domingo, 17 de fevereiro de 2019

INDÚSTRIA DE EMBALAGEM DE PAPELÃO TEM CRESCIMENTO DE 13% EM JANEIRO.

Segundo a ABPO (Associação Brasileira do Papelão Ondulado), o volume de produção de papelão ondulado em janeiro de 2019 ficou 0,24% abaixo do resultado apurado no mesmo mês de 2018, recuando pela terceira vez consecutiva em 0,33% entre dezembro e janeiro, de acordo com IBRE/FGV. Já a Mazurky, empresa de embalagens de papelão do ABC Paulista, comemora o fechamento do primeiro mês do ano com saldo positivo, cresceu 13% em janeiro em comparação ao mesmo mês de 2018.

A empresa diz ter excelentes perspectivas para 2019 e diversos projetos em andamento e celebra o balanço de janeiro que fechou dentro do orçado e com o número cravado da meta estimada.

“Esse ano será um ano de grandes projetos na empresa, faremos mudanças e investimentos, e estamos acreditando na estabilidade política e econômica do País nos próximos 4 anos”, conta Eduardo Mazurkyewistz, diretor da Mazurky.

Com um olhar no setor automotivo e vendo a necessidade dos sistemistas (fornecedores da indústria automobilística), a Mazurky iniciou a implantação de uma certificação ISO, especifica para o setor que é a ISO16949 IATF, norma desenvolvida pelos principais fabricantes mundiais de automóveis, pois acredita que o mercado está carente de empresas profissionalizadas para atender as novas exigências do setor. Com esta certificação implantada, a organização espera sair na frente dos concorrentes e se unir ao setor.

Justamente pensando no futuro, o executivo fechou parceria com o Senai e iniciou uma consultoria para transformar a empresa em uma indústria 4.0. “Entendemos que se não estivermos enquadrados na nova realidade da indústria em um futuro próximo, nossa empresa perderá competitividade e ficará de fora do mercado, por isso nossa atenção está sempre voltada a nos mantermos atualizados”, conclui o diretor da Mazurky. 

Há mais de uma década no mercado, a Mazurky é uma empresa especializada no desenvolvimento e fabricação de caixas de papelão e/ou acessórios de papelão ondulado. Localizada no ABC Paulista, a organização investe em tecnologia de ponta, com equipamentos de última geração e alta capacidade para a produção de embalagens em todos os tamanhos e formatos, desenvolvendo embalagens de papelão que vão desde o Kraft pesado ao reciclado.

Mazurky

A ARARA QUE CONQUISTOU UMA CIDADE.
Por Chico Lelis*


Tudo começou quando o Instituto Arara Azul, com sede em Campo Grande (MS), lá no começo dos anos 90, com a colaboração da Fundação Toyota, iniciou um trabalho para salvar a Arara Azul da extinção. Elas eram apenas 1.500 indivíduos (como falam os especialistas).

Deu certo! E hoje já passam dos 6.500.

Agora, um novo projeto, o Aves Urbanas, também com o apoio da Fundação Toyota, deu novas cores à arara. Ela deixou de ser só azul, agregando duas novas, o amarelo e um pouco de verde. E virou Canindé, o xodó de Campo Grande e também, oficialmente, a “Ave Símbolo da Cidade”, conforme relata a presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, a bióloga Neiva Guedes.

Em 2009 elas foram chegando...  chegando e os moradores as recebendo bem. Foram fazendo seus ninhos em troncos de palmeiras mortas e hoje eles já são mais de 200 e mais de 500 filhotes nascidos desde então. Em uma pesquisa feita pela bióloga Aline Calderan, foi constatado que 90% da população de Campo Grande gosta das araras, não se incomodando com suas algazarras ou sujeira que estão acostumadas a fazer.

Em seu trabalho de mestrado na Universidade Anhanguera Uniderp, a bióloga, que atua no Instituto Arara Azul e no Projeto Aves Urbanas, revela que o questionário aplicado “permitiu conhecer o perfil social e fazer uma análise da percepção ambiental dos entrevistados, saber se eles consideram as araras Canindé importantes para a cidade e se elas são bandeira para a conservação da da biodiversidade urbana”.

Segundo Aline, foi possível constatar que os entrevistados, em sua maioria, têm interesse por questões ambientais e “percebem a  importância da biodiversidade urbana e dos serviços ecossistêmicos que ela fornece, sabem que o homem faz parte deste meio e que a falta de conservação reflete na sobrevivência dos seres vivos, todavia, nem todos praticam ações que ajudem na conservação das áreas verdes urbanas”.


Para os moradores de Campo Grande, a arara Canindé é muito importante para a visibilidade da cidade e pode ser usada “como espécie-bandeira no processo de sensibilização e conscientização”.

Além disso, acrescenta Aline “foi observado que nas sete regiões analisadas na cidade, a idade, a escolaridade e o sexo, não influenciaram negativamente a percepção dos moradores com relação a importância das araras para Campo Grande, já para a necessidade de se praticar a conservação das áreas verdes urbanas, todos consideram que esta prática é essencial”.


População ajuda construir ninhos

Uma prova da aceitação das araras por parte da população é o fato de muitas pessoas cortarem as copas das palmeiras para que as aves façam ali seus ninhos, nos quintais ou frente das casas. Outros pintam murais ou produzem peças de artesanato sendo a Canindé o tema principal.

