segunda-feira, 12 de outubro de 2026

COM SAFRA RECORDE DE CAFÉ EM 2026, PRODUTORES DO SUL DE MINAS FOCAM NA IMPLANTAÇÃO DAS NOVAS LAVOURAS

Região deve produzir 15,9 milhões de sacas de arábica em 2026 e desempenho reforça a importância das decisões tomadas na implantação das lavouras que sustentarão os próximos ciclos

Imagem IA Gemini

O Sul de Minas chega ao fim da safra de 2026 com números históricos e, ao mesmo tempo, já começa a olhar para as lavouras que produzirão nos próximos anos. O terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em setembro, estima em 15,93 milhões de sacas a produção de café arábica no Sul e Centro-Oeste de Minas Gerais. No estado, o volume deve alcançar 34,96 milhões de sacas da espécie.

O resultado acompanha uma safra recorde no país. A produção brasileira de café está estimada em 67,6 milhões de sacas beneficiadas em 2026, avanço de 19,6% em relação ao ano anterior e o maior volume da série histórica da Conab. A produtividade média nacional também cresceu 13,8%, passando de 30,4 para 34,6 sacas por hectare.

Em Minas Gerais, além da bienalidade positiva do arábica, a melhor distribuição das chuvas nos meses anteriores à floração e as condições climáticas favoráveis até março contribuíram para o desempenho das lavouras.

Enquanto a colheita consolida esses resultados, outra etapa ganha importância nas propriedades que estão implantando ou renovando áreas de café: a formação inicial do cafezal. Diferentemente das culturas anuais, decisões tomadas nessa fase acompanham o produtor por vários ciclos produtivos.

É nesse momento que fatores como preparo da área, condições do solo, desenvolvimento das raízes, pegamento e estabelecimento das mudas passam a ter impacto sobre a formação da lavoura.

Para Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, olhar apenas para a produtividade da safra atual pode esconder uma decisão estratégica para o futuro da propriedade.

“Quando falamos em café, estamos falando de uma cultura que permanecerá naquela área por muitos anos. Por isso, a implantação não pode ser tratada apenas como mais uma operação de campo. O desenvolvimento que conseguimos construir no início ajuda a determinar como aquela planta estará preparada para atravessar os próximos ciclos”, explica.

O desafio é proporcionar condições para que a muda recém-implantada consiga estabelecer rapidamente seu sistema radicular e aproveitar os recursos disponíveis no solo. Nessa fase, estresses hídricos, limitações nutricionais ou dificuldades no desenvolvimento inicial podem comprometer a uniformidade do cafezal.

Segundo Carvalho, uma lavoura visualmente formada nem sempre significa que todas as plantas começaram o ciclo nas mesmas condições. “A uniformidade é um ponto importante. Quando algumas plantas apresentam desenvolvimento mais lento logo no início, o produtor pode carregar essa diferença ao longo da formação da lavoura. O objetivo é criar condições para que as mudas tenham um estabelecimento equilibrado e desenvolvam raízes capazes de explorar melhor o solo”, afirma.

Entre as estratégias utilizadas nessa fase estão tecnologias voltadas ao desenvolvimento inicial das plantas. A Hydroplan-EB trabalha, por exemplo, com o HYB PLUS em programas de manejo para implantação do café, associado às demais práticas agronômicas adotadas em cada propriedade.

A recomendação, porém, deve considerar as características de cada área. Tipo de solo, disponibilidade de água, histórico da propriedade, variedade utilizada e condições climáticas interferem diretamente no estabelecimento do cafezal.

Para o especialista, o momento vivido pela cafeicultura mineira reforça justamente essa necessidade de planejamento. Se 2026 entra para a história pela dimensão da safra, parte da capacidade produtiva dos próximos anos começa a ser construída antes mesmo da primeira colheita das novas plantas.

“Uma safra recorde mostra o potencial que existe na cafeicultura brasileira, especialmente em Minas Gerais. Mas produtividade não começa quando o café está produzindo. Ela começa muito antes, na forma como essa lavoura é implantada e conduzida desde os primeiros estágios”, conclui Francisco.

Hydroplan-EB
Lucky Assessoria de Comunicação

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