sexta-feira, 21 de agosto de 2026

EL NIÑO: ASSOMBRAÇÕES E TERROR NA VIDA REAL. Por Marli Gonçalves*

Não é brincadeira, visível que já temos e teremos dias bem e ainda mais complicados pela frente. O “garoto” chega chutando a bola Terra, aproveitando e se somando ao aquecimento global. Nem sei bem o que mais teremos de fazer e preparar para recebê-lo, se a casa, o corpo, a mente, tudo junto.

Um pesadelo já acompanhar e perceber os efeitos do El Niño, não só confirmado, como dia a dia tendo seus aspectos ampliados em categorias anunciadas de forma grave. Meteorologistas projetam um “El Niño monstro”, o mais intenso em 250 anos, com dobro do nível de um Super El Niño e extremos no Brasil.

Ele até poderia vir Fraco, moderado, mas já é tido como Forte e a caminho do Muito Forte, quando atinge temperaturas acimas de 2,0°C acima da média. Pior é que há previsões de que possa ultrapassar até os 3,0°C acima da média. O que será uma tragédia, se confirmado.

Tenho pensado muito nisso, o mal estar quando o tempo seco aparenta ser mais seco ainda, trazendo dor de cabeça e certo e estranho enjoo nas tardes. Preocupação com as chuvas que já não são mais aquelas que quando vêm, refrescam, passam. Alagam, deixando rastros. Ou não chegam, trazendo seca. Os alertas severos recebidos se incorporaram ao nosso cotidiano, com mensagens bem pouco alentadoras.

Muito calor. Muito frio. Se alternam em dias, numa mesma semana, e a saúde vai pro brejo. O tema deve ser levado mais a sério. Envolve aspectos que precisam ser notados, e os governos sacudidos e acordados para tomar todas as providências que possam amainar as consequências que seguirão ainda por muito tempo e além das que sentimos em nossos corpos, nos sistemas de saúde, na economia, inflação, agricultura, escassez, na energia elétrica. O garoto “El Niño” deverá ficar por aqui até o outono do ano que vem, sempre chutando cada vez mais forte.

Ando aflita ainda por conta de detestar insetos, e especialistas acompanham impactos sobre doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya. Mudanças de temperatura e chuva afetam o ciclo do Aedes aegypti. Calor, baratas, pernilongos, cupins e outros pequeninos monstrinhos andam juntos. Ziquizira total.

Mas há um aspecto para o qual gostaria de chamar a atenção, o número de atos bárbaros e violentos e descontrolados dos quais temos cada vez notícias mais frequentes. Violência doméstica, no trânsito, nas ruas, brigas, mortes. Comportamentos estranhos, repentinos e descontrolados, ataques de raiva, fúria. O calor irrita, e muito. Armas estão por toda a parte. As condições sociais não são exatamente as melhores. Não é preciso ser muito sensível para perceber que há descontrole, incertezas e muita confusão nas informações, repletas de manipulação, ampliadas agora no período eleitoral.

Podemos pôr tudo na conta do El Niño, ou só é piora na estupidez humana?

* Marli Gonçalves. Jornalista, cronista, consultora de comunicação, 
editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, 
Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). 
Vive em São Paulo, Capital.  
marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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