Embora a GM não confirme, existe a possibilidade da empresa retomar a importação de caminhões urbanos de pequeno e médio porte no Brasil, produzidos pela japonesa Isuzu, no Japão, como já faz na Colômbia, Ecuador (a grafia correta do nome do país) e Chile

No final da década de 90, a GM do Brasil montou caminhões da Isuzu NPR,
que aqui receberam a denominação de GMC 7-110
E, por que estou mencionando isso na minha coluna desta semana?
Porque, em junho de 1997, quando gerente de Imprensa da empresa norte-americana, acompanhei um grupo de jornalistas brasileiros em uma viagem ao Japão para conhecer a fábrica da Isuzu em Tomakomai, na província de Hokkaido. Foi uma viagem marcada por momentos marcantes na “Terra do Sol Nascente", também por ter acontecido a primeira visita de jornalistas do mundo inteiro ao campo de provas da fábrica. Nem mesmo os jornalistas japoneses haviam tido a oportunidade.
Fomos em 19 pessoas, 16 jornalistas, sendo quatro mulheres; um guia da Stella Barros, o Gustavo; eu e Luiz Carlos Lacretta pela GM. Na foto, em Tokio, com o castelo Imperial ao fundo, aparecemos todos nós, mais a tradutora Diva Yokohirao. E, como não foi possível conseguir identificar a todos, publico junto com a foto deles, outra imagem com as assinaturas de todos os integrantes do grupo.
Viajando pela, até hoje, imbatível Varig (essa é a opinião de executivos de viajaram pela empresa gaúcha e hoje usam as melhores do mundo), saímos de São Paulo, com escala em Los Angeles, nos EUA. Ali tivemos o único desgastante momento da viagem. Fomos confinados em uma sala de “não fumantes”, por cerca de três horas. O problema foi quando chegou a liberação para embarcarmos em direção a Tokio e os não fumantes tiveram que atravessar a salão de fumantes, que estava tomada pelo cheiro e fumaça de cigarro, infestando nossas roupas e cabelos.
Mas este acontecimento não foi nada perto da recepção que tivemos por parte do pessoal da Isuzu, a começar pelo hotel, O New Otani, com seus 800 quartos com vista panorâmica, inaugurado em 1964 para o Jogos Olímpicos. Lá, tivemos a oportunidade de visitar o Jardim Japonês, com área de quatro hectares, com seus lagos, pontes e paisagismo tradicional japonês, sem contar diversos bares e restaurantes oferecendo culinária de várias nacionalidades, incluindo a local, claro!
Curioso aconteceu na nossa chegada. Olhei sobre o balcão de recepção uma placa anunciando “Massagens por US$ 50”, em diversos idiomas. Cansado na viagem, pedi uma e fui instruído a colocar um roupão, deixar a porta entreaberta e o valor da massagem sobre o criado mudo (lembram desta peça no quarto?).
Minutos depois de tomar meu banho, chegou a massagista. Era uma senhora com cerca de 70 anos que começou a fazer seu trabalho e não sei quanto tempo levou porque adormeci logo depois do primeiro toque em minhas costas.
Mais tarde, quando nos encontramos no saguão para irmos a jantar, fui chamado por dois colegas (ambos solteiros) a um canto que reclamaram de terem sido enganados pelo hotel. Perguntando sobre o acontecera, tive como resposta, a questão da massagem. Dei muita risada, percebendo que ambos haviam confundindo o sentido da “massagem”. Mas concordaram que as massagistas fizerem bem o seu trabalho, deixando-os prontos para enfrentar o programa noturno.
E o programa noturno foi em um restaurante típico da terra, banhado a sake e biru (cerveja) com lascas de ouro. Muitos estranharam a falta de pão junto com a refeição, que não é usual na culinária nipônica. Essa “reclamação” acompanhou-nos por todos 14 dias de viagem.
No dia seguinte, após conhecermos por fora, o Palácio Imperial (à época habitado pelo imperador Akihito, na era Heisei, de janeiro de 1989 a abril de 2019, quando renunciou ao trono) visitamos o templo budista mais famoso e antigo de Tokio, o Sensō-ji, criado em 645 d.c., dedicado a Kannon, a bodisatva (conforme o Google, chamado de bosatsu em japonês, é um ser que já alcançou um elevado grau de despertar espiritual, mas que escolhe adiar sua própria entrada completa no Nirvana - a iluminação final para os budistas – para ajudar a aliviar o sofrimento de outros seres à salvação).
Da capital japonesa voamos para Hokkaido onde fomos conhecer a fábrica de caminhões leves e médios da Isuzu e foi ali onde a diferença de civilizações foi mais marcante. Ficamos em um hotel onde não haviam camas, mas tatames colocados diretamente sobre o piso. E, para surpresa geral, não havia, como no hotel de Tokio, café da manhã ocidental, com geleias, manteiga, presuntos, bacon, ovos.....e sim o tradicional, Asagohan ou Choshoku, o breakfast tradicional.
Muitos buscaram estabelecimentos próximos para matar sua fome matinal. Em uma das visitas, uma grande surpresa: era uma fábrica de pão e todos se regalaram, com os vários tipos oferecidos ao grupo em uma atraente embalagem. Alguns levaram seus presentes para os restaurantes – todos típicos- para reforçar o sushi e ou sashimi servidos.
No último almoço em Hokkaido, quando nos dirigíamos a mais um restaurante típico, passamos diante de um que se intitulava “cantina italiana”. Foi aí que um dos jornalistas empacou e disse que não ia mais comer peixe cru ou algo do ramo.
E o pessoal da Isuzu compreendeu o drama e entramos na “cantina”. E, lá, com cardápio apresentado em japonês, inglês e italiano, ele, italiano, que se recusara a seguir para outro restaurante, cometeu um grande engano: pediu uma massa “al nero” esquecendo que se tratava de um molho feito com tinta de lula ou polvo, que detestava.
Eu ainda tentei demove-lo daquela escolha, mas só de pensar que ele não iria comer peixe cru, insistiu no molho “al nero”. Quando acabou de comer o prato, perguntei se havia gostado ao que ele respondeu: “adorei”. Quer dizer, adorou aquilo que nunca gostou.
Chegando ao Brasil, “denunciei” o italiano para sua esposa que riu muito do lapso do italiano.
Não sei se a GM vai promover outra viagem para apresentar a nova geração dos caminhões Isuzu que devem ter evoluído nestes 29 anos que nos separam daquela estada no Japão, que ninguém jamais esqueceu. Mesmo aqueles que já nos deixaram, sempre que nos encontrávamos mencionavam aquela temporada de sushi, sake e biru com ouro.
Durou pouco
No final da década de 90, a GM montou caminhões da Isuzu NPR, que aqui receberam a denominação de GMC 7-110. Depois disso, passou a importar o modelo com capacidade para 3,1 toneladas, aqui chamado de GMC 5-90. A ideia era nacionaliza-lo pelo sistema CKD, mas o plano não seguiu adiante. E, a divisão de caminhões da GM no Brasil foi descontinuada no início dos anos 2000.



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