Curiosíssima sobre quais os créditos iniciais e finais do “Dark Horse” (Azarão), o filme estranhamente multimilionário contando a história do ex-presidente, Jair Bolsonaro. Curiosíssima também sobre o gênero. Será comédia? Pitadas. Filme de terror? Certamente. Ficção? Sim, mentiras para tudo quanto é lado. Vai ganhar Framboesa de Ouro? Sem dúvida.
Roda! Nasceu chorando em 1955, em Glicério, no interior de São Paulo, menos de cinco mil habitantes. Viveu em Eldorado, também interior de São Paulo. Pula. Vira militar, se envolve em um monte de confusões no quartel, acaba vereador carioca em 1988. Em 1990 se elege deputado federal, e lá fica até 2018. Passa, portanto, 27 anos na Câmara dos Deputados. Só esse último trecho já será um branco inteiro para o filme. Se for preenchido será só com os desaforos e desafetos que fez com seus pares. Baixo clero é pouco: pelo país, nada, nadinha!
Roteiro. Aí, eleito presidente, o Azarão, muito mais por conta de um atentado imbecil, nos inferniza durante quatro anos, e em meio à pandemia. Começa ali a formar estranhos exércitos de pessoas de verde e amarelo rezando para pneus, óvnis imaginários, se equilibrando no capô de caminhões, negando vacinas que impediriam milhares de mortos de covid, se reunindo para cantar compungidos o Hino Nacional e em cercadinhos. Ataca as mulheres, a imprensa, os gays, nomeia tudo quanto é tipo de besta incompetente para os ministérios, se cerca de militares que apoiam acampamentos às suas portas. Na versão mais atual, seus apoiadores bebem detergente com bactérias. Se autodenominam direita. Parte comédia, cenas impagáveis.
Resumo da ópera (ops, melhor não dar ideia...).
Na sequência, com a sua familícia, se envolve em mais trapalhadas e, ainda, em uma tentativa de golpe de Estado que o leva à cadeia com pena de mais de 27 anos a cumprir. Alterna hoje cadeia, domiciliar, hospitais, soluços e cirurgias. De longe distribui e rege os filhos, 01,02,03 (tem o 04, mas nem vale citação, e uma moça, Laurinha, a que não sorri, e claro sem esquecer a atual esposa, Michelle, pretensões eleitorais, adora cultos quando fala uma língua estranha) soltos por aí. Um deles, Flávio, agora candidato à Presidência nas próximas eleições. Pelo menos por enquanto. Um, Eduardo, fica nos Estados Unidos tentando atacar o Brasil com uns amiguinhos. O terceiro, Carlos, bem, melhor deixar para lá.
O tal filme vinha quietinho até essa semana estourar o rio de dinheiro injetado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que bateu a carteira do país, nosso, dos idosos, dos empréstimos consignados, do Fundo Garantidor. Portanto, recursos públicos. Bilhões. Está preso. Ele também tem uma familícia que aos poucos se enquadra em grades. Apareceram gravações inequívocas dele com o tal candidato à Presidência, Senador Flávio, este cobrando os valores (mais valores), demonstrando grande carinho e amor, e tropeçando e se contradizendo, sendo mais exposto ainda a cada tentativa de justificativa, cada um mais pomba lesa do que outra.
Fim. The End. Atiça minha curiosidade sobre como serão os créditos do filme já várias vezes denunciado por condições precárias no set de filmagem, comida estragada, alimentação insuficiente para longas jornadas de trabalho, atrasos de pagamento e revistas consideradas abusivas, entre elas. Será que terá agora muita gente pedindo para ter seu nome rasurado? Os tais “grandes atores” (fuemmm!) estarão gostando dessa meleira? Daniel Vorcaro aparecerá como? Em letras grandes como apoiador, ou era mesmo tudo bem escondido? Teria - até ele - vergonha? Não pediria, só rindo para acreditar nessa, nadinha em troca dos milhões de dólares?
Quer saber? Ainda aparecerão muitos frames por aí. Acho que tudo isso já vale até começar a pensarmos em um outro filme: “O Azarão e os atrapalhados” ou “O Azarado”, talvez. “Todos os homens do presidente”? Infelizmente este já foi usado.
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* Marli Gonçalves. Jornalista, cronista, consultora de comunicação, |

