E agora, no rastro das araras Canindé, estão chegando outras espécies para ampliar o Projeto Aves Urbanas. São os Tucanos e os Maracananzinhos de Cara Amarela, que se aproveitam dos ninhos abandonados pelas queridinhas da cidade para ali se instalarem.











chicolelis - chicolelis@gmail.com - Jornalista com passagens pelos jornais A Tribuna (Santos), O Globo e Diário do Comércio. Foi assessor de Imprensa na FordGoodyear e, durante 18 anos gerenciou o Departamento de Imprensa da General Motors do Brasil. Assina a coluna “Além do Carro”, na revista Carro, onde mostra ações do setor automotivo nos campos Social e Ambiental. 



sábado, 16 de fevereiro de 2019

CASA DA MÃE JOANA.
Por Marli Gonçalves*

VAI FICAR AÍ PARADO, SÓ OLHANDO?


Onde andam os machos e as fêmeas de verdade? Ando muito impressionada com a apatia que parece estar tomando totalmente a cabeça e o corpo dos brasileiros e, mais uma vez, pergunto se não será a água cada vez mais enlameada que bebemos. Garoto é morto, asfixiado por um segurança de supermercado, na frente de várias pessoas, e ninguém se mexe? Ou melhor, se mexe, sim, mas para pegar o celular e gravar – na vertical, inclusive...

Essa é só mais uma. Ainda não digeri o fato do menino Luan, de três anos, ter morrido atropelado por um trem do Metrô de São Paulo. Ele fugiu do colo da mãe e saiu do vagão onde estava. Desespero. Mas ninguém lembrou de acionar a alavanca de emergência. O trem partiu. O corpo de segurança do Metrô levou uma hora, repito, uma hora, para procurá-lo onde obviamente ele teria ido correndo atrás do trem que partiu como se nada estivesse ocorrendo, e onde estava a mãe. O que veio atrás colheu o menino de jeito.

No caso do Rio de Janeiro, um jovem negro, Pedro Henrique, de 25 anos, acusado de furto de alguma bobagem, foi asfixiado e morto por um segurançazinho qualquer coisa em um supermercado Extra, na frente de dezenas de pessoas e da própria mãe, e ninguém tirou o segurançazinho de cima dele. Só ficaram gritando, e, claro, gravando com o celular, para a posteridade, dos filmes nacionais de horror, que farão corar até Quentin Tarantino.

A moça que se aventurou para salvar o motorista do caminhão no qual bateu o helicóptero que caiu matando o piloto e o jornalista Ricardo Boechat está sendo chamada de Mulher-Maravilha. Sua ação magnífica e corajosa foi gravada por celular: enquanto ela tirava enormes pedaços de ferro, movida por força descomunal, o marido gravava... Leiliane Rafael da Silva, 28 anos, ainda teria antes tentado salvar o próprio Boechat, e se não tivesse sido contida teria explodido junto segundos depois. Sua história, sua doença rara, o que inclusive a impediria de ter tanto estresse e feito tanta força física veio à tona depois. (O marido justificou que ficou gravando para mostrar para a mãe dela como Leiliane era teimosa, vejam só).

Agora, por força do destino, do caso que chamou a atenção, conseguirá finalmente a cirurgia no cérebro pela qual batalha há meses. Mulher de fibra.

Sinto que as pessoas estão apáticas pela sucessão de fatos que parecem não serem reais de tão dramáticos. Até esse momento, o presidente da Vale e o presidente do Flamengo ainda não foram presos, pelas tragédias de Brumadinho, mais de 300 mortos e o prejuízo ambiental incalculável, e do Centro de Treinamento, 10 meninos mortos, respectivamente.

Aliás, estão por aí distribuindo todos os dias suas declarações estapafúrdias e tentativas de se isentar dos fatos. Os jogos continuaram marcados, os treinos feitos no mesmo lugar e a rigorosa lentidão das apurações, desnecessárias, porque a culpa já é tão evidente, tão visível, que apenas protelam. Só para lembrar, o Flamengo, desde 2017, tinha recebido 31 multas pelas instalações sem segurança. Quer que eu repita? 31. Vai ver se pagaram alguma, se tomaram providências. No caso de Brumadinho, a própria Vale admite que já havia até calculado o que ocorreria com o rompimento da barragem, quantas mortes seriam estimadas, etc.

É difícil assistir impassível à covardia humana na realidade. O engraçado é que no mundo virtual todo mundo é macho, xinga, fala o que quer, chama para briga, mas protestar de verdade, agir? Uai.

Sinto isso na pele cada vez que, por exemplo, bobo até, mas exemplo da apatia e dormência, tiro lixo do pé das árvores por onde passo. Ficam me olhando como se eu fosse uma marciana recém-saída do disco voador, e até olhares de reprovação sinto. Ué, o lixo estava tão socadinho, tão arrumadinho no pé da árvore ... Minha campanha é real: #árvoreNãoélixeira. Talvez quando elas caírem em suas cabeças, se toquem. Ou não.

Já me meti em muita encrenca nessa vida, e de nenhuma me arrependo, nem das que me coloquei em risco, algumas que deram boa dor de cabeça. Não consigo ficar parada ou quieta diante de injustiças, abusos, violência contra mais fracos. Mas sozinha sei que não faço um verão.

