Hoje, 4 de julho é a principal data cívica dos Estados Unidos, quando o país celebra 250 anos de independência, com o envolvimento dos 50 estados na maior festividade.
A origem dessa celebração está em 1776, quando treze colônias romperam com a Grã-Bretanha. O movimento foi motivado, sobretudo, pela rejeição a impostos considerados abusivos e à ausência de representação política. A Declaração de Independência, redigida por Thomas Jefferson, consolidou princípios que atravessaram séculos: liberdade, igualdade e direitos inalienáveis.
Esses ideais influenciaram não apenas a formação dos Estados Unidos, mas também diversos países ao redor do mundo. A independência tornou-se referência histórica de resistência à opressão.
Entretanto, 250 anos depois, surgem questionamentos inevitáveis. Se no passado houve resistência à imposição de taxas por uma potência imperial, hoje os Estados Unidos, como potência global, também utilizam instrumentos econômicos como tarifas comerciais e sanções contra outros países, inclusive o Brasil.
Esse contraste levanta uma questão central: há coerência entre os princípios fundadores e as práticas atuais?
A resposta não é simples, mas necessária. A liberdade, para manter seu valor, precisa ser universal. Quando aplicada de forma seletiva e unilateral, perde sua legitimidade. O desafio contemporâneo não está apenas em celebrar a independência, mas em praticá-la de forma justa no cenário global.
Do ponto de vista ético e até espiritual, a reflexão se faz necessária para os políticos, homens da Lei e Justiça e líderes religiosos que deveriam servir de exemplo. O equilíbrio entre soberania e responsabilidade internacional é hoje um dos maiores testes das nações. Não há verdadeira liberdade quando ela implica dependência ou prejuízo para outros.
O Independence Day, portanto, não deve ser apenas uma celebração do passado, mas um momento de análise crítica do presente. Mais do que recordar a ruptura com um império, é essencial garantir que os mesmos princípios que fundamentaram essa independência continuem orientando as decisões atuais.
Vale a pena enfatizar: a verdadeira independência não se afirma apenas pela história, mas sobretudo pela coerência.
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| * Linoel Dias é jornalista, assessor de imprensa e colunista do Coisas de Agora |


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