mais preocupados com a saúde de seu povo do que os milicianos.

Boas notícias


São boas notícias, simultâneas: o laboratório americano Moderna já entrou na segunda fase de testes de um remédio que pode curar, destruindo o vírus, e prevenir, criando em quem o toma os anticorpos adequados. Outro teste é o brasileiro: segundo Marcos "Astronauta" Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, a nitazoxanida, Anitta, um vermífugo muito usado no país, mostrou-se eficiente no tubo de ensaio, e entra em nova fase de testes, em seres humanos. Israel anuncia também uma vacina, para entrar logo em fase de fabricação. E faz poucos meses que o genoma do vírus foi decupado!

Mas calma: se tudo correr bem, haverá remédios só no último trimestre.

Más notícias


O ministro da Educação, Abraham Weintraub, bem que resistiu: em vez de gente do Centrão, preferia nomear mais discípulos do escritor Olavo de Carvalho. Mas teve de ceder – e ainda informar à chefe do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, Karine Silva dos Santos, que seria trocada por Gharigam Pinto, indicação de Valdemar "Boy" da Costa Neto. Boy sabe: o FNDE dispõe de 20% das verbas do Ministério da Educação e de inúmeros cargos. Outros nomes já escolhidos: Carlos Marum, PMDB, e José Carlos Aleluia, DEM, ilustres membros do Centrão, estão no Conselho de Itaipu – seis reuniões por ano, e R$ 27 mil mensais de salários.

Verdade é mentira


O presidente Bolsonaro acusou a revista Crusoé de publicar três frases completamente soltas, "nada têm a ver com a verdade, nada". Seguiu: "É uma vergonha o que a imprensa brasileira faz". A Crusoé divulgou três frases na capa. As três foram ditas na reunião ministerial cujo vídeo foi exibido por ordem do ministro Celso de Mello. As três foram retiradas da transcrição divulgada pela AGU, Advocacia Geral da União.

Mais oficial, impossível.

Carlos Brickmann é Escritor, Jornalista e Consultor, diretor da Brickmann & Associados Comunicação
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terça-feira, 19 de maio de 2020

CONTINENTAL PRODUZ E DOA MÁSCARAS DE PROTEÇÃO FACIAL


Atenta ao agravamento da pandemia de coronavírus no Brasil, a Continental realizou a doação de máscaras de proteção facial para profissionais da saúde de Guarulhos, município da região metropolitana de São Paulo, que abriga a sede da empresa no Brasil há mais de 60 anos. A iniciativa, ancorada nos princípios de responsabilidade social da empresa, contemplou o desenvolvimento e produção local dos equipamentos no modelo face shield, destinados a três polos da rede pública de saúde da cidade: o Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso e as unidades básicas de saúde (UBS) de Cumbica e Jardim Álamo.

Recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para profissionais em ambientes hospitalares, as máscaras no padrão face shield são equipamentos de proteção individual (EPIs) que protegem o rosto por completo, impedindo que gotículas entrem em contato com áreas expostas, como os olhos, não cobertos pelas máscaras como, por exemplo, a N95. Os equipamentos produzidos pela Continental utilizaram como base o policarbonato cristal transparente de 0,5mm de espessura, a fim de conferir resistência e durabilidade.

O gerente de engenharia de desenvolvimento da Continental, Iaran Gadotti, explica que o material é o mesmo aplicado no painel de instrumentos dos carros, onde ficam impressas as marcações de velocidade. “Reprogramadas, as máquinas de corte a laser entram em ação para dar agilidade e precisão ao trabalho. Após uma última etapa final de montagem, as máscaras já estão prontas para serem usadas”, completa.

Liderado pela equipe de engenharia da Continental, consagrada pelos projetos na indústria automotiva, todo o processo de desenvolvimento dos escudos faciais foi pensado para ser o mais assertivo possível. Considerando os materiais, softwares e maquinário da linha de produção disponíveis, foram preparados quatro protótipos. “Com a ajuda dos colegas de Ambulatório, Bombeiros e Segurança do Trabalho, recebemos sugestões de melhorias e pudemos seguir com o modelo mais seguro e confortável”, comenta Gadotti.