Onde estão vocês? Onde está todo mundo?

São Paulo, 2019.


Marli Gonçalves, jornalista – Aliás, o que está sendo feito – de verdade - para impedir a impressionante morte de tantas mulheres por machos de araque? Já chegam a centenas, só nesse ano que mal começou. Me encontre

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

ABSOLAR PROPÕE PROGRAMA SOLAR FOTOVOLTAICO AO GOVERNADOR DO PIAUÍ.

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) acaba de apresentar ao Governador Estado do Piauí, Wellington Dias, a recomendação de estruturação de um programa estadual de desenvolvimento da energia solar fotovoltaica na região.


A proposta foi apresentada durante evento de lançamento da iniciativa piauiense de Parceria Público-Privada (PPP) de energia solar fotovoltaica, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em São Paulo, com as presenças do presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk, e do CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, além de secretários de estado, empresas do setor e autoridades públicas.


A iniciativa do governo do Piauí prevê a implantação, operação e manutenção de oito miniusinas de energia solar fotovoltaica no estado. O projeto deve viabilizar cerca de R$ 200 milhões em novos investimentos privados na região, proporcionando uma economia da ordem de R$ 7 milhões ao ano nos gastos com energia elétrica do poder público estadual.

A proposta de criação do Programa Piauí Solar, apresentada pela ABSOLAR, recomenda um conjunto de medidas de rápida implementação e com forte impacto positivo, visando acelerar o desenvolvimento da energia solar fotovoltaica no Piuaí. Dentre as principais medidas, destacam-se: o estabelecimento de metas públicas e privadas de energia solar fotovoltaica; a incorporação da tecnologia junto à habitação popular; a ampliação do acesso a linhas de financiamento para pessoas físicas e jurídicas; a equiparação tributária com incentivos existentes em Minas Gerais; o aprimoramento do licenciamento ambiental; e uma campanha de conscientização quanto aos benefícios e vantagens da implantação de energia solar fotovoltaica em residências, comércios, indústrias, produtores rurais e prédios públicos.

“O lançamento dessa PPP representa uma iniciativa inovadora e pioneira do governo do Piauí e poderá se tornar uma referência de modelo de contratação para outros estados e municípios brasileiros, bem como para o Governo Federal. Tal medida sinaliza à sociedade piauiense, ao mercado e ao setor que a fonte solar fotovoltaica estará cada vez mais presente na estratégia de desenvolvimento do Estado do Piauí”, comenta o CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia.

“O Brasil está 15 anos atrasado em comparação com os países desenvolvidos na área da energia solar fotovoltaica e, portanto, é necessária a estruturação de programas nacionais, estaduais e municipais para o desenvolvimento do setor solar fotovoltaico brasileiro, tanto na geração centralizada quanto na geração distribuída, além de medidas que contemplem o avanço da cadeia produtiva do segmento”, acrescenta o presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk.

Fundada em 2013, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) congrega empresas e profissionais de toda a cadeia produtiva do setor solar fotovoltaico com atuação no Brasil, tanto nas áreas de geração distribuída quanto de geração centralizada. A ABSOLAR coordena, representa e defende o desenvolvimento do setor e do mercado de energia solar fotovoltaica no Brasil, promovendo e divulgando a utilização desta energia limpa, renovável e sustentável no País e representando o setor fotovoltaico brasileiro internacionalmente.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

CEMIG GERAÇÃO DISTRIBUÍDA INAUGURA PRIMEIRA USINA FOTOVOLTAICA.


Empreendimento permitirá aumento da competitividade para a indústria, além de benefícios ambientais, por meio de matriz limpa e renovável


A Cemig Geração Distribuída (Cemig GD) inaugurou, nesta quinta-feira (14), em Janaúba (Norte de Minas), a primeira usina de minigeração destinada ao atendimento a clientes atendidos em baixa tensão, como comércios e pequenas indústrias. Com um investimento de R$ 18,5 milhões e uma área de 230 mil m², o equivalente a 27 campos de futebol, a unidade é uma parceria com o Grupo Mori Energia Solar.

A energia gerada pelas 16 mil placas fotovoltaicas que captam a irradiação solar, um insumo abundante no Norte de Minas, será utilizada por comerciantes do Mercado Central e por empresas e indústrias associadas à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). O evento contou com a presença do diretor de Gestão de Participações da Cemig, Daniel Faria Costa, do diretor de Finanças, Administração e Comercialização da Cemig GD, Marco Aurélio Guimarães Monteiro, do prefeito de Janaúba, Carlos Isaildon Mendes, da diretoria da Mori, além de outras autoridades.

O diretor de Gestão de Participações da Cemig, Daniel Faria Costa, salientou as vantagens e benefícios da geração distribuída, de acordo com a resolução 482/2012 da Aneel. "Os clientes de alta tensão podem comprar no mercado livre, enquanto os clientes de baixa tensão só podem receber energia da distribuidora, agora toda empresa ou pessoa física pode deixar de ser um simples consumidor e pode ser um gerador, mas não é um gerador clássico. Ele compensa o seu próprio consumo e, eventualmente, constitui créditos para consumos futuros", destacou.

