Bosch planeja investir 1 bilhão de reais na América Latina em 2026, com destaque para novas linhas de produção
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Com mais de 70 anos de história no Brasil, o Grupo Bosch emprega
atualmente no país cerca de 11 mil colaboradores
A Bosch, líder global no fornecimento de tecnologias e serviços, fechou o ano fiscal de 2025 com vendas totais de 11,6 bilhões de reais na América Latina, incluindo as exportações e as vendas das empresas coligadas. Esse número representa um crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior. Com mais de 11.000 colaboradores, o Brasil representou 80% do faturamento, o equivalente a 9,4 bilhões de reais no ano passado. Mais de 20% desse valor veio de exportações para outros países da América Latina, Europa e América do Norte.
“Mesmo em um cenário econômico desafiador, a Bosch América Latina demonstra uma performance notável, com uma taxa de crescimento média anual superior a 10%, nos últimos cinco anos. Estamos consolidando um ciclo de expansão extremamente sólido, com estratégia clara, disciplina e resiliência. Isso posiciona a América Latina como uma das regiões mais competitivas do Grupo Bosch globalmente, o que é motivo de muito orgulho para todos nós”, afirma Gastón Diaz Perez, CEO e presidente da Robert Bosch América Latina.
Competitividade gera investimento
Com um crescimento sólido e consolidado, em 2026, a Bosch planeja investir 1 bilhão de reais em digitalização, pesquisa, desenvolvimento e ampliação da capacidade produtiva na América Latina. No aporte estão incluídos investimentos em linhas de produção de motores elétricos para levantadores de vidro, localizadas na fábrica de Campinas/SP. Há previsão também de desenvolvimento de linhas para componentes e motores elétricos de propulsão, para veículos comerciais.
O investimento envolve ainda a nacionalização da produção de baterias para ferramentas elétricas, que representa um marco histórico na América Latina. Com isso, a região reduz a importação de baterias da Ásia, minimizando eventuais impactos logísticos e ampliando a disponibilidade de produtos para o mercado latino-americano. O foco inicial é nas baterias de 18V, que hoje já são integradas à maioria das linhas de ferramentas da Bosch.
“Quando somos competitivos, conquistamos a confiança da matriz para seguir investindo ainda mais no Brasil. A Bosch reforça seu compromisso e reconhece que estes esforços são estratégicos, otimizam a cadeia de suprimentos e garantem aos nossos clientes o acesso a itens de excelência, produzidos localmente. 2026 já mostra que temos bases sólidas, investimentos relevantes e um enorme potencial pela frente”, complementa Gastón.
Impulsionando soluções de mobilidade sustentável na América Latina
“Acreditamos em uma transição para a mobilidade sustentável alcançada por meio de múltiplas frentes, reduzindo a dependência de uma única tecnologia e permitindo uma adaptação gradual de mercados e da infraestrutura”, afirma Gastón. Neste contexto, a Bosch reconhece o Brasil como um país de destaque, tanto por ter uma matriz energética majoritariamente renovável, quanto por ser considerado referência internacional em biocombustíveis.
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| Gastón Diaz Perez, CEO e presidente da Robert Bosch América Latina |
Como pioneira na criação da tecnologia Flex Fuel no Brasil, a Bosch reforça e assume seu protagonismo em soluções que favoreçam a jornada da sustentabilidade na mobilidade e apoia o mercado automobilístico, com serviços de engenharia e desenvolvimento para adaptar suas plataformas à tecnologia Flex Fuel, independentemente da motorização do veículo.
Um exemplo são os novos modelos de automóveis que já circulam no mercado brasileiro e utilizam soluções Bosch para motores híbridos-flex. Na fábrica de Campinas/SP, já estão sendo produzidos componentes eletrônicos fundamentais do sistema híbrido-flex, como a ECU (Electronic Engine Control Unit) e a VCU (Vehicle Control Unit).
A ECU é um computador embarcado responsável por gerenciar diferentes sistemas do veículo, monitorando dados de sensores, como temperatura e aceleração, e comanda atuadores, como injeção de combustível e ignição. Em veículos híbridos-flex, esta função é ampliada com a atuação da VCU: a unidade coordena a operação do motor a combustão (gasolina e/ou etanol), dos motores elétricos e do carregamento da bateria, definindo a melhor combinação de energia.
Inovação e o crescimento futuro do agronegócio
Um ano após estabelecer o Brasil como Centro Global de Competência da Bosch para o agronegócio, em 2026 a Bosch lança uma nova tecnologia para melhorar a performance do plantio com o Bosch IPS (Intelligent Planting Solution). Trata-se de uma nova geração, denominada Bosch IPS EVO, uma solução de agricultura inteligente que conecta operações de plantio e amplia a eficiência no campo.