Nessa versão, o EPI pode ser reutilizado, desde que devidamente higienizado de acordo com os padrões de esterilização hospitalares. A entrega das máscaras face shield para as três unidades de saúde foi realizada na primeira quinzena de maio.

A Continental desenvolve tecnologias e serviços pioneiros em mobilidade sustentável e conectada para pessoas e seus bens. Fundada em 1871, a empresa de tecnologia oferece soluções seguras, eficientes, inteligentes e acessíveis para veículos, máquinas, trânsito e transporte. Em 2018, a Continental gerou preliminarmente vendas de €44.4 bilhões e atualmente emprega mais de 243.000 pessoas, em 60 países.

Continental
Grupo Printer Comunicação

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GOVERNO DE SÃO PAULO VAI APOIAR PREFEITURAS DO LITORAL QUE SOLICITAREM RESTRIÇÃO DE ACESSO NO FERIADO PROLONGADO


Ações serão realizadas com objetivo de elevar as taxas de isolamento social e conter a disseminação do novo coronavírus


O Governo de São Paulo vai apoiar as prefeituras de cidades litorâneas e de estâncias turísticas que desejarem realizar ações de restrição de acesso nos próximos dias, quando ocorrerá um feriado prolongado na capital e cidades da Região Metropolitana de São Paulo. A intenção é conscientizar a população nesse período, de forma a garantir a elevação dos índices de isolamento social e proteger vidas.

O Secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, fez o anúncio nesta terça-feira (19) e esclareceu que a decisão foi tomada em comum acordo com os prefeitos de cidades da Baixada Santista, Litoral Sul e Litoral Norte, além de municípios turísticos do interior. O Estado oferecerá o apoio que venha a ser solicitado pelos prefeitos para implantação das barreiras de acesso e conscientização dos turistas.

"Nós dialogamos com as prefeituras da Baixada Santista, Litoral Norte e Litoral Sul e o Estado irá apoiar as restrições que essas prefeituras estabelecerem no seu território. Esse é o caso também das estâncias turísticas e dos municípios de interesse turístico do Estado de São Paulo, que também trabalharão com controle no acesso às cidades", informou Vinholi.

O feriado prolongado será iniciado nesta quarta-feira (20) na capital e deverá se estender até o dia 25 de maio. O Governador João Doria encaminhou projeto de lei à Assembleia Legislativa para antecipar o feriado estadual da Revolução Constitucionalista, celebrado em 9 de julho, para a próxima segunda-feira. A expectativa é de que prefeitos da RMSP adotem medidas semelhantes.

A decisão do Governo de São Paulo foi baseada nas estatísticas de isolamento social do Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP), que indicaram melhores taxas nos feriados e finais de semana. A expectativa é de que a população permaneça em quarentena no feriado prolongado e ajude a mitigar a transmissão do coronavírus.

"Uma mensagem muito clara à sociedade: a quarentena não é para viajar, mas sim para se fazer isolamento social e ficar em casa nesse momento fundamental de combate à epidemia", destacou Marco Vinholi.

Contágio


O Estado de São Paulo chegou a 65.995 casos confirmados e 5.147 óbitos nessa terça-feira (19). O secretário de Saúde, José Henrique Germann, também reforçou o pedido para que as pessoas permaneçam em casa nos próximos dias. "Hoje estamos na véspera de um feriado e eu gostaria de enfatizar que não é um feriado de lazer. É um feriado em casa!", pontuou.

Governo do Estado de São Paulo
Secretaria Especial de Comunicação
Assessoria de Imprensa

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segunda-feira, 18 de maio de 2020

BR7 MOBILIDADE REFORÇA OBRIGATORIEDADE DA UTILIZAÇÃO DE MÁSCARAS PARA PREVENÇÃO DO NOVO CORONAVÍRUS

Em São Bernardo, distribuição gratuita continua nas linhas para os passageiros que estiverem sem a proteção.


