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| Imagem IA Gemini |
Quando até o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino — jurista, professor, ex-juiz federal, ex-governador do Maranhão - estado que possui o menor IDH - Indice de Desenvolvimento Humano do Brasil, sendo um dos mais miseráveis do país — fala publicamente sobre um país vivendo tempos cabulosos, talvez seja prudente parar e refletir.
A pergunta que fica é: como chegamos até aqui?
Alguém disse, com muita sabedoria, que chega um momento em que precisamos abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os caminhos que sempre nos levam aos mesmos lugares.
Talvez o Brasil esteja precisando exatamente disso: uma mudança.
Não adianta querer vinho novo em odres velhos. Jesus já ensinava: “Ninguém põe vinho novo em odres velhos” (Marcos 2:22).
Não se muda uma realidade repetindo eternamente os mesmos erros, elegendo os mesmos corruptos, tolerando os mesmos vícios e esperando resultados diferentes.
E aqui surge uma enorme responsabilidade: o voto.
O voto não é apenas uma obrigação eleitoral. É uma procuração que entregamos a alguém para falar, decidir e agir em nosso nome.
Por isso, votar é muito mais sério do que apertar alguns números numa urna.
É escolher — das opções existentes — quem receberá uma parcela do poder que pertence ao povo.
Por isso, o título desta reflexão “O Voto e o Devoto”.
O voto pertence ao cidadão, a fé pertence ao devoto.
E ambos precisam caminhar juntos, mas sem se confundirem.
O religioso não deve transformar o altar em palanque, nem o palanque em altar. Não deve colocar sua esperança definitiva em Brasília, em partidos, em governantes, em ministros, em tribunais ou em qualquer outro poder humano.
Porque nenhum homem merece a confiança que somente Deus merece.
As instituições são necessárias. A democracia é necessária. A Justiça é necessária. O Estado é necessário.
Mas todos são formados e conduzidos por seres humanos — e seres humanos são falíveis.
Por isso, confiar cegamente em instituições pode ser tão perigoso quanto desconfiar de todas elas.
O cidadão precisa fiscalizar. O eleitor precisa discernir. O cristão precisa orar.
E precisamos lembrar que poder sem responsabilidade se transforma em abuso; liberdade sem consciência transforma-se em irresponsabilidade; e fé sem ação pode transformar-se em acomodação.
Há situações que nos fazem perguntar: em quem podemos confiar? Nos políticos? Nas instituições? Nos tribunais? No Executivo? No Legislativo? No Judiciário?
Talvez a resposta mais prudente seja: confie nas instituições dentro dos limites da Constituição, fiscalize os homens que as ocupam e coloque sua confiança última em Deus.
“Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação.”
Isso não significa abandonar a política.
participar dela sem transformá-la em religião.
Porque quando o homem transforma um político em salvador, já perdeu a capacidade de cobrar dele alguma coisa.
E quando transforma um partido em igreja, passa a defender seus erros como se fossem dogmas.
O Brasil precisa de cidadãos, não de adoradores de políticos.
Precisa de consciência, não de fanatismo.
Precisa de responsabilidade, não de idolatria.
E precisa, acima de tudo, de uma profunda renovação moral e política.
Há algo muito desconfortável, quando o trabalhador que acorda cedo, enfrenta trânsito, transporte precário, impostos e dificuldades para sustentar sua família olha para o Estado e sente que a balança da justiça não está equilibrada.
Uma pergunta legítima aos defensores dos atuais programas sociais e pacotes de bondades do governo: O trabalhador brasileiro sente que seu esforço está sendo devidamente reconhecido?
Afinal, democracia não é somente votar. É também prestar contas, cobrar.
O VOTO E O DEVOTO.
O voto é responsabilidade diante da República.
O devoto é aquele que reconhece que - acima da República, acima de Brasília, acima dos palácios, das cortes, dos partidos e dos governos - existe um Deus que continua sendo soberano.
Por isso, o nosso maior refúgio não está em Brasília. Felizmente.
O nosso maior refúgio está no Alto.
Não está no luxo de uma mesa sofisticada, nem numa garrafa de Macallan, aberta em Nova York ou Londres, nem no resort Tayayá, enquanto milhões lutam diariamente para sobreviver.
Não há problema em desfrutar legitimamente dos frutos do trabalho e da vida. O problema começa quando o conforto de poucos se torna indiferente à dor de muitos.
A verdadeira riqueza de uma nação não pode ser medida apenas pelo luxo daqueles que chegaram ao topo, mas também pela dignidade daqueles que ainda lutam para sair da base.
E então chegamos à conclusão inevitável: é preciso votar.
Não porque o voto seja uma varinha mágica. Não porque um candidato seja um salvador. Não porque algum partido possua todas as respostas.
O voto é uma das poucas armas cívicas entregues igualmente ao cidadão comum.
Rico ou pobre. Doutor ou analfabeto. Empresário ou trabalhador. Homem ou mulher.
Todos entram na cabine eleitoral com a mesma responsabilidade.
E o devoto entra ali levando consigo algo ainda maior: sua consciência.
Que Deus nos dê sabedoria para escolher. Discernimento para não sermos enganados. Coragem para mudar aquilo que precisa ser mudado.
E que compreendamos que nenhum governo humano será capaz de ocupar o lugar do Governo de Deus.
O voto pode mudar governos.
A consciência pode mudar sociedades.
E somente Deus pode transformar corações. Por isso vote e fiscalize.
Mas, acima de tudo: olhe para o Alto.
Porque Brasília pode até decidir muita coisa sobre nossa vida. Mas não decide e define a nossa consciência e o nosso destino eterno.
“Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor.” - Salmo 33:12
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| * Linoel Dias é jornalista, assessor de imprensa e colunista do Coisas de Agora |














