O Brasil importou, em 2014, um total de 27,23 milhões de pneus. As importações realizadas por empresas sem fábrica no país somaram 20,21 milhões de pneus (74,2%), enquanto as importações dos associados à ANIP Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos atingiram 7,02 milhões de unidades (25,8%), para complementar suas linhas de produção.
“As empresas que produzem no Brasil exportaram no ano passado 12,4 milhões de unidades, o que permitiu um saldo positivo de US$ 824,84 milhões no ano, correspondente a diferença de 5,4 milhões de pneus entre os vendidos ao exterior e os importados de outros países” informa Alberto Mayer, presidente executivo da ANIP. Ele comenta que as importações de não fabricantes no valor de US$ 969,78 milhões levaram, no entanto, ao déficit de US$ 144,95 milhões no setor em 2014.
“As indústrias do país produzem pneus de qualidade internacional, que acompanham as mais novas tecnologias mundiais no setor, o que vem permitindo atender a todos os fabricantes nacionais e exportar para países como Alemanha e Estados Unidos”, comenta o presidente da ANIP. Já os importados disputam apenas o mercado de reposição, em que a questão do preço acaba tendo um papel relevante, razão pela qual os principais fornecedores externos são países que se caracterizam pela oferta de produtos baratos. “Os pneus fabricados no Brasil garantem a segurança dos veículos e de seus ocupantes, mas o mesmo não se pode dizer de uma parcela dos importados, que não têm as mesmas características de confiabilidade e apresentam preços menores. Esperamos que o processo de testes e de qualificação pelo Inmetro por meio da etiquetagem auxilie na solução deste problema”.
“A balança comercial brasileira de pneus era superavitária até 2010 quando começou a crescer a compra no exterior por importadores independentes e aquele foi o primeiro com déficit, que também ocorreu nos anos seguintes”, acrescenta Alberto Mayer. As compras são concentradas na Ásia e, em 2014, 52,3% dos pneus importados, ou seja, 14,24 milhões de unidades foram provenientes da China.
Para o setor industrial do país é fundamental a existência de condições de competição equivalentes a dos importadores independentes. “Nós temos de produzir dentro das severas exigências da indústria automotiva, enfrentando o Custo Brasil e ainda gastamos cerca de R$ 100 milhões ao ano para recolher pneus inservíveis, como determina a legislação – e temos superado todo ano as metas estabelecidas pelo IBAMA com base nos dados de venda. Já os importadores independentes têm ficado 30% abaixo do que deveriam recolher o que reduz seus custos, e ainda cria problemas ambientais e de saúde”, avalia o presidente da ANIP. A entidade propôs ao governo alternativas para controlar a efetiva destinação de pneus inservíveis, como a criação de uma “taxa verde”, a ser cobrada na liberação das importações e nas vendas da produção interna, tornando mais equitativa a competição e deixando clara a obrigatoriedade do recolhimento dos inservíveis também para revendedores e usuários.
ANIP e Reciclanip
A ANIP - Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (www.anip.org.br), fundada em 1960, representa a indústria de pneus e câmaras de ar instalada no Brasil, que compreende onze empresas (Michelin, Brigdestone, Pirelli, Goodyear, Continental, Maggion, Levorin, Dunlop, Rinaldi, Titan e Tortuga) e 20 fábricas instaladas nos Estados de São Paulo (nove), Rio de Janeiro (duas), Rio Grande do Sul (duas), Bahia (três), Paraná (três) e Amazonas (uma). Ao todo, responde por 27 mil empregos diretos e 120 mil indiretos. O setor é apoiado por uma rede com mais de 5 mil pontos de venda no Brasil com 40 mil empregos.
Em 2007 a ANIP criou a Reciclanip (www.reciclanip.org.br), voltada à coleta e destinação de pneus inservíveis no País. Originária do Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis, de 1999, a Reciclanip é considerada uma das principais iniciativas na área de pós-consumo da indústria brasileira, por reunir mais de 800 pontos de coleta no Brasil. Desde 1999, quando começou a coleta pelos fabricantes, 2,79 milhões de toneladas de pneus inservíveis foram coletados e destinados adequadamente, o equivalente a 558 milhões de pneus de passeio. O trabalho de logística reversa da Reciclanip já recebeu vários reconhecimentos, como o Prêmio E, concedido pela UNESCO em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro e o Instituto E, o Prêmio FIESP pela ação de sustentabilidade e o Prêmio Opinião Pública dos Conselhos de Relações Publicas.
Gleyma Lima
gleyma.lima@cl-a.com
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