O uso de máscaras se tornou uma parte importante do combate e prevenção à Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus e item obrigatório no transporte coletivo público de São Bernardo do Campo, conforme Decreto Municipal nº 21.157, em observância ao Decreto Estadual nº 64.959, de 4 de maio de 2020. O uso das máscaras diminui o risco de contágio e é importante para prevenção e diminuição da disseminação, garantindo a saúde, segurança e bem-estar dos todas as pessoas.

É por este motivo que a BR7 Mobilidade, operadora de transporte público de São Bernardo do Campo, continuará com a sua campanha para distribuição gratuita de máscaras de tecido que vem promovendo desde o dia 4 de maio em algumas de suas principais linhas e no Terminal Rodoviário João Setti. Ao longo desta semana, a distribuição ocorreu hoje na Linha 03; amanhã, dia 19, na Linha 34B; na Linha 38, no dia 20 de maio; na Linha 39, na quinta-feira, dia 21, e na Linha 29/30, na sexta-feira, dia 22 de maio, apenas para os passageiros que tentarem embarcar sem a proteção.

"O Ministério da Saúde (MS) recomenda o uso de máscaras para todos, incluindo as de tecido. Usar máscaras de tecido é uma alternativa de grande importância para a população saudável, pois bloqueia duas portas de entrada do coronavírus: a boca e o nariz. É importante ressaltar que a máscara de tecido deve ser lavada após o uso, para evitar transporte de doenças para a sua casa", destaca Nelson Ribeiro, diretor da BR7 Mobilidade.

A ação de distribuição gratuita de máscaras de tecido é mais uma das diversas que a BR7 Mobilidade vem promovendo na cidade para ajudar no combate à Covid-19 e garantir segurança e tranquilidade para os clientes que precisam utilizar uma das 62 linhas do município.

A BR7 Mobilidade é a nova operadora de transporte público de São Bernardo do Campo e faz a gestão das 62 linhas de transporte da cidade. A BR7 Mobilidade opera com uma frota de mais de 400 veículos, além de ser responsável pela conservação e manutenção de terminais.

BR7 Mobilidade
Secco Consultoria de Comunicação

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domingo, 17 de maio de 2020

CHUMBO GORDO.
Por Carlos Brickmann*

NOS TEMPOS QUE JÁ SE FORAM


Pois houve uma época, caros leitores, em que Corona era marca de ducha, "um banho de alegria num mundo de água quente". O nome completo, não se sabe por que, era SS Corona. Bons tempos: nem quem botou o SS nem os clientes associaram a SS à temida organização nazista. Eram mesmo os bons tempos: nazismo era coisa velha, superada, e nenhum ministro iria citá-lo.

Bandido era bandido, e se juntavam em bando para cometer seus crimes. Como diria o bandido Lúcio Flávio, Polícia era Polícia, bandido era bandido. Ele era assaltante de bancos e não se misturava com policiais. Aquele híbrido conhecido como "miliciano", com origem na Polícia e ação como bandido, era inimaginável. E, se milicianos houvesse, gente decente jamais se misturaria com eles. No máximo saberia que eles existiam. Amigo, confidente, protetor ou protegido? Não: quem se colocasse ao lado deles bandido seria. E a desculpa "apenas meu conhecido" seria só uma desculpa.

Remédios esquisitos, caros e inúteis, estes sempre houve. Óleo de cobra, por exemplo, ou óleo de cobra elétrica. Servia exclusivamente como fonte de renda do vendedor (que também parecia ser o produtor, misturando óleo de amendoim com algum corante). Fazia mal? Acho que não. Nem bem. Era chamado de "panaceia" – remédio para todos os males. Em faroestes americanos o vendedor de panaceia aparece muito. Aqui o bandido aparece mais.

