sexta-feira, 21 de agosto de 2026

OS 70 ANOS DO GEIA. SABE O QUE É? Por chicolelis*

Claro que o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, mais conhecido como JK, jamais imaginou que, anos depois, poderia ser visto, pela IA, ao lado de um Fiat 147, lançado em 1976, depois da criação o GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística, em 1956, sob o comando do almirante Lúcio Meira, então ministro de Viação de Obras Públicas

A intenção era atrair o capital estrangeiro. E deu certo, entre outras, vieram Ford, General Motors, Mercedes-Benz, DKW, Willys-Overland, Toyota e Scania. Junto com elas, criou-se uma rede, ainda que pequena de fornecedores de autopeças.

E o GEIA completou 70 anos, neste ano 2026 (20/08), assim como, a Fiat, chegou aos seus 50 anos de existência. E, muito embora já existissem montagens isoladas de veículos e mesmo fabricação de carrocerias em épocas anteriores, foi JK quem deu força para que o setor surgisse de forma integrada e produção em larga escala.

Foi o Grupo que, em sua primeira resolução aprovou o plano de nacionalização para a fabricação da DKW-Vemag Camioneta, que ganhou o nome de Vemaguet, a primeira SW do nosso mercado.

Havia uma prioridade estratégica, que era priorizar a fabricação de caminhões, jipes e caminhonetes, para abastecer o transporte de carga, para depois liberar a produção de auto de passeio.

O objetivo principal era modificar o perfil do setor, fazendo com que o Brasil deixasse de ser importador, para ser produtor de veículos, exigindo a produção local de motores e componentes, o que ocorreu durante a década de 60, atingindo um índice da nacionalização em torno de 90%, de acordo com o peso do veículo, segundo as normas estabelecidas pelo GEIA.

Longe dos tempos atuais, o GEIA ignorava a burocracia ao aprovar projetos para o setor, fossem de empresas nacionais ou estrangeiras. Havia isenção e redução de tarifas alfandegárias para a importação de maquinários e equipamentos industriais sem equivalente ao produzido aqui.

As taxas de câmbio eram subsidiadas, e mesmo favorecidas pela antiga SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito) e financiamentos facilitados pelo BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) criado no governo de Getúlio Vargas em 1952. Em 1982, ganhou “S”, de Social, tornando-se BNDES.

No ABC

Com a indústria, o ABC paulista (cidades da hoje Região Metropolitana de São Paulo), com destaque para São Bernardo do Campo, que abrigava a maioria das fábricas (Mercedes-Benz, Scania. Chrysler, VW, Toyota, Willys-Overland, Ford (em São Caetano havia apenas uma delas), o que tornou a cidade como o maior polo industrial da América Latina por décadas.

E assim o País, passou de importador, para o maior fabricante de veículos do Hemisfério Sul e também exportador.

E, se o “Presidente Bossa Nova”, como o chamava o menestrel Juca Chaves em uma de suas músicas, não imaginaria a presença da Fiat em nosso País, certamente nunca lhe passou pela cabeça a chegada dos coreanos, chineses. Mas, sonhador como era JK, ele sabia que, com o GEIA algo de muito importante surgiria neste Brasil.

* chicolelis   -  Jornalista com passagens pelos jornais A Tribuna (Santos), O Globo e Diário do Comércio. Foi assessor de Imprensa da Ford, Goodyear e, durante 18 anos gerenciou o Departamento de Imprensa da General Motors do Brasil. Fale com o Chico: chicolelis@gmail.com

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