A Cemig GD desenvolve usinas de geração distribuída, proporcionando benefícios ambientais, reduzindo o consumo de combustíveis fósseis e as emissões de gases de efeito estufa, além de contribuir com a redução dos custos de energia atuais, para o desenvolvimento sustentável e o aumento da competitividade da indústria mineira.  

No Brasil, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece que as fontes de geração distribuída devem ser renováveis, tais como painéis fotovoltaicos e geradores hidráulicos de pequeno porte e eólicos, dentre outras fontes, possibilitando ao consumidor gerar sua própria energia elétrica (conhecido como "prosumidor" – produtor + consumidor), inclusive por meio de união de diversos interessados em consórcios, cooperativas ou condomínios.

Segundo o Atlas Solarimétrico da Cemig, a região Norte de Minas, especialmente Janaúba e o município vizinho de Jaíba, apresenta valores médios de potencial de geração de energia comparáveis aos melhores valores do país, que são encontrados no Nordeste.

O governo de Minas Gerais estimula a produção e a comercialização dessa energia no Estado a estabelecimentos com atividade de geração, transmissão ou comercialização de energia solar, por meio da concessão de créditos de ICMS relativos à aquisição de energia solar produzida no Estado, pelo período de 20 anos.

CEMIG
Superintendência de Comunicação Empresarial

Leia> O Brasil Sobre Rodas.

PROJETO DE PRÓTESES POR IMPRESSÃO 3D INICIA PRODUÇÃO DE PEÇAS.

O projeto para o desenvolvimento de próteses ortopédicas das ligas Nb-Ti (nióbio-titânio) e Ti-Nb-Zr (titânio-nióbio-zircônio) por fusão seletiva a laser entrou em uma nova fase no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) com a fabricação das primeiras peças por impressão 3D a partir de pós das ligas dos dois materiais.

A primeira fase do trabalho iniciou-se em 2017 com a produção dos pós das ligas, a partir de uma série de exigências necessárias para trabalhar com o sistema de deposição. A segunda fase concentra-se na manufatura aditiva, ou seja, a fabricação e a caracterização das peças, que será seguida pela execução de ensaios mecânicos.

Participam do projeto a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Poli-USP e, no IPT, o Laboratório de Processos Metalúrgicos.

Os pós das ligas estão sendo usados para a construção de próteses de quadril (no caso do projeto, as placas angulares de fêmur). O resultado buscado pelo projeto do IPT é a obtenção de peças não apenas de alta densidade relativa, mas principalmente com baixo módulo de elasticidade (rigidez do material). As ligas comumente usadas em próteses têm um alto módulo de elasticidade, e estudos recentes apontaram que o nióbio, quando adicionado ao titânio, pode reduzir esse valor.

Para o paciente, a importância do baixo módulo de elasticidade pode ser explicada pelo fato de o padrão normal de solicitação mecânica de um osso ser alterado de modo crítico quando um implante metálico é empregado em cirurgias ortopédicas. O osso e o implante passam a compartilhar o carregamento aplicado e, de acordo com a capacidade de adaptação do osso hospedeiro, pode ocorrer uma redistribuição da massa óssea com desmineralização em regiões próximas ao implante. 

“É preciso que o módulo de elasticidade da prótese seja o mais similar ao do osso para que não aconteça o chamado stress shielding, ou seja, a descalcificação”, explica Jhoan Sebastian Guzman Hernández, um dos engenheiros que integram o projeto. “A intenção é que a carga do corpo fique distribuída tanto no osso quanto na liga”.

A liga nióbio-titânio faz parte da lista de novos materiais que estão sendo propostos atualmente para a construção de próteses – atualmente, o uso dela é restrito praticamente à fabricação de supercondutores. “Além de esta liga apresentar potencialmente baixo módulo de elasticidade, outra de suas vantagens está no fato de serem dois materiais inertes, ou seja, eles não reagem com o corpo humano”, explica Daniel Leal Bayerlein, pesquisador do Laboratório de Processos Metalúrgicos e coordenador do projeto.

AIRBUS INVESTE €25 MI NO FUTURO DAS SUAS INSTALAÇÕES AEROESPACIAIS.


A Airbus está expandindo as atividades aeroespaciais em suas instalações em Ottobrunn/Taufkirchen, próximo a Munique. A empresa atingiu dois importantes marcos, com Markus Söder, Ministro-Presidente da Baviera, e Dirk Hoke, CEO da Airbus Defence and Space, dando o sinal verde para a modernização da linha de produção de painéis solares para satélites e para a expansão de uma sala estéril para instrumentos óticos de satélites. No total, a empresa investirá aproximadamente 25 milhões de euros.

A Airbus dará início à construção de uma fábrica de Indústria 4.0 que automatizará e digitalizará a produção de painéis solares para satélites. Isso inclui uma reforma completa do prédio onde acontece a produção, que passará a ter 5.500m², uma expansão de 800m². Uma linha de montagem robótica também será implantada. Esse investimento de € 15 milhões comprova a habilidade da empresa de se manter competitiva no mercado global, ao passo que a linha de montagem automatizada permitirá que tanto o tempo de produção quanto os custos sejam reduzidos pela metade. Essa tecnologia de ponta garantirá 170 empregos, além de ajudar a empresa a maximizar oportunidades futuras de crescimento, tais como constelações de satélites ou abordagens "New Space". Adicionalmente, projetos atuais de pesquisa de última geração receberão apoio, especialmente na área de satélites científicos, como a missão de Júpiter ou as missões rumo ao Sol ou Mercúrio.

