Não parece uma ladeira, e que estamos em um veículo quase sem freios? Agosto chegou, pessoal. Olha só, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro. O ano de 2026 acelera, difícil conter a impressão de que o tempo anda passando cada vez mais depressa.
Pior é que é ladeira de duas mãos. A gente desce rápido, mas a subida é trabalhosa, lenta, estranha, barulhenta, às vezes necessário recomeçar, porque para no caminho. Tudo parece acelerado, o que acontece de bom, passa rápido; mas também especialmente o que é ruim, muito ruim, e que fica martelando na nossa cabeça, demora.
Tenho perdido recentemente muitos amigos importantes, ou sabido da partida de gente querida, e que ainda tinham muito chão para percorrer. Puff. O famoso “de uma hora para outra”, como é a morte. Ela nos assusta. Penso que não vou mais ver, ouvir a voz, encontrar nas ruas, não postarão mais nada, e eu acompanhava por ali suas andanças, não vão mais comentar ou curtir meu trabalho, passar aqui em casa, atender o telefone, me contar uma fofoca. Levam com eles uma parte de mim, de nossa história comum, capítulos especiais. Lembro de detalhes, procuro imagens e recordações, faço o que posso para homenagear, mas sempre é pouco. Sinto que fiquei devendo mais atenção, e que por isso acabei sofrendo ainda mais com a surpresa do fim.
O tempo não para. Minha atenção então se volta a quem ainda vejo envelhecer, e além de mim, que quero ir muito longe. Os mestres, a quem devo conhecimento e orientação nas estradas da vida. Ah, e os amores, vividos com tanta intensidade, e que agora muitos apenas vejo ao longe, mais arqueados, temerosos, se declarando anciões. Temo eu mesma ser, de alguns dos quais trago vivas memórias, apenas suaves imagens de mentes que já se perdem. De outros, adoraria ser sempre eterna, quem sabe? Claro que os que me decepcionaram, sim, ora ora, eu mesma deletei, ou como se diz hoje, cancelei.
Agosto é sempre um mês meio estranho, não sei se por ser agosto, por ser ladeira, por marcar fortes fatos nacionais históricos, por carregar certos folclores. Tento ver com otimismo, torcendo, daqui a pouco será setembro, primavera, minha estação predileta. Ok, vamos tentar esquecer previsões, eleições, os pregos.
Não é nostalgia, mas o que passa pela cabeça, não faltam motivos. Semana que vem – vejam só! – temos um encontro de faculdade, FAAP, Comunicação, 50 anos depois. Fizeram um grupo no WhatsApp. Onde está um; cadê o outro, quem se lembra de um, daquele. Os que se foram. Os que vivem longe. Cada sacudida de memória! As fotos de como estão, para vermos ou não precisarmos de crachás, ainda que não possam estar presentes.
Tem horas que parece outra vida. Outras, que parece que tudo foi ontem.
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* Marli Gonçalves. Jornalista, cronista, consultora de comunicação, |











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