Estava eu esperando minha vez para passar pela inspeção da segurança no aeroporto Charles de Gaulle, Paris, França (indo para os Estados Unidos) e na minha frente estava um casal cujo idioma não consegui distinguir.
Quando a agente de segurança pediu que abrissem suas bagagens de mão, eles fizeram aquele gesto de que não haviam entendido o que ela dizia. Viraram para trás, com olhar de súplica, como se eu entendesse o que era dito. Sabia o que ela pedira, mas fiz aquele ar de que nada entendei. Mas, com mímica, apontei para as bagagens de mão deles e fiz o gesto de abrir. Eles continuaram sem entender.
Logo ao lado, um agente ficou livre e eu mudei de lugar para não testemunhar o que iria acontecer que, previ, me deixaria constrangido e a eles também. Passei e fiquei atrás de uma coluna para matar a minha curiosidade: o que será que o casal trazia naquelas sacolas?
Sem se fazer entender, a agente abriu as sacolas e descobriu a razão da falta de resposta à sua orientação. Em suas bagagens de mão o casal trazia vários talheres de mesa que, certamente, teriam levado como souvenir de algum restaurante que certamente visitaram.
A moça recolheu tudo e deixou em uma caixa, liberando os dois, pois não havia crime a ser punido, apenas a tentativa de levar para bordo objetos proibidos (facas, garfos e até inocentes colheres de sobremesa). Hoje, mesmo líquidos colocados em recipiente com 750 ml, ou mais, não podem passar pelo sistema. Eles devem ser adquiridos, já na sala de embarque, após a passagem pelo detector de metais.
O casal passou por mim, triste, abatido pela perda.
Eu voltei até a agente e, no meu francês ginasiano perguntei o que acontecera com o casal E ela me mostrou o que havia dentro da caixa: todos os talheres, em duplicata, eram de um dos restaurantes mais elegantes de Paris, o Le Procope.
Olhei para a agente que fez um ar de crítica dizendo: “quelle chose laide et stupide”!
Se tivessem colocado seus “souvenirs” na bagagem despachada, hoje estariam comendo à la francesa em seu país.
Onde está o quadro?
Isso aconteceu nos anos 90, durante o check out de um hotel baiano, o excelente Le Méridien, hoje abrigando o Pestana Bahia Lodge, misto de empreendimento comercial e hoteleiro. Uma grande fila, o que significava a saída de um grupo, ouviu do responsável pela portaria do hotel o aviso: peço que todos voltem aos apartamentos que ocupavam. Eu não estava saindo do hotel, mas apenas passando pelo lobby.
Uma voz rebelou-se: “se não me falarem a razão deste pedido, eu não volto”! Outras vozes se juntaram àquela e o lobby do hotel virou uma confusão. Era tamanha a gritaria, reclamações, que pouca gente percebeu que apenas um dos hóspedes voltou ao seu apartamento, voltando logo em seguida.
Fui para o meu compromisso e na volta ao hotel cheguei até o balcão para matar a minha curiosidade de repórter: o que acontecera naquela confusão.
Como era um hóspede habitual, o pessoal me contou a razão do “bafafá”: um dos hóspedes, justo o único que atendera ao pedido de voltar ao se apartamento, saindo sem que ninguém percebesse sua ausência, havia furtado um quadro que fazia parte da decoração do quarto.
Que coisa mais feia!!!! Burra também?

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