Além disso, a Airbus usará a sala estéril (que terá seu tamanho aumentado em 250m², passando a ter 1.700m²) para a integração de instrumentos óticos a serem utilizados em satélites. A Airbus investiu mais de € 10 milhões nessa área de suas instalações em Ottobrunn/Taufkirchen. A nova sala estéril será usada por cerca de 150 funcionários da unidade de negócios de Instrumentos Óticos para a construção dos instrumentos da MERLIN (Methane Remote Sensing Lidar Mission). MERLIN é um projeto de satélite franco-alemão cujo objetivo é medir a concentração de gás metano na atmosfera terrestre com o intuito de compreender melhor as mudanças climáticas.

"As instalações aeroespaciais em Ottobrunn/Taufkirchen não só vêm marcando a história da tecnologia de ponta nos últimos 60 anos, como também estão ativamente moldando o futuro. Hoje, nossa linha de produção de painéis solares marca nossa entrada na era da Indústria 4.0, com nossas instalações contando a partir de agora com a maior sala estéril para integração de instrumentos óticos a satélites em toda Alemanha. Isso vai melhorar nossa competitividade em todo o mundo, além de contribuir para a manutenção de empregos no local", afirma Dirk Hoke, CEO da Airbus Defence and Space. 

Airbus

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

AMERICA NET ANUNCIA CONTRATAÇÃO DE CTO.

A America Net, uma das principais operadoras de telecomunicações e conectividade do país, anuncia a contratação do CTO (Chief Technology Officer), Eduardo Vale, que assume o cargo com o objetivo de impulsionar a transformação digital da companhia, através de projetos de inovação tecnológica, como por exemplo: IoT, Wi-Fi e 5G.


Com mais de 20 anos de experiência nos mercados de TI e Telecom, Eduardo Vale (foto) já liderou importantes projetos de infraestrutura de redes em empresas nacionais e multinacionais onde construiu uma carreira sólida, em empresas como Sonda, BNP Paribas Cardif, Stefanini e Gol Linhas Aéreas.

Graduado em Ciências da Computação e Gestão de Redes e com pós-graduação em Segurança da Tecnologia da Informação, Eduardo Vale tem como meta suportar os planos de crescimento anunciados pela America Net usando sua experiência em infraestruturas de grandes datacenters e redes de missão crítica. Além disso, o novo CTO da America Net irá estabelecer novos controles de processos internos com objetivo de garantir o cumprimento das metas e excelência no atendimento aos clientes corporativas e varejo.

“Eduardo Vale chega para reforçar o nosso time de especialistas no apoio à expansão dos projetos em áreas-chave para a America Net em 2019 e para os próximos anos. Sua experiência, criatividade e gerenciamento de equipes com milhares de pessoas, no Brasil e América Latina, será muito bem-vinda para agregar ainda mais valor à nossa operação e fechar um ano ainda melhor que o passado, que foi de grandes conquistas”, comenta José Luiz Pelosini, vice-presidente da America Net.

Fundada em 1996, a America Net é uma das principais operadoras de telefonia móvel, fixa e conectividade do país. A companhia conta com infraestrutura e tecnologia de ponta baseada em redes de Fibra Óptica com extensão de mais de 16 mil km, presença em 9 estados e mais de 250 cidades.

America Net
Capital Informação
Assessoria de Imprensa

Leia> O Brasil Sobre Rodas.

AIRBUS E JSAT ASSINAM ACORDO DE COOPERAÇÃO PARA O TERCEIRO PONTO DE INTERSEÇÃO DA SPACEDATAHIGHWAY.


A Airbus e a operadora japonesa de satélites de telecomunicação SKY Perfect JSAT assinaram um acordo de cooperação para preparação do design do ponto de interseção EDRSD. Este terceiro nódulo de comunicação do sistema SpaceDataHighway será posicionado sobre a região da Ásia-Pacífico até 2025. O EDRS-D garantirá um aumento significativo da capacidade de comunicação do sistema, além de ampliar sua cobertura consideravelmente.

O acordo diz respeito ao cofinanciamento de estudos para o design e o desenvolvimento da carga útil do satélite e do sistema como um todo, além da comercialização do serviço do SpaceDataHighway pela SKY Perfect JSAT no Japão. Com esse acordo, o montante total a ser investido na expansão da SpaceDataHighway ficará em cerca de € 15 milhões. 

A futura carga útil do EDRS-D incluirá três terminais de comunicação a laser (LCT ou Laser Communication Terminal, em inglês) de última geração, quer permitirão comunicação simultânea com vários satélites, além de aeronaves e UAVs. Esses terminais a laser terão uma banda larga ainda maior e capacidade de comunicação bi-direcional e interoperável com terminais a laser japoneses. Isso permitirá uma gama mais ampla de links geo-geo cruzados com outros satélites geoestacionários do SpaceDataHighway a uma distância de até 75.000 km, possibilitando a transmissão de dados originados no outro lado do mundo praticamente em tempo real. 

