O Brasil rural nunca esteve tão próximo do mercado global. Essa é a premissa de O Sertão é o Mundo, terceiro livro do jornalista Bruno Blecher, que chega ao público com histórias reais onde agronegócio, ciência, cultura e meio ambiente se cruzam.
Comemorando 40 anos de jornalismo, Blecher conduz o leitor por uma narrativa que começa na BR-232, que liga o sertão ao Recife, com cabras e ovelhas disputando o milho que cai de caminhões rumo ao porto, e avança até as feiras internacionais de alimentos, que cada vez mais tem o Brasil como protagonista.
É nesse cenário que surge o emblemático “churrasquinho do Pratini” — picanha, vinagrete, farofa e caipirinha —, o “jeitinho” com o qual Pratini de Moraes (ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da Abiec -- Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) ajudou a abrir mercados para a carne brasileira no exterior duas décadas atrás.
O livro destaca a ciência que sustenta a potência agrícola do país, revelando o brilhante trabalho de pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a riqueza invisível dos solos tropicais.
Em outra direção, traz histórias curiosas como a das abelhas dos telhados da Catedral de Notre-Dame, que produziram mel por anos, sobrevivendo inclusive ao incêndio de abril de 2019, e mostra como a agricultura urbana desponta como alternativa para o futuro da alimentação nas grandes cidades.
Sem perder o olhar crítico, O Sertão é o Mundo faz um alerta –– o avanço do desmatamento no Cerrado, as ameaças à biodiversidade e o desmonte da ciência pública colocam em risco conquistas históricas do país no campo.
Mais do que um retrato do agronegócio, o livro propõe uma reflexão ampla: compreender o campo brasileiro é essencial para entender os desafios e oportunidades do mundo contemporâneo.
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| “O Brasil viveu mais de 500 anos de costas para o seu interior e só recentemente passou a conhecer e valorizar o trabalho do campo”, diz Bruno Blecher. |
Segundo ele, até há pouco tempo, os campos de soja e de milho de Sinop (MT) e Rio Verde (GO), as lavouras mineiras de café de Patrocínio e Monte Carmelo, as plantações de algodão do Oeste baiano e as uvas do Vale do São Francisco eram ignoradas pela grande imprensa e por boa parte da população urbana.
“Passei os últimos 40 anos comendo poeira pelas estradas dos sertões e dirigindo redações de grandes veículos como Folha, Estado e Globo Rural para contar histórias do Brasil rural e mostrar ao público urbano a riqueza do agro”, destaca Blecher.
A energia da cana, o avanço da agricultura regenerativa, as oportunidades da bioeconomia e os riscos da crise climática são alguns dos temas do livro, que tem prefácio de Moisés Rabinovici, ex-correspondente de O Estado em Washington e da Época em Paris.
O autor
Bruno Blecher é jornalista com 40 anos de atuação em cobertura rural e meio ambiente. Ao longo da carreira, acompanhou de perto a transformação do agronegócio brasileiro em uma potência global, unindo reportagem de campo, análise econômica e narrativa envolvente. Autor dos livros de crônicas “Cidade de Papelão” e “Assassinato no Zap”.
Trabalhou nos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Canal Rural e revista Globo Rural. Atualmente é colunista de Poder360 e sócio da Agência Fato Relevante.
Serviço
- Livro: O Sertão é o Mundo
- Autor: Bruno Blecher
- Editora Kotter/Goyazes
- Onde comprar: e-mail com nome e endereço para blecher99@gmail.com
















