Está comovente a entrevista concedida por FHC ao jornalista Josias de Souza, colunista do UOL, na quinta-feira, 23 de janeiro. Os trambiques na área do transporte sobre trilhos acontecem desde o governo Covas e passam pelos sucessivos governos do PSDB. Mas, como faz o PT, os caciques nunca sabem de nada. Até secretários de Estado e assessores ligados aos governadores são citados, mas FHC afirma que seu partido nada tem a ver com isso.
Seria perda de tempo comentar aqui o desprezo pela opinião pública revelado pelo nosso príncipe da social democracia tucana. No mínimo nos passa um atestado de burrice coletiva.
Como o PSDB não é responsável? E como os sucessivos governadores, Covas, Goldman, Serra e Geraldo possam desconhecer escândalos que alcançam cifras estelares? A valer tal hipótese, fica patente que este partido não tem quadros capacitados a governar nada, nem mesmo uma cidadezinha de interior. Porque não se admite que a roubalheira, em montantes astronômicos, possa ter fugido ao controle. Afinal, existem ou não controles contábeis? E como, por tantos anos, alguma máfia incrustada no seio do governo possa ter deitado e rolado, sem que ninguém suspeitasse de nada?
O governante é responsável por tudo o que acontece na máquina que lhe compete administrar. Se há trambiques, e não pune, se torna conivente. O mesmo se aplica ao mensalão do PT. Lula vai sempre jurar que nada sabia, mas isso não exclui sua responsabilidade. O mesmo agora se aplica a FHC. Querer livrar a cara do PSDB, o partido do governo estadual paulista, equivale a chamar todos os eleitores de idiotas. E o pior é que existe gente que acredita.
* Milton Saldanha, 68 anos, gaúcho, é jornalista desde os 17 anos. Trabalhou na imprensa de Santa Maria (RS) e Porto Alegre. Vive em São Paulo há mais de 40 anos. Passou por muitos empregos, entre eles Rede Globo, Estadão, TV Manchete, Diário do Grande ABC, Jovem Pan, revista Motor3, Ford Brasil, IPT, Conselho de Economia e vários outros, inclusive na Ultima Hora. Ao se aposentar, criou o jornal Dance, já com 19 anos. É autor dos livros “As 3 Vidas de Jaime Arôxa” (Editora Senac Rio); “Maria Antonietta, a Dama da Gafieira” (Phorte Editora) e “O País Transtornado” (Editora Movimento, RS) onde conta 60 anos da recente História brasileira. Participou da antologia de escritores gaúchos “Porto Alegre, Ontem e Hoje” (Editora Movimento).
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