Aliás, caro leitor, que tal um happy hour com cloroquina on the rocks?

A Porcina e o Porcino


Que vexame, Regina Duarte! Após sua ótima atuação em Roque Santeiro, como Viúva Porcina, a que foi sem nunca ter sido, deixou que um novato com a cara impassível de um Buster Keaton sem graça a superasse!

Teich foi sem nunca ter sido, assumiu sem ter assumido, um perfeito Viúvo Porcino! Médico bem conceituado, foi tocado do cargo por um capitão que só conhece remédios por comprá-los nas farmácias (e errados, ou não teria ficado desse jeito). Regina, não: desandou a falar igualzinho ao capitão e seus filhos.
Após esse episódio, está pronta para a política: pode até ser porta-voz de Dilma.

Ele era o bom


Teich desafiou a sabedoria popular: "Se alguém engana alguém uma vez, a culpa é dele. Se engana outra vez, a culpa é do outro". Teich viu Mandetta ser vítima de seu sucesso como administrador – e, exatamente por este sucesso, foi chutado. Achou que com ele seria diferente. Mas não parou para pensar no motivo pelo qual seria diferente. Por acaso o Capitão Cloroquina aceitaria outro medicamento que não fosse a cloroquina? E concordaria com o isolamento social, quando tudo que não quer é ficar isolado, e saracoteia pelas ruas no meio de gente aglomerada, trocando suores e perdigotos?

Por acaso o Capitão Morte passaria a se importar com os mortos da pandemia, se nem com a segurança de sua filha, uma criança, se importou, levando-a para o meio daqueles grupos de fanáticos que gritam Bolsonaro tem razão?

Previsão


Dizem que no Brasil nem o passado é previsível. Mas Bolsonaro e seus milicianos digitais são previsíveis: as milícias (e seus robôs) vão explicar que Teich é comunista desde antes de Lênin e se infiltrou no governo Bolsonaro apenas para atrapalhar seu até então impecável funcionamento. Bem feito: por que Teich aceitou o desafio impossível de ser ministro de Bolsonaro?

Medicina general


Muita gente preocupada com a possibilidade de efetivação do general Pazuello no Ministério da Saúde. Não deveriam se preocupar. O general, dizem, é bom organizador. Não deve entender nada de Medicina, o que não seria problema se pudesse ouvir o pessoal do Ministério; mas se fizer isso será o próximo a rodar. E qual a diferença? Mandetta e Teich têm boa formação médica, tanto assim que rejeitaram os palpites do leigo cujo sonho seria vestir farda.

E daí? Pazuello deve ter uma formação apurada em assuntos militares, mas nada a ver com Medicina, Saúde Pública, contenção de epidemias. Não vai fazer a menor diferença: ou manda o país se abrir à epidemia (isso se os governadores e o Supremo deixarem) e ordena servir cloroquina na merenda escolar, ou cai como caíram seus antecessores.

Bom exemplo


O general George Marshall foi combatente até 1945. Em 1947, o presidente Truman o nomeou secretário de Estado. Marshall criou então o Plano Marshall, que permitiu a reconstrução de 16 países da Europa Ocidental que, após a guerra, estavam em ruínas. Foi tão bom que, no Brasil, quando os generais propuseram a Bolsonaro mais uma versão do PAC de Dilma, deram-lhe o nome de Plano Marshall.

Só há um detalhe: Marshall foi um guerreiro que deu certo como secretário de Estado. Foram pouquíssimos.

Prejuízo monstro


O prejuízo da Petrobras no primeiro trimestre de 2020 foi de R$ 48,5 bilhões. Maior que o lucro da Petrobras nos quatro trimestres de 2019.


