terça-feira, 5 de maio de 2026

CONFRONTO X MODERAÇÃO. Por Linoel Dias*

Foto: IA Cava ©coisasdeagora 

Viver é, em muitos momentos, equilibrar-se entre dois extremos: o confronto e a moderação – diz a sabedoria popular. Há situações em que o silêncio fala mais alto que mil palavras, e outras em que calar-se é permitir que a injustiça crie raízes. Nem sempre confrontar resolve, mas evitar constantemente o enfrentamento pode transformar pequenos desafios em grandes muralhas.

A sabedoria está em discernir o tempo e o modo de agir. Há batalhas que exigem firmeza, coragem e posicionamento; outras pedem serenidade, paciência e estratégia. Nem todo obstáculo precisa ser derrubado — alguns podem ser contornados com leveza, como faz a água, que, sem pressa e sem resistência inútil, encontra sempre um novo caminho.

Esperar que o tempo decida por nós é abrir mão do livre-arbítrio que nos foi concedido. A vida não é apenas o que nos acontece, mas também o que escolhemos fazer diante do que nos acontece. A omissão, muitas vezes, é uma decisão silenciosa que cobra seu preço no futuro.

Essa, possivelmente, seja uma das principais lições que os nossos parlamentares precisam aprender e colocar em prática, para si mesmos e em relação aos doutos ocupantes do STF.

Quando alguém bloqueia uma porta, talvez não seja um convite à luta, mas um chamado à criatividade. As janelas sempre existem — ainda que discretas, ainda que pequenas. É preciso sensibilidade para percebê-las e coragem para mudar a rota.

Do ponto de vista espiritual, a moderação nasce da confiança: confiar que nem tudo precisa ser resolvido pela força, mas pela fé, pela prudência e pela direção divina. Já o confronto, quando necessário, deve ser guiado não pela ira, mas pela justiça e pelo propósito.

Às vezes, com as eleições próximas, haja um propósito mais eleiçoeiro do que justo e ético. Passaram-se anos e Vossas Senhorias pouco fizeram. No entanto, agora, com a visibilidade do processo eleitoral, seja preciso correr atabalhoadamente, confrontando ou moderando. E o povo, ora o povo, será apenas um mero e útil assistente.

Assim, viver bem, em quaisquer circunstâncias, não é escolher entre confrontar ou moderar-se, mas aprender a usar ambos com equilíbrio. Como a água, que às vezes contorna e, em outras, com o tempo, molda até a rocha mais rígida — sem pressa, sem perder sua essência, mas sempre seguindo adiante.

* Linoel Dias é jornalista e colunista do “Coisas de Agora”

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