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| Foto: Sebastião Salgado |
Vivemos dias de guerras, inquietação e insegurança em todo o mundo. As pessoas parecem mergulhadas numa dicotomia estressante, ansiosas pelo amanhã, mas incapazes de saborear o agora. Planejam o futuro com mapas e projeções, mas deixam escapar o único tempo que realmente possuem — o presente. Correm tanto atrás do que virá que se esquecem de viver o que já chegou.
É verdade que o futuro, para muitos, dependerá daquilo que fizerem hoje. A semente plantada agora será a colheita de amanhã. No entanto, há uma diferença profunda entre preparar o futuro e ser prisioneiro dele. O primeiro é sabedoria; o segundo é ansiedade.
O grande Criador proclama: “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” Não se trata de um convite à irresponsabilidade, mas à confiança. A proposta é viver cada dia com fé, fazendo o melhor possível no presente e entregando o que não controlamos em Suas mãos.
– Olham para o passado com gratidão, pois sabem que cada experiência trouxe aprendizado.
– Vivem o presente com alegria, porque reconhecem nele uma preciosa dádiva.
– E encaram o futuro com esperança, porque confiam na providência divina.
A felicidade não está em controlar o tempo, mas em confiar no Autor do tempo.
No campo político, por exemplo, é comum vermos, infelizmente, líderes que, ao serem eleitos, já projetam o próximo mandato. Pensam mais no futuro eleitoral e se esquecem das necessidades urgentes do presente. Essa desconexão gera frustração e descrédito. Quando o hoje é negligenciado, o amanhã perde consistência. Não existe futuro sólido construído sobre um presente abandonado.
Filosoficamente, o tempo é um fluxo contínuo. O passado já não pode ser alterado; o futuro ainda não existe; apenas o presente é real. O filósofo conhecido como Santo Agostinho já refletia que o passado vive na memória, o futuro na expectativa, mas o presente é o tempo da ação. É nele que decidimos, amamos, perdoamos, construímos.
Então, como compatibilizar presente e futuro sem tristeza e amargura?
Primeiro, compreendendo que o presente é o terreno onde plantamos. Não devemos viver paralisados pelo medo do amanhã, mas também não devemos desperdiçar o hoje com negligência. O equilíbrio nasce quando fazemos o nosso melhor agora, com consciência, fé e responsabilidade.
Segundo, cultivando gratidão. A gratidão nos liberta da amargura, porque nos faz perceber que já temos muito pelo que agradecer. Quem agradece, vive mais leve.
Terceiro, exercitando a confiança. A fé não elimina os desafios, mas tira o peso da solidão. Quando entregamos o futuro ao Criador da História, deixamos de carregar um fardo que nunca foi nosso.
Hoje é o único tempo onde o amor pode ser demonstrado, onde o perdão pode ser concedido, onde a mudança pode começar. O futuro é consequência.
Se vivermos o presente com propósito, o futuro não será motivo de medo, mas de esperança.
Que possamos aprender a viver o hoje com intensidade, planejar o amanhã com sabedoria e confiar que, acima de tudo, há um propósito maior conduzindo nossos passos.
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| * Linoel Dias é jornalista e colunista do “Coisas de Agora” |


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