A SpaceDataHighway é a primeira rede de fibra ótica no espaço do mundo e utiliza tecnologia de laser de ponta. Este será um sistema único de satélites geoestacionários permanentemente fixados sobre uma rede de estações em terra. O primeiro satélite, o EDRS-A, já está em órbita. O satélite possui capacidade diária para transmissão de até 40 Tb de dados adquiridos por satélites de observação, UAVs e aeronaves tripuladas, a uma taxa de 1,8 Gbit/s. 

Os satélites de transmissão foram criados para se conectarem a satélites de observação terrestre em baixa órbita por meio de um laser e coletar seus dados à medida que viajam milhares de quilômetros abaixo, varrendo terras e oceanos. O sistema SpaceDataHighway manda então os dados coletados imediamente para a Terra a partir de sua posição mais alta, pairando em órbita geoestacionária, agindo assim como um nódulo de transmissão de dados. Esse processo permite que os satélites de observação descarreguem de maneira ininterrupta as informações que estão coletando, em vez de terem de salvar os dados até o momento que passarem novamente por cima da sua estação terrestre. Dessa forma, os satélites conseguem enviar os dados para a Terra de maneira muito mais rápida.

Desde o final de 2016, o sistema da SpaceDataHighway vem transmitindo diariamente imagens da Terra coletadas pelos quatro satélites de observação do programa Copernicus, conhecidos como Sentinel. O sistema aumentou o volume de dados que os satélites enviam para a Terra em cerca de 50% para o Sentinel 1, além de ter reduzido de 10 para 5 dias o tempo de revisita que o Sentinel-2 leva para fazer o mapeamento completo do mundo.

O SpaceDataHighway é resultado de uma parceria público-privada entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Airbus e conta com terminais a laser desenvolvidos pela empresa Tesat-Spacecom e a Agência Espacial Alemã (DLR). O satélite EDRS-A, o primeiro satélite de transmissão do sistema SpaceDataHighway, que foi lançado em janeiro de 2016, oferece cobertura da costa leste dos Estados Unidos até a Índia. Um segundo satélite será lançado em meados de 2019, dobrando a capacidade do sistema e ampliando a cobertura e a redundância do sistema. 

Airbus

UM CONTO:
A HISTÓRIA DE UMA CASA.
Por Chico Lelis*

                                                                                                                                                               Foto: Blog do Ralph Giesbrecht

Era uma casa charmosa. Não exatamente bonita pelos padrões atuais de arquitetura, mas muito, muito charmosa. De rara elegância.

E era também orgulhosa. Sabia que era a mais bem tratada da rua dos Albéricos (ninguém nunca soube o porquê do nome, nem conheceu ninguém com ele que lá tenha morado). Seus encanamentos eram de primeira, em cobre, assim como a parte elétrica. Tudo com manutenção preventiva. O telhado era um primor e abrigava um simpático sótão, usado como atelier de costura e também escritório. Pé direito com quase 4 metros de altura, azulejos portugueses, todos os cômodos grandes e uma largueza de cozinha e copa. Aqueles armários, despensa, lavanderia, quarto de empregada, com banheiro anexo. Muito melhor que os empreendimentos modernos com varanda gourmet.

Pintura? Todos os anos. Pena que não podia palpitar na cor. Bem que gostaria. Iria pedir aos Souza que usassem uma tal de marrom-toledo, pois, pelo som, ela lhe cairia muito bem.

Mas, naquele ano o amarelo-claro era a cor. No jardim, girassóis, camélias, rosas e margaridas encantavam os passantes. No quintal, a horta abrigava pés de tudo. Tinha  couve, alface, tomate, cebolinha, coentro, cheiro-verde, abobrinha, pimenta, e tudo o que se quisesse imaginar. Tempero não precisava comprar, pois ali de tudo se encontrava.

Tinha também mamona, ótimo produto para manter fortes e bonitos os cabelos, comigo-ninguém-pode e espada de São Jorge para “proteção” da família. Algumas bananeiras, dois pés de “mixirica”, outro de carambola, que hoje chamam de estrela e vai até em salada, e um de jabuticaba. Uma delícia de quintal! Ah, tinha também alguns patos, galinhas, que produziam ótimos ovos. Tudo muito bem cuidado pela vó Eva que também respondia pela cozinha, com a ajuda da Luzia, sua simpática colaboradora há mais de 30 anos. Juntas elas faziam coisas que até os deuses chegavam para almoçar ou jantar.

Por dentro, uma decoração simples e aconchegante. Seus donos eram ‘do bem”. Gente boa mesmo. Nos quartos das crianças, a decoração, se é que se pode chamar assim, era resultado da idade de cada um: a menina, com 11 e o garoto, com 14. No do Sérgio, hoje quase avô, fotos do Pelé  e Garrincha e Cláudia Cardinale nas paredes. E uma bagunça em volta da escrivaninha, com as meias, tênis, shorts e camisetas, sempre fora do lugar. Na época ainda não existiam as modernidades eletrônicas dos dias atuais.

No da Flávia, que hoje viaja pelo mundo fazendo palestras sobre o meio ambiente, tudo arrumadinho. A escrivaninha sempre correta e fechada após o uso. Cada coisa no seu lugar, inclusive as bonecas, sempre penteadas e usando roupinhas limpas. Uma doçura!

