Com direção de Nicolas Caratori, “A Impossível Versão Moderna da Paixão” coloca em cena uma blogueira, interpretada por Priscilla Olyva, que, inserida na cultura do ressentimento e das simplificações das redes sociais, confronta-se com a visão de mundo proposta por Jesus.
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| A blogueira, interpretada por Priscilla Olyva Foto: Ronaldo Gutierrez | Divulgação |
Redes Sociais, Algoritmos e a Aniquilação do outro
Em cena, uma influenciadora digital constrói, ao vivo e para seus seguidores, a defesa da aniquilação do outro: a ideia de que certos “elementos perigosos” precisam ser eliminados para o bem da ordem. Vídeos, comentários e um discurso que sorrateiramente evolui do humor para a doutrina. Mas, para sustentar esse argumento até o fim, ela é obrigada a convocar seu contraponto mais radical: Jesus, reencenando, diante de Pilatos, o julgamento que a história evoca há dois mil anos: insurreição, blasfêmia e a verdade versus as conveniências das razões de Estado.
Entre o feed e o fórum, entre o meme e o Evangelho de João, a peça monta e desmonta o mesmo dilema que atravessou Roma e as fogueiras da Inquisição e persiste, até hoje, em qualquer debate sobre a aniquilação do outro. No texto, Bernard Shaw entende que Jesus revolucionou o mundo por meio de uma mensagem de paz, desapego e perdão e afirma que não tivemos a coragem e a capacidade de segui-lo. Há dois mil anos, o mundo dos endinheirados e dos poderosos escolhe seguir Barrabás.
Shaw escrevia longos prefácios para suas peças, nos quais tratava de questões urgentes de sua época que até hoje nos assombram. Inspirada nos prefácios das peças On the Rocks e Ândrocles e o Leão, bem como no diálogo entre Pilatos e Jesus escrito por ele, a montagem atualiza a “dissonância de Pilatos” para a era do algoritmo: a verdade é a primeira vítima quando o poder precisa encontrar um culpado.
Ficha Técnica
- “A Impossível Versão Moderna da Paixão”
- A partir da obra de Bernard Shaw
- Concepção/Encenação: Nicolas Caratori.
- Elenco: Priscilla Olyva
- Elenco de apoio e movimentação de elementos: Bianca Contin e Samuel Kobayashi.
- Diretor Assistente: Caio Pedrosa.
- Tradução: Thiago Ledier e Sergio Mastropasqua.
- Adaptação: Caio Pedrosa e Luana Frez.
- Cenografia: Fernando Passetti.
- Sonoplastia: Alexandre Martins.
- Pesquisa e Criação de Vídeo: Lara Lazaretti.
- Figurinista (criação e costura): Yass Santos.
- Iluminação: Nicolas Caratori.
- Assistência e Operação de luz: Bianca Contin.
- Operação de som: Valdilho Oliveira.
- Operação de vídeo: Caio Pedrosa.
- Fotografia: Ronaldo Gutierrez.
- Design Gráfico: Thiago Balbi.
- Mídias Sociais: Naísa Marques.
- Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes.
- Direção de Produção: Selene Marinho.
- Equipe de Produção: André Roman / Teatro de Jardim, Nicolas Caratori, Patricia Pichamone, Sergio Mastropasqua, Caio Pedrosa e Bianca Contin.
- Supervisão e Produção de Figurino: André Roman.
- Consultoria Teórica: Rosalie Rahal Haddad.
- Realização: Círculo de Atores
Tradução em Libras: Fabiano Campos.
Cinema Falado e Iuri Saraiva.
O espetáculo faz parte da 45ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura.
Serviço
• Rua Dr. Gabriel dos Santos, 88 - Santa Cecilia, São Paulo - SP
• Temporada de 18 de agosto a 23 de setembro
• Terças e Quartas às 20:00
• Recomendação etária: 16 anos
• Duração: 60 minutos
• Ingressos pelo Sympla





















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