sábado, 11 de abril de 2026

VIVENDO NO MUNDO DA LUA. Por Linoel Dias*

“De nada serve ao homem conquistar a lua se acaba por perder a terra”
François Mauriac - Escritor francês – Prêmio Nobel de Literatura 1952

Foto: ©NASA 

Quando o ser humano ergue os olhos ao céu, não vê apenas estrelas: vê possibilidades. Desde os tempos antigos até as grandes conquistas tecnológicas, como as missões espaciais — lembrando a histórica Apollo 11, na década de 70 — a humanidade sempre carregou dentro de si o desejo de ir além. Recentemente, com iniciativas como a Artemis II, mais uma vez ousamos tocar o desconhecido e retornar com a certeza de que somos capazes de alcançar o que antes parecia impossível.

E, no entanto, ao voltarmos nossos olhos para a Terra, o contraste é inevitável. Aqui, onde a vida floresce em toda sua diversidade, também encontramos guerras, dor, divisões e destruição. Surge então a pergunta silenciosa: seria melhor viver “lá em cima”, distante das imperfeições humanas, dos políticos corruptos que enterram o país, dos  carecas do INSS e outros?

Mas viver no “mundo da Lua” não é, necessariamente, abandonar a Terra. Talvez seja, antes, um convite à reflexão. A Lua, serena, não nos oferece abrigo nem solução para nossos conflitos — ela apenas reflete a luz que recebe. E nisso reside uma profunda lição: não precisamos fugir do mundo para transformá-lo; precisamos aprender a refletir mais luz do que sombra.

O ser humano nunca se cansa de sonhar — e isso é uma dádiva. Sonhar nos move, nos eleva, nos tira da inércia. Mas os sonhos, para serem verdadeiramente grandiosos, precisam estar alinhados a propósitos nobres. Não basta conquistar o espaço exterior se ainda não aprendemos a pacificar o espaço interior.

De que vale chegar à Lua, se ainda não conseguimos chegar ao coração do próximo com compreensão? De que vale explorar novos mundos, se negligenciamos o cuidado com o nosso próprio? De que vale gastar bilhões de dólares em programas espaciais, se não socorremos povos e nações morrendo de fome?

Talvez o verdadeiro desafio não seja viver fora da Terra, mas viver melhor nela. Construir em vez de destruir. Unir em vez de dividir. Amar em vez de ferir.

Que continuemos olhando para o alto — mas sem perder de vista o chão que pisamos. Que nossas conquistas sejam instrumentos de paz, e não de orgulho. E que, ao invés de escaparmos para um “mundo da Lua”, sejamos capazes de transformar este mundo em um lugar mais digno, mais justo e mais humano. Porque, na verdade, a maior viagem não é aquela que nos leva ao espaço, mas a que nos conduz à evolução do espírito.

* Linoel Dias é jornalista e colunista do “Coisas de Agora”

Um comentário:

Anônimo disse...

Realmente na vida precisamos de um ponto de quilíbrio.