sábado, 7 de fevereiro de 2026

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL X BURRICE NATURAL. Por Linoel Dias*

Vivemos um tempo paradoxal. Nunca a humanidade investiu tanto em conhecimento, tecnologia e inovação quanto agora. Segundo informações divulgadas pela Gartner, empresa global de pesquisa e consultoria em tecnologia, o investimento mundial somente em Inteligência Artificial, em 2025, alcançou a impressionante marca de US$ 1 trilhão. Um número que salta aos olhos e revela o quanto confiamos nas máquinas para pensar, decidir e até prever o futuro.

Nada contra esses aportes exorbitantes. No entanto, esse avanço tecnológico contrasta, de forma inquietante, com uma carência antiga e persistente: o investimento no ser humano. Enquanto bilhões são destinados a algoritmos, sistemas inteligentes e automação, pouco se fala — e menos ainda se aplica — em fraternidade, empatia, diálogo e em organismos que promovem a paz mundial. É como se a inteligência crescesse, mas a sabedoria diminuísse.

A Palavra já alertava para esse risco. O conhecimento, por si só, não transforma; pode até inflar o ego. A verdadeira sabedoria nasce do temor a Deus e do amor ao próximo. Pouco adianta, máquinas cada vez mais inteligentes se o coração humano continua endurecido. Para que serve uma tecnologia capaz de conectar o mundo inteiro, se ainda somos incapazes de nos conectar uns aos outros com respeito e compaixão?

A chamada “burrice natural” não está na falta de recursos, mas na ausência de valores. Está na escolha consciente de investir mais em poder do que em paz; mais em controle do que em cuidado; mais em eficiência do que em humanidade. Criamos máquinas que aprendem rápido, mas esquecemos de ensinar às pessoas princípios básicos como perdão, solidariedade e justiça.

A Inteligência Artificial pode ser uma ferramenta extraordinária — e de fato é. Mas jamais substituirá o discernimento, a ética e o amor que só o ser humano, guiado por Deus, pode exercer. Tecnologia sem espiritualidade gera progresso vazio; ciência sem consciência constrói um futuro frágil.

Talvez o grande desafio do nosso século não seja tornar as máquinas mais inteligentes, mas tornar os homens mais sábios. Investir menos na frieza dos circuitos e mais no calor das relações humanas. Afinal, como já ensinava o apóstolo São Paulo, “mesmo que domine toda a ciência e o conhecimento do mundo, e não tiver amor, nada serei”.

Que saibamos usar a inteligência artificial com responsabilidade, mas jamais abrir mão da inteligência do coração — essa, sim, capaz de transformar o mundo em um lugar mais justo, humano e fraterno, que Deus deseja para todos.

* Linoel Dias é jornalista e colunista do “Coisas de Agora”

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