Carlos Brickmann é Escritor, Jornalista e Consultor, diretor da Brickmann & Associados Comunicação
Leia o Chumbo Gordo, informação com humor, precisão e bom. 
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sábado, 16 de maio de 2020

GOVERNO DE SÃO PAULO COMPRA MAIS 2 MILHÕES DE TESTES E AMPLIA DIAGNÓSTICO DE CORONAVÍRUS

O Governador João Doria anunciou nesta sexta-feira (15) a compra de mais 2 milhões de testes rápidos do novo coronavírus, visando ampliar o diagnóstico da COVID-19 e aprimorar o monitoramento da curva de transmissão em São Paulo. Além disso, lançou uma rede de coleta descentralizada em parceria com o Centro Paula Souza, que engloba uma estratégia de detecção entre policiais, contenção da infecção na população privada de liberdade e em asilos.

Esses 2 milhões de testes quase triplicam as aquisições de diagnóstico feitas pelo Estado, que já havia comprado 1,3 milhão de testes em abril. O total investido é de R$ 199 milhões, por meio da Fundação Butantan. "É mais um esforço do Governo do Estado no sentido de ampliar a testagem e também a rede de coleta descentralizada para exames de coronavírus", afirmou Doria.

Nesta primeira fase, após projeto piloto realizado no Hospital da Polícia Militar, serão feitos exames de anticorpos (IgM/IgG) em profissionais da Polícia Militar, Civil e Técnico Científica, além de seus coabitantes (familiares ou pessoas que residem na mesma casa), totalizando 145 mil testes. 


Os exames estarão disponíveis em 20 centros da Polícia Militar na capital, em continuidade às ações preventivas voltadas a estes profissionais que estão na linha de frente do combate à COVID-19. Os exames serão realizados por alunos e professores, todos voluntários, de cinco Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) do Centro Paula Souza (CPS) que oferecem o curso técnico de Enfermagem na capital (confira abaixo mais informações).

Esse modelo de testagem também será disponibilizado, em um segundo momento, aos profissionais da área da saúde que atuam em serviços estaduais e municipais. O Governo do Estado irá orientar os municípios sobre para quais cortes populacionais os exames de anticorpos devem ser usados.

Para a ampliação da testagem, aliando exames de anticorpos e de RT-PCR, a rede de coleta contará com apoio de outras escolas do Centro Paula Souza, com a coleta realizada por alunos de Enfermagem em pacientes com sintomas leves, para que, dessa forma, não precisem procurar hospitais da rede pública. Esses exames serão processados em uma das cerca de 40 unidades da Plataforma de Laboratórios para Diagnóstico de COVID-19, com resultado em até 48 horas a partir da chegada da amostra em laboratório.

Com apoio das Secretarias de Desenvolvimento Social e da Administração Penitenciária, será realizada, ainda, uma estratégia de contenção da infecção em populações consideradas vulneráveis, especialmente entre os privados de liberdade e os idosos residentes em asilos e abrigos. A partir da notificação de caso suspeito nesses locais, uma equipe de saúde se deslocará para coletar a amostra e enviá-la para realização de RT-PCR.

Testagem para polícias


Nesta primeira etapa, que vai até 29 de maio, serão atendidos os policiais que atuam e/ou moram na capital, além dos familiares ou pessoas que moram na mesma residência. Entre os 20 pontos de testagem na cidade, são oito na zona leste, dois na norte, quatro na oeste, cinco na sul e um no centro - todos dentro de batalhões da PM, por meio de sistema drive-thru e estruturas para pessoas a pé.

Os atendimentos serão feitos por alunos de Enfermagem das seguintes unidades do Centro Paula Souza: Etec Carolina Carinhato Sampaio (Jardim São Luís), Etec Carlos de Campos (Brás), Etec Mandaqui, Etec Parque da Juventude (Santana) e Etec Uirapuru (Jardim João XXIII). A ação conta com suporte de profissionais do Instituto Butantan, que forneceu os testes, do laboratório Hilab e da Cruz Vermelha. Os profissionais serão auxiliados por PMs na organização nos postos.

