sábado, 25 de abril de 2026

PACIÊNCIA: UMA VIRTUDE QUASE ESQUECIDA. Por Linoel Dias*

Imagem: IA Copilot Microsoft 365
“Quem cultiva a paciência no trânsito evita ser paciente no hospital”
 (Sabedoria Popular)

Vivemos em um mundo tão apressado e agitado que, à primeira vista, parece até insano falar sobre paciência. Praticamente, em todos os nichos de atuação da humanidade, de A a Z, tudo é urgente, imediato, instantâneo. Claro, quando há vontade política... As respostas precisam ser rápidas, os resultados devem ser visíveis agora, e o tempo — que deveria ser nosso aliado — tornou-se um adversário implacável. Nesse cenário, a paciência parece uma virtude esquecida, quase fora de moda.

Mas talvez seja justamente por isso que ela se torna ainda mais necessária.

A paciência não é passividade, nem fraqueza. Ao contrário, é uma das mais elevadas formas de autocontrole. É a capacidade de permanecer firme quando tudo ao redor pressiona por reação imediata. É saber esperar sem desespero, agir sem precipitação e confiar mesmo quando não se vê claramente o caminho.

Ser paciente é compreender que a vida tem ritmos próprios. Assim como a natureza não antecipa suas estações, também nós não podemos apressar certos processos sem comprometer seus frutos. Há sementes que precisam de tempo no silêncio da terra antes de germinar. Há aprendizados que só amadurecem com a experiência. Há respostas que chegam apenas quando estamos prontos para compreendê-las.

A impaciência, muitas vezes, nasce do desejo de controle absoluto — querer que tudo aconteça do nosso jeito e no nosso tempo. Porém, a paciência nos ensina a humildade de reconhecer que nem tudo está em nossas mãos. Ela nos convida a confiar: em Deus, no tempo, na vida.

Nos momentos de dificuldade, a paciência se revela como força silenciosa. É ela que nos sustenta quando as respostas não vêm, quando os caminhos parecem fechados, quando o coração se inquieta. É ela que impede decisões precipitadas, palavras impensadas e atitudes das quais poderíamos nos arrepender.

Espiritualmente, a paciência é um exercício de fé. É acreditar que, mesmo na demora, há propósito. Que, mesmo no silêncio, há cuidado. Que, mesmo na espera, algo está sendo preparado — dentro de nós e ao nosso redor.

Paulo, o apóstolo, é enfático: “Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverai em oração” – Romanos 12:12

Talvez o maior desafio não seja esperar, mas esperar com serenidade. Não apenas suportar o tempo, mas viver o tempo com confiança e paz. Porque quem aprende a ser paciente descobre que a pressa nem sempre leva mais longe — e que os melhores frutos da vida raramente são colhidos às pressas.

Cultivar a paciência é, portanto, cultivar a sabedoria. É aprender a respirar antes de reagir, a refletir antes de agir e a confiar antes de desistir.

No fim, a paciência não apenas transforma circunstâncias — ela transforma, sobretudo, o coração de quem aprende a praticá-la.

* Linoel Dias é jornalista e colunista do “Coisas de Agora”

Um comentário:

Anônimo disse...

Bela reflexão, a paciência e um item cada vez mais raro na vida.