Totalmente orientado por dados, o sistema Bosch IPS EVO permite a criação e o gerenciamento de mapas de plantio, além do monitoramento das máquinas em tempo real. Com conectividade máquina a máquina, até três plantadeiras podem operar de forma sincronizada na mesma área, evitando a sobreposição de sementes e simplificando as operações. O controle linha a linha, a compensação em curvas e a tecnologia de taxa variável asseguram deposição precisa e desempenho consistente em diferentes condições de plantio e tornam o Bosch IPS EVO a combinação ideal entre conectividade avançada e alto desempenho.
Novas possibilidades com a transformação digital
Após celebrar em 2025, os 65 anos da criação da Escola Técnica de Aprendizagem (ETS), em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), a Bosch segue oferecendo formação técnica como diferencial competitivo nas carreiras de jovens de 16 a 19 anos.
Nesse sentido, as operações da Bosch no Brasil estão se adaptando às demandas da indústria do futuro e se consolidam globalmente entre os três países fornecedores de soluções digitais para o Grupo Bosch, junto de Índia e Polônia, gerando oportunidades reais para jovens nas áreas de digitalização, automação e programação. “A América Latina tem se posicionado como uma região importante para impulsionar a transformação digital da Bosch. Estamos nos tornando um hub de serviços digitais para o mundo e é onde esses jovens talentos encontram novas possibilidades de trabalho”, diz Gastón.
Com unidades em Campinas/SP, Curitiba/PR e Joinville/SC, a ETS já formou cerca de 4.000 jovens, e por meio da Academia de Talentos Digitais (DTA, na sigla em inglês), nos próximos anos outros 1.000 estudantes se formarão especificamente nos cursos de digitalização e automação.
Ainda no contexto de formação de jovens, a Bosch no Brasil realiza programas sociais, por meio do Instituto Robert Bosch (INRB), que em 2026 celebra 55 anos de atuação no país. Com o apoio de entidades parceiras, impacta anualmente mais de 4.700 alunos de escolas públicas, em áreas de vulnerabilidade social próximas às unidades da empresa, com o objetivo de contribuir diretamente para o desenvolvimento socioemocional e profissionalizante dos jovens. São diversos programas de formação e capacitação, que contam com a participação de mais de 600 colaboradores voluntários, proporcionando novas oportunidades para que os estudantes possam alcançar a autonomia social.
Grupo Bosch Mundial: perspectivas para 2026 e direcionamento estratégico
Diante de tensões geopolíticas e barreiras comerciais, o Grupo Bosch Mundial pretende aproveitar as perspectivas de crescimento em seus mercados globais, mobilizando todo o seu potencial de inovação em 2026. Os investimentos iniciais necessários em áreas de relevância estratégica para o futuro deverão permanecer no mesmo nível elevado dos anos anteriores. Somente em 2025, a Bosch destinou cerca de 12 bilhões de euros para investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em bens de capital. Enquanto fornecedora de tecnologias e serviços, a Bosch projeta um crescimento nas vendas entre 2% e 5% e uma margem EBIT das operações entre 4% e 6% para 2026. “Como líder global em tecnologia, estamos comprometidos em moldar as tendências de automação, digitalização, eletrificação e inteligência artificial, pois isso também abre caminhos para o crescimento dos nossos negócios”, afirmou Stefan Hartung, presidente do Board Global da Bosch.
Apesar dos desafios consideráveis, globalmente, a Bosch alcançou uma receita de vendas de 91 bilhões de euros no ano de 2025, ligeiramente acima do ano anterior (2024: 90,3 bilhões de euros). Após o ajuste dos efeitos cambiais, isso representou um crescimento de 4,1%. A margem EBIT das operações em 2% ficou abaixo do resultado do ano anterior (2024: 3,5%). Ajustes estruturais e de pessoal, necessários para aumentar a viabilidade futura, tiveram um impacto significativo no resultado, com provisões de 2,7 bilhões de euros. “A Bosch é capaz de entregar o futuro, mesmo em condições adversas. 2026 será um ano de avanços”, disse Hartung. No que diz respeito à capacidade de inovação, com cerca de 6.300 patentes em 2025, a Bosch está entre as indústrias mais robustas do mundo e uma das que mais registram patentes na Europa. Hartung considera que a liderança em inovação como um fator-chave de sucesso para diversificar os negócios e implementar a Estratégia 2030 da empresa.














