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| Imagem IA Gemini |
eu, tu, ele
Primeiro, eu; depois, tu, o meu semelhante; e, por último, ele, o outro, aquele que está distante de mim.
É a ordem das palavras, que nem sempre é a ordem da vida.
Existe, porém, uma outra gramática — a Gramática Divina — que nos convida a inverter essa lógica. Nela, ELE vem em primeiro lugar; tu, o meu semelhante, vem em segundo; e eu fico em terceiro.
Talvez, nessa pequena inversão esteja escondido um dos grandes segredos para uma vida mais equilibrada, mais humana e mais próxima de Deus.
Quando eu me coloco em primeiro lugar, tudo começa a girar ao redor do meu interesse, da minha vontade e da minha razão. O ego cresce, a humildade diminui e o semelhante deixa de ser companheiro de jornada para tornar-se concorrente.
É assim que nascem tantas disputas: cada um querendo aparecer mais, possuir mais, mandar mais, ser mais importante que o outro.
Vivemos numa época em que muitos querem ser vistos, reconhecidos, aplaudidos e valorizados. O “eu” ganhou tamanho extraordinário. Às vezes, já não perguntamos: “Como posso servir?”, mas: “O que eu ganho com isso?”
Trata-se de uma triste realidade que acontece em todos os setores: na política, justiça, religião...
Assisti essa picuinha de um pastor, que chegando a São Paulo, logo mudou os estatutos da igreja para, entre outras decisões, demitir o ministro de Música que há 40 anos liderava com muita dedicação e cuidado...
A Gramática Divina propõe outro caminho.
ELE: Deus no centro, como fonte, princípio e direção.
TU: o outro, meu semelhante, digno de respeito, cuidado, compaixão e amor.
EU: finalmente, não como alguém sem valor, mas como alguém que aprendeu que sua verdadeira grandeza não está em ocupar o primeiro lugar, e sim em saber qual é o seu lugar.
Jesus resumiu essa lógica de maneira extraordinária: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração... e ao teu próximo como a ti mesmo.” Primeiro Deus; depois o próximo; e, sem abandonar a si mesmo, cada um encontra seu equilíbrio.
Não se trata de anular o “eu”. Trata-se de colocá-lo no lugar certo.
Quando o Criador ocupa o primeiro lugar, o próximo deixa de ser ameaça. Quando aprendemos a amar o próximo, o nosso próprio “eu” deixa de ser um tirano. E quando o ego perde o trono, a paz começa a encontrar espaço dentro de nós.
Para um mundo tão cheio de egos: não precisamos ser maiores que ninguém para sermos grandes diante de Deus.
A verdadeira grandeza não está em subir sobre os outros, mas em erguer os outros. Não está em ser servido, mas em servir. Não está em receber aplausos, mas em deixar marcas de amor por onde passamos.
A matemática humana diz: “quanto mais eu ganho e tenho, mais importante sou.”
A Gramática Divina ensina: “quanto mais eu amo, mais humano me torno.”
É hora de rever a conjugação da nossa existência:
ELE, TU, EU.
ELE — Deus, acima de tudo.
TU — o meu semelhante, ao meu lado.
EU — humilde, consciente e agradecido, no lugar que me cabe.
Quando essa ordem é respeitada, não perdemos espaço; encontramos sentido.
A verdadeira sabedoria da vida, talvez seja justamente esta: quando deixamos de colocar o “eu” no centro, descobrimos que o centro sempre pertenceu a ELE.
Quando o Pai está no primeiro lugar, os demais lugares da vida começam a encontrar sua verdadeira ordem.
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| * Linoel Dias é jornalista, assessor de imprensa e colunista do Coisas de Agora |


Um comentário:
Parabéns Linoel Dias, palavra forte e verdadeira, que Deus nos conceda sabedoria suficiente, para nos colocarmos na ordem correta. Abção 👏🙏
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