Mas cada um era dono do seu nariz e, neste aspecto, ninguém se intrometia no quarto alheio.

Na suíte dos pais, Carlos e Maria Ignês, um ambiente com cara de pais. Nada mais, nada menos. Uma Sonata para tocar os LPs românticos nos momentos íntimos do casal, uma bela e antiga penteadeira, armários embutidos combinando. Tudo muito bem cuidado, se bem que, vez por outra, sobrava um par de meias, masculinas, (sempre elas) ao lado da cama.

A casa não poderia estar melhor localizada. A rua era  larga, “tranquila”, muitas árvores, pavimento ainda em bom paralelepípedo e apenas trânsito local. As casas vizinhas tinham características muito semelhantes, mas não eram como ela. Eram todas muito bem cuidadas, com suas calçadas sempre limpas e muros baixos que deixavam ver seus jardins, mas não tão bonitos como o da 148, onde moravam os Souza.

Quem morava na rua?

Pessoas tão boas quanto os da casa 148. Tinha comerciante, bancário. Do Banco do Brasil, claro! Dois médicos, um doutor engenheiro da Light. Aposentados que moravam com seus filhos, como a dona Eva, que era a dona da casa. Tudo gente boa, que se conhecia desde sempre. Gente que se dava bem. Tão bem que geraram alguns casamentos ali na rua mesmo. A Cidinha, do 35, por exemplo, casou com o Jorge, do 38. Passaram muito tempo se olhando das respectivas janelas. Depois, tinham uma janela só. Seus dois filhos ganharam também suas janelas. Moravam com o pai dela, aposentado.

De vez em quando, surgia uma briga de moleques. Mas era  tudo resolvido na hora, com um ou outro puxão de orelhas. E a vida na rua voltava ao normal.

Os cães andavam por lá, meio que soltos. Os gatos também. Mas não havia chance de brigas. Não que a harmonia da rua influenciasse cães e gatos, tornando-os amigos. É que, por uma razão de segurança, os gatos andavam sempre sobre os muros, só correndo riscos quando atravessavam de um lado para o outro.

E não pensem que aquela era uma rua numa cidadezinha longe da capital. Era ali mesmo, na grande metrópole, mas tinha a cara de viela de cidade do interior. E das pequenas.

A casa se sentia muito feliz ali.

Pela manhã, o movimento das crianças, que saíam de casa, malas nas mãos (ainda não haviam inventado a mochila escolar), chutando pedras, chamando os amigos atrasados, fazendo confusão com os cachorros, espantando os gatos. Quando a molecada ia pra escola, o sossego da rua acabava e ninguém mais dormia naquela rua. Mas era coisa de 10 15 minutos e a paz voltava.

A vida era harmoniosa na rua daquela casa.

Mas, num dia qualquer, a rua dos Albéricos acordou mais cedo,  com um bando de pessoas estranhas andando de lá pra cá, de cá pra lá. Carregavam nas mãos uma coisa que mais parecia um binóculo. - O que estariam fazendo ali? - pensou a casa dos Souza.

- Que povo é este tirando a tranqüilidade da nossa rua? Indagou a casa a si própria, sem resposta.

- Que tanto eles olham com aqueles binóculos? Estão me vigiando. Tenho certeza disso. Por quê? Será que estão me medindo para aumentar o IPTU? Coitado do meu dono, já gasta tanto dinheiro com imposto e não recebe nada em troca.  Paga IR, INPS, “I” isso, “I” aquilo e nenhum retorno. Ele também paga a Guarda Noturna. A única coisa boa grátis era a escola pública, que perdeu a qualidade depois do período militar e nunca mais se recuperou. Ela lembrou que ele também fazia poupança para ter uma aposentadoria decente, porque se fosse depender do governo, ia morrer de fome quando parasse. É só imposto, imposto, imposto. E muita promessa.

Os homens de “binóculos” ficaram por ali de um lado pro outro, anotando, anotando, pela manhã inteira e se foram sem que ninguém conseguisse descobrir do que se tratava. E as vidas da rua e da casa 148 voltaram ao normal.

É preciso abrir parênteses para contar que ninguém soube do que se tratava porque, justo naquela manhã a dona Pura, a fofoqueira, que sabia de tudo,  na rua, tinha ido ao Centro, para compras, e só voltou à tarde.

Tempos depois, antes que ela conseguisse saber o que acontecia, os moradores da rua receberam um questionário da prefeitura perguntando sobre seus destinos: dali, iam pra onde? Centro, outro bairro, fora da cidade? Não havia explicações para as perguntas. As pessoas estavam satisfeitas com suas vidas?

Gentis que eram, responderam sem dar muita atenção à pesquisa. Todos é modo de dizer, porque a dona Terezinha, da casa 53, não respondeu. Era gente boa, mas muito rabugenta e avessa a que alguém se metesse na sua vida.

- Pra que querem saber da minha vida? Eu vou pra onde quero! - esbravejou!

Mas, num outro dia, ensolarado, em que cães e gatos seguiam cada qual pelo seu caminho, apareceu uma perua com alto falante - exatamente como aquelas que vendem “Pamonhas, pamonhas fresquinhas de Piracicaba” - anunciando “uma nova vida no bairro”. O locutor falava de transporte público, linhas de ônibus, melhor acesso ao centro.

