sexta-feira, 3 de abril de 2026

VERDADEIRO OU FALSO: AS BOMBAS QUE NOS ATINGEM. Por Marli Gonçalves*

“Em tempos de guerra, a primeira vítima é a verdade”, a frase que há tempos ouvimos e que ninguém garante qual é mesmo a sua origem correta, até ela - vejam só - alterada. Não precisa nem da guerra. A desinformação tem inclusive chegado antes e até surge para criar primeiro a guerra que depois fomenta.

Incontroláveis, incontíveis, perigosos, invadem por todos os campos: verdadeiras bombas de efeito moral buscam nossa distração, os incautos, os preguiçosos, os ignorantes. São tão fortes que hipnotizam e fazem com que os atingidos, tais como zumbis, as reproduzam, repliquem, as espalhem. Bombas baratas de indução originadas de mentes bem pagas e malignas que estudam os seus movimentos e sentimentos, tudo o que atrai seus alvos.

Agora revestidas, essas bombas são bem feitas, modernas, até divertidas, algumas com toques pop; outras, com imagens e personagens para atrair jovens, como se brinquedinhos fossem, bonequinhos articulados e animados, coloridos e perversos. Com o rápido desenvolvimento e manipulação da Inteligência Artificial surgem posts e vídeos com situações artificiais misturando elementos da realidade com farsas, sangue e explosões, contando falsas histórias que não são mais para boi dormir, mas touradas para matar e se vangloriar de vitórias inexistentes nos campos de batalha. Servem sempre ao Senhor da Guerra que as criou, e assistimos hoje uma situação sem limites que não consegue ser contida.

Temos visto essas bombas em nossas cabeças já não é de hoje, e nem só nessas guerras sem sentido que agora acompanhamos. As vimos matar – e muito - durante a pandemia, e continuando com mentiras a respeito da saúde, negando verdades, o poder das vacinas, vendendo remédios inócuos, criando “Antes” e “Depois”. Atingindo em cheio as novas gerações, enganando as velhas gerações, estas que ainda engatinham no uso dos complexos sistemas virtuais e digitais, todos atarracados em apps que aumentam a velocidade da propagação usando sem dó os dedos dos atingidos que ficam apertando botões.

Estamos em um ano eleitoral e as bombas por aqui se revestem e se disfarçam de verde e amarelo, azul e branco. Outras se pintam de vermelho. Vão começar a nos buscar onde estivermos com grande intensidade e forte poderio econômico, nos vender sonhos e projetos que depois nunca saem do papel, nos mostrar números maravilhosamente arredondados de feitos, na verdade não feitos, malfeitos. É preciso redobrar a atenção, chamar as coisas pelo nome: mentira. Notícias falsas, que fake news apenas as doura de gringas.

Essa guerra é nossa. Não se distraia. Já vimos recentemente os estragos que essas bombas podem causar.

* Marli GonçalvesJornalista, cronista, consultora de comunicação, 
editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, 
Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). 
Vive em São Paulo, Capital.  
marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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