Para evitar aglomerações, o atendimento ocorrerá mediante agendamento prévio em aplicativo do Hilab. Os policiais foram orientados quanto à opção de cadastro pela internet e, inclusive, a registrar no próprio sistema os seus respectivos coabitantes.

Com agilidade na coleta do material, um exame é realizado a cada cinco minutos. Os resultados saem em média dentro de uma hora e os diagnósticos e orientações são enviados por meio de SMS aos interessados.

Teste rápido


O teste rápido identifica se o indivíduo teve contato com o vírus, diferentemente do exame de RT-PCR, que detecta o material genético (RNA) do coronavírus, identificando a presença da infecção.

Uma das condições para a aplicação do teste rápido é a pessoa ter tido contato com paciente infectado com coronavírus e que permaneceu sem sintomas por mais de 14 dias. Para os sintomáticos há menos de 14 dias que tiveram contato com pacientes com COVID-19, a indicação é a realização do exame de PCR.

Governo do Estado de São Paulo
Secretaria Especial de Comunicação
Assessoria de Imprensa

Leia> O Brasil Sobre Rodas

COLABORADORES VOLUNTÁRIOS DO DISTRIBUIDOR CUMMINS BRASIL DESENVOLVEM PROJETO PIAS COMUNITÁRIAS

Após identificar a necessidade de um local para higienizar as mãos na entrada do Asilo Toca de Assis, em Macaé (RJ), em contribuição ao cenário de pandemia causado pela Covid-19, os colaboradores voluntários do Distribuidor Cummins Brasil (DCB), da filial localizada nesta mesma cidade, desenvolveram o Projeto Pias Comunitárias.


Com o uso de pallets a serem descartados, uma força tarefa entre eles para arrecadar o restante dos materiais como pia, canos, galão de água, etc, os colaboradores produziram o primeiro totem, já entregue e instalado no parceiro comunitário, respeitando o distanciamento social e com utilização de máscara.


Durante a instalação, na entrada do prédio do Asilo Toca de Assis, não houve contado com as idosas que estão isoladas no interior do prédio. “Com o desenvolvimento deste equipamento contribuímos para que as freiras que cuidam da instituição e os visitantes essenciais protejam melhor os idosos residentes”, diz Glauber Lindemberg dos Santos, analista de Serviços Sênior do Distribuidor Cummins Brasil.

Vale acrescentar que os colaboradores voluntários do DCB mantém o Asilo Toca de Assis como parceiro comunitário desde 2016, com suporte estrutural, além de doações. A ideia do Projeto Pias Comunitárias, liderada por Carlos Alexandre, engenheiro Mecânico do DCB, surgiu em março, meados da pandemia.

O Asilo Toca de Assis, em Macaé (RJ), abriga atualmente 15 mulheres retiradas da rua, em situação de vulnerabilidade, além de 17 freiras.

Cummins Brasil
Textofinal de Comunicação Integrada

Leia> O Brasil Sobre Rodas

CASA DA MÃE JOANA.
Por Marli Gonçalves*

O EPICENTRO DE CADA UM DE NÓS

Acostumada a vida inteira a resistir às inúmeras pressões, dificuldades, verdadeiras visões do inferno assistidas como jornalista, como mulher, na vida pessoal, admito: me encontro agora com o emocional abalado como há muito não acontecia. Pior: desta vez não está em minhas mãos a solução, mas na de todo um país, completamente desarvorado, triste, confuso, louco, e claramente nas mãos de uma equipe de desajustados. Mais perigosos a cada dia que passa.

Sim, é um desabafo. Sincero, necessário, para não explodir. Sinto também que falo por muitos e muitas em todos os cantos desse país perplexo e assustado, que tem medo não só da mais da morte ou da terrível doença que nos assola a todos, mas também do desenrolar do embaraçado (e embaraçoso) novelo político que torna tudo ainda pior. Não há nervos que aguentem.