Faixas foram colocadas anunciando a criação de linhas de ônibus para “facilitar” a vida de todos.

E, o pior: a prefeitura iria asfaltar a rua dos Souza.

A casa não entendia nada. Nunca soubera que alguém na rua reclamara da falta de nada. Ela, nas conversas com as outras casas, só ouvia elogios para o sossego do lugar.

E, se a casa não entendia, os moradores muito menos. Afinal, a escola era perto e a molecada ia e voltava a pé.  Para ir ao centro, quem não tinha carro, não se importava de andar três quarteirões para pegar o ônibus da avenida. O paralelepípedo, que fora bem assentado, não causava problemas, a não ser quando o “boyzinho” da 147 acelerava demais o Opalão do pai em dia de chuva. Era o maior auê e uma enxurrada de reclamações da rua inteira.

- Devem ser aquelas coisas de político que inventavam (e inventam até hoje) pra atormentar a vida das pessoas. Onde já se viu – esbravejava dona Terezinha – ônibus na nossa rua?! Aqui vai virar um inferno, ainda bem que o falecido não viu isto, porque ele iria morrer de tristeza.

Aquilo uniu ainda mais os vizinhos dos Souza. Fizeram inúmeras reuniões, prazerosamente fornidas de bolinhos de chuva que a dona Eva preparava com esmero e carinho. Foram falar com o vereador do bairro que, claro, lamentou-se, esquivou-se e nada resolveu, como sempre fizeram e fazem, ainda, todos os políticos desta terra descoberta por Cabral.

Correram à prefeitura e lá o alcaide também tirou o corpo fora, dizendo que não podia impedir o “progresso”.

E ele chegou com o asfalto, linhas de ônibus, um roubo aqui, outro ali. E com a maior das tristezas. Dona Terezinha ficou doente, os filhos venderam a casa e foram todos embora. O vizinho dela também desistiu de enfrentar aquela bagunça e foi-se. No lugar das duas casas surgiu o magnífico “Chateaux La Plage”, que tinha apartamentos com cinco suítes, 18 vagas de garagens, segurança máxima, piscina, quadra de tênis, de bocha, academia de ginástica. Um primor de lançamento. Mas, mesmo com a enorme garagem, sempre tinha muito carro sobrando e já não havia como parar carros dos visitantes na rua dos Souza.

Mais gente se mudou deixando terrenos para novos e modernos empreendimentos imobiliários. Cada vez mais sofisticados. Cada vez maiores e mais altos.

E a casa foi ficando preocupada com aquilo. O próximo prédio tomou-lhe o sol. Era o fim do jardim da dona Eva. E junto com ele foi boa parte do pomar e toda a horta. Sobrando mesmo só as bananeiras, a “comigo ninguém pode” (e não pode mesmo) e um pálido pé de “mixirica”.

Naquele ano a pintura não foi programada. Nem executada. Um problema no chuveiro das crianças não foi reparado em definitivo, apenas um consertozinho. Algo havia na casa dos Souza e ela começou a ficar preocupada. Mais ainda quando foi programada uma viagem de férias de todos. Antes de viajarem, os Souza falaram sobre os problemas da rua, da dificuldade em viver sem o sol, sem os amigos que os haviam deixado, praticamente sozinhos nas ruas. Até os gatos sumiram.

E saíram em férias.

E lá deixaram a casa, fechada, às escuras, sem sol e sem o canto dos pássaros que há muito deixaram de “freqüentar” aquela outrora pacata e atraente rua para os bichos de penas.

Foi duro para ela. Estava desesperada diante do abandono. E começou a usar todos os meios para comunicar-se com outras casas. Mandava mensagens pelas antenas da TV, pelo fio do telefone, fios da Light, canos de água, pelos passarinhos.

Pedia socorro.

Sabia que estava prestes a desaparecer e ter suas portas e janelas em pinho de riga serem disputadas por um alto dirigente da indústria automobilística, que era louco por elas.

Mas ela não ia entregar os pontos assim, sem lutar. E continuou pedindo socorro a outras casas.

Quase um mês depois, a família voltou, sem muito entusiasmo, para a rua dos Albéricos. Para a casa 148.

Ao pararem no portão, encontraram um terreno vazio.

Assustaram-se. A vó Eva não acreditava no que via e pensava se as imobiliárias teriam tido a ousadia de demolir a casa na marra – afinal, neste País, tudo é possível mesmo, não é?

Todos desceram do carro, abriram o portão e viram aquela placa, bem no centro do terreno:

MUDEI PARA A RUA DA ALEGRIA, 77.
LÁ VOCÊS SERÃO BEM-VINDOS.

Obs: a Rua da Alegria tinha apenas casas. A dos Souza estava pintada de marrom-toledo.










chicolelis - chicolelis@gmail.com - Jornalista com passagens pelos jornais A Tribuna (Santos), O Globo e Diário do Comércio. Foi assessor de Imprensa na FordGoodyear e, durante 18 anos gerenciou o Departamento de Imprensa da General Motors do Brasil. Assina a coluna “Além do Carro”, na revista Carro, onde mostra ações do setor automotivo nos campos Social e Ambiental.