sábado, 28 de março de 2026

MAIS UM IMPÉRIO RUIU: NADA É PARA SEMPRE. Por Linoel Dias*

“Quando os que governam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito” – Georg Lichtenberg – (filósofo)

Imagem: IA ChatGPT

As fusões, incorporações, liquidações e até fraudes no sistema bancário brasileiro, infelizmente, se tornaram comuns. Muitos irão se lembrar do Bamerindus, do Banco Santos, Banco Nacional, Bandeirantes. Real, Panamericano e tantos outros.

Grandes bancos tradicionais, hoje, fecham centenas de agências, impulsionados pela digitalização e pela economia que se acirra. Nada mal, quando o bolso do cliente não é prejudicado.

Mas, a política do “jeitinho brasileiro” continua, e sempre de acordo com os interesses superiores. Muitos ainda acreditam em CPMIs, ou ainda nos denominados “rigorosos inquéritos”.

Agora foi a vez do Banco Master ruir, provocando um grande estardalhaço. Afinal, com tantas autoridades e políticos supostamente envolvidos, não poderia ser diferente.

Mas, o que causa espécie são os discursos intermináveis que, sabemos, nada resolverão. São formas de mascarar a realidade, com  os políticos e autoridades exigindo respeito, quando perderam a vergonha. “Continuaremos tudo como dantes no quartel de Abrantes”.

Falta de lucidez

Não se assuste com essa verdade — mas falta lucidez. Até quando creremos em inacreditáveis políticos, governantes, pastores, “autoridades” eclesiásticas e doutos homens da lei? – Maldito é o homem que confia no homem – diz o livro Sagrado.

Muitas vezes, somos os culpados porque vivemos como se o tempo fosse nosso aliado eterno, como se os bens acumulados pudessem nos proteger da transitoriedade da vida. Guardamos tesouros que não levaremos, construímos impérios que não habitaremos para sempre, e nos esquecemos de investir naquilo que realmente permanece. Não adianta reter os milhões no banco se o coração está vazio; não adianta conquistar o mundo e perder a alma.

Na terra, tudo passa. As estações mudam, os corpos envelhecem, os dias se esvaem como areia entre os dedos. Mas há algo que resiste ao tempo: o amor que praticamos, a fé que cultivamos e o bem que espalhamos. Esses não se perdem — transformam-se em sementes eternas.

Por isso, o importante é viver com propósito. Ame sem reservas. Perdoe com generosidade. Compartilhe o que tem de melhor, pois isso, sim, ecoa além da existência material. Aquilo que Deus depositou no homem — dons, virtudes, sensibilidade — não foi feito para ser armazenado, mas para ser vivido e multiplicado.

Desapegue-se do que é passageiro, sem deixar de valorizar o presente. A beleza da vida está justamente em sua brevidade: cada instante se torna precioso porque não volta. E é nesse entendimento que nasce a verdadeira sabedoria.

No fim, perceberemos que nada do que acumulamos terá valor maior do que aquilo que oferecemos. O amor vivido será lembrado, a fé exercida será recompensada, e o bem praticado será eternizado.

O resto ah, o resto — como já sabemos — nunca é para sempre.

* Linoel Dias é jornalista e colunista do “Coisas de Agora”

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