Rompi em choro descontrolado pouco antes de começar a escrever. Assim. Ouvia o noticiário de tevê, com todo o cotidiano das histórias terríveis, emocionantes, dos números tenebrosos, dados sobre a ignorância das desobedientes aglomerações, as falas patéticas reveladas, a queda de mais um Ministro da Saúde em meio a esse caos, quando de repente ouvi um som magistral, um jazz. Não vinha da tevê, claro, que dali ultimamente as belezas andam afastadas.

Corri à janela e, lá embaixo, estava, na esquina, um solitário saxofonista que entoava as mais belas canções, Pixinguinha, Adoniran, Tom Jobim, Cole Porter. Junto comigo, outras janelas se abriram juntando seus sons a aquele som mavioso, esse despertar. As minhas lágrimas teimosas rolaram com gosto, como um desabafo necessário, que devia estar ali represado, querendo virar água, fluir.

Somos todos hoje nós mesmos um epicentro – essa palavra que tanto ouvimos – e que veio se mudando, da China, passando pela Europa, Estados Unidos, até nos atingir tão pesada e brutalmente. Somos, cada um de nós, um epicentro de emoções. Tão controversas quanto absolutamente incontroláveis.

É bonito demais ouvir as janelas se abrindo. As pessoas aplaudindo, várias mandando colaborações para aquele chapéu que o músico passava, para amealhar alguns trocados. Creio que todos um dia merecem ouvir serenatas. Por aqui onde moro, São Paulo, sempre estranhei não ver ninguém nas janelas, as cortinas sempre fechadas. Precisou desse isolamento para descobrirem que elas podiam ser abertas. Para ouvir seja a música do saxofonista, do amolador de facas, ou o som do bater das panelas, dos protestos que se multiplicam, entoados pelos mais ativos. Muito além dos costumeiros alarmes disparados, das ambulâncias e sirenes, do trovoar, das turbinas do aviões que já não cruzam mais os céus.

Sair às ruas não dá mais prazer como outrora. Não há passeio ou destino legal quando se sai apenas por necessidade, para o médico buscando socorro, para o mercado onde os preços nos esmagam a cada dia mais, assim como na farmácia onde borrifam um álcool gel fedido em nossas mãos, como se fizessem algum favor. Não reconhecemos rostos amigos que passam de nosso lado, e os olhos, ah, os olhos descobertos! Nos rostos mascarados demonstram toda essa ansiedade, o pavor, e a tristeza. Claro, isso quando a máscara não está no queixo ou, às vezes, nos mais humildes, tão suja que dificilmente pode proteger alguém, seja de fora ou de dentro.

As insanidades, as frases irritantes, as revelações em gravações, vídeos, as ordens e medidas sem pé nem cabeça tomadas por governantes que se debatem uns com os outros, ver um povo tão dependente de um líder que é capaz de ficar cego, pular num cadafalso, num buraco aberto. E incitados por alguém que a cada dia parece apenas querer provocar a hecatombe, e que ele, sim, no momento é o epicentro de tudo que é ruim, e que nos traz ainda mais angústia. O epicentro do mal.

Como assim? Exames de laboratório feitos com pseudônimo inventado? Airton Guedes, Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz, 05? Vocês já tentaram fazer algum exame, sem que tenham pedido inclusive documentos originais, com foto, carteirinhas e etcs? Como alguém pode achar isso normal, aceitar? Dois ministros da Saúde derrubados no meio de uma pandemia sem igual, em menos de um mês? A insistência em um remédio rejeitado pela comunidade médica internacional; o que ele pretende? Até onde vamos deixá-lo chegar? Até onde essa equipe desnorteada e má continuará agindo, enquanto estamos amarrados, isolados?

Precisamos abrir mais nossas janelas para conversarmos pessoalmente entre nós, e nem que seja aos gritos.

Nem sempre tem um saxofonista na esquina. Mas não seja por isso: sempre haverá um Hino pela Liberdade a ser entoado.

Marli Gonçalves. 
Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora Contexto e pela Amazon.
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