quinta-feira, 18 de junho de 2026

“BISPÃO” COLOCOU O 147 NA “PRAÇA”. Por chicolelis*

Bem, para começar, preciso apresentar (para quem não o conheceu), o Bispão, Antônio Cipriano Bispo, que conviveu com a Imprensa Automotiva, até 2014, quando faleceu. Era advogado, foi coronel da Polícia Militar do Paraná, e como jornalista, atuou por 40 anos no jornal O Estado do Paraná, onde respondia pela editoria de Veículos.

Mas como o Bispão, assim era chamado pelos colegas, colocou o Fiat 147 na praça (antigamente o taxi era conhecido como “carro de praça”)? Bem, acontece que, em Curitiba, PR, foi instituída uma lei exigindo que este tipo de serviço fosse feito apenas por automóveis e o certificado do 147 o classificava como “camionete de uso misto”.

“Bispão” então, contratado pelo motorista V.O, conhecido na “praça” como “Turco” entrou com uma ação na Justiça, obtendo do presidente do Contran a declaração que permitia o emplacamento do 147 como taxi. Dizia a declaração do Contran: “para efeito de exploração comercial do transporte individual de passageiros na categoria de aluguel – TAXI- o automóvel Fiat 147, praticamente não se difere do automóvel Volkswagen Sedan 1300/1500, o Fusca.

E prossegue a argumentação do Contran: como o automóvel Fiat 147 é em tudo semelhante ao Volkswagen 1300/1500, oferecendo o mesmo conforto e comodidade que aquele que satisfaz a lei municipal, automóvel de duas portas, inexiste razões na legislação de trânsito para excluí-lo da prestação de serviços de exploração comercial do transporte individual de passageiros - TAXI”.

E assim, o Fiat 147 passou a atender os passageiros do serviço de táxi de Curitiba, a capital paranaense.

Ferido no “looping” do 147

Era um dia de agosto de 1977, acontecia uma festa em Curitiba pois Jota Cardoso, com a equipe dos Volantes Voadores, iria desafiar a gravidade, fazendo um “looping” com o Fiat 147, no autódromo de Pinhais. A estrutura circular, construída em madeira, de 360°, tinha 15 metros de altura. Era chamado de “looping da morte” e atraiu milhares de pessoas ao autódromo de Curitiba.

Naquele dia, o único jornalista presente era o “Bispão” que lá estava com o fotógrafo Catta Pretta. E o relato do jornalista/advogado foi mais ou menos assim: Após aquecer o motor do 147 dando voltas na pista do autódromo, o carro foi colocado na base da estrutura, acelerou para atingir a velocidade necessária para vencer a estrutura circular. “Mas – continuou “Bispão” – aconteceu um imprevisto: a estrutura “trabalhou” um pouco e o carro, que já havia percorrido mais da metade da pista, “estolou” batendo com a suspensão na parte baixa da estrutura e caiu aproximadamente 10 metros.

O jornalista foi atingido por alguns pedaços de madeira e conduzido ao PS próximo, com escoriações leves. O piloto da proeza, Ivan (não foi revelado seu sobrenome) lamentou o ato, classificando-o de “falta de sorte”. Mas amanhã a gente repete e vai dar tudo certo.

E deu tudo certo no dia seguinte, conforme relatou o repórter que deu o “furo”.

Na F1

Mas a atuação do “Bispão”, como advogado, não ficou apenas nessa atuação junto à prefeitura de Curitiba. Por ocasião do Grande Prêmio de F1 em São Paulo, o jornalista Antônio Carlos Silva, teve negada sua credencial para ingressar no Autódromo José Carlos Pace, conhecido como Interlagos, para fazer a cobertura da corrida.

Antônio Carlos não lembra em que ano foi este acontecimento (muito menos eu). Mas lembra que o responsável pelo credenciamento era o jornalista Marco Antônio Lellis (não era meu parente).

E lá foi o advogado “Bispão” em socorro do colega jornalista. Entrou com recurso em Curitiba, mas a ação tinha que entrar por São Paulo, onde ocorreria o evento.

E, como no caso do 147, Antônio Cipriano Bispo também venceu e o jornalista paranaense conseguiu sua credencial, sob pena dos responsáveis pelo evento, o Marco Antônio Lellis, e o responsável pela prova no Brasil, Thomas Rohony, serem presos, caso negassem o credenciamento.

Algumas particularidades do “Bispão”, uma cara de grande generosidade e que fazia questão de ajudar seus colegas com qualquer problema relacionado a Justiça. Seu inseparável amigo era outro jornalista, de Santa Catarina, Wilson Libório. Eram inseparáveis.

Ambos pediam suas camisetas com bolsos, quando distribuídas pelas fábricas em seus lançamentos e tinham uma predileção especial por filés com fritas nas suas refeições.

* chicolelis   -  Jornalista com passagens pelos jornais A Tribuna (Santos), O Globo e Diário do Comércio. Foi assessor de Imprensa da Ford, Goodyear e, durante 18 anos gerenciou o Departamento de Imprensa da General Motors do Brasil. Fale com o Chico: chicolelis@gmail.com.

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