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| Foto: digination.id |
Vivemos em um tempo em que a influência deixou de ser privilégio de reis, líderes religiosos ou grandes pensadores. Hoje, qualquer pessoa com um celular na mão pode alcançar milhares — às vezes milhões — de outras. A era das redes sociais transformou cidadãos comuns em “influencers”, vozes capazes de moldar comportamentos, opiniões e desejos.
Mas influenciar é mais do que aparecer.
Influência é responsabilidade. Cada palavra publicada, cada imagem compartilhada, cada opinião defendida carrega um peso invisível, com impacto na vida de alguém. Há jovens formando valores, adultos buscando referências, pessoas fragilizadas procurando direção. Nesse cenário, a pergunta que precisa ecoar é: influenciar para quê?
Há influencers que promovem conhecimento, saúde emocional, fé, educação, solidariedade. Usam sua visibilidade como instrumento de luz. Tornam-se pontes, não palcos. Servem, não apenas se servem. São como lâmpadas colocadas no alto, não para exaltar a si mesmas, mas para iluminar o caminho de outros.
Por outro lado, existe o risco da superficialidade. Quando a busca por curtidas supera a busca por verdade; quando a imagem vale mais que o caráter; quando o lucro se torna mais importante que a consciência — a influência perde sua essência e transforma-se em ruído. E ruído não constrói, apenas distrai.
O texto Sagrado nos lembra que “pelos seus frutos os conhecereis”. Não pelos seguidores, não pelas visualizações, mas pelos frutos. Que frutos uma influência está gerando? Ansiedade? Comparação? Inveja? Ou esperança, aprendizado e crescimento?
O número de pastores/pastoras, sem a mínima formação, é cada vez maior, criando celeumas religiosas e sociais. Confundem popularidade com autoridade.
Também precisamos refletir sobre nosso papel como seguidores. Não somos vítimas passivas do conteúdo que consumimos. Escolhemos a quem dar audiência. Alimentamos aquilo que valorizamos. Se a sociedade produz influencers vazios, é porque há um público que os sustenta. Se produz líderes conscientes, é porque há uma audiência que deseja profundidade.
Influenciar não é apenas um título digital — é uma missão humana. Todos influenciamos alguém: filhos, amigos, colegas de trabalho. Mesmo quem não possui redes sociais é influencer no cotidiano. Cada atitude é uma mensagem. Cada decisão é um exemplo.
Talvez o grande desafio do nosso tempo não seja acabar com os influencers, mas transformar o conceito de influência. Que ela deixe de ser sinônimo de fama e passe a ser sinônimo de impacto positivo. Que o brilho das telas não apague o brilho da ética. Que a visibilidade caminhe ao lado da responsabilidade.
A verdadeira influência não se mede em números, mas em vidas tocadas. Não se constrói em algoritmos, mas em valores. E quando a consciência guia a comunicação, a influência deixa de ser vaidade — e se torna serviço.
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| * Linoel Dias é jornalista e colunista do “Coisas de Agora” |
















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