segunda-feira, 18 de maio de 2026

REGATA VOLTA DA LAJE DE SANTOS IMPLEMENTA PLANO DE AÇÃO PARA A NATUREZA VOLTADO À PROTEÇÃO DE BALEIAS E GOLFINHOS

Foto: Lisa V. de Oliveira | Divulgação
A Regata Volta da Laje de Santos 2026, tradicional prova offshore do calendário da vela paulista, dará um passo inédito na integração entre esporte e conservação marinha ao incorporar oficialmente um Plano de Ação para a Natureza “Barcos & Baleias”, voltado à prevenção de colisões com cetáceos e demais espécies da megafauna marinha presentes no litoral paulista.

A iniciativa é liderada pelo Iate Clube de Santos, com apoio técnico da parceria entre a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) e o VIVA Instituto Verde Azul e envolvimento de instituições que atuam na região da regata, como o Instituto Gremar, a Marinha do Brasil, Polícia Ambiental e o GBMar – Grupamento de Bombeiros Marítimo.

A regata será realizada no dia 23 de maio, reunindo embarcações de oceano das classes ORC e BRA-RGS em percurso entre a entrada da barra do Porto de Santos e a Laje de Santos — região reconhecida pela enorme relevância ecológica e pela presença frequente de baleias, golfinhos, tartarugas marinhas, aves oceânicas e raias-manta.

O Plano estabelece procedimentos específicos para situações de avistamento de megafauna marinha durante a competição. Todos os comandantes das embarcações participantes receberão previamente o plano e o Guia “Velas e Baleias no Litoral Paulista”, com orientações sobre legislação brasileira e protocolos internacionais de interação responsável com cetáceos.

Dentre as medidas previstas estão:

  • monitoramento ativo da área por parte da Comissão de Regata; dos comandantes das embarcações; Polícia Ambiental e Parque Estadual Marinho da Laje de Santos;
  • comunicação imediata de avistamentos à Comissão de Regata via rádio VHF e compartilhamento da posição dos animais com toda a flotilha;
  • embarcações devem manter distância mínima de 100 metros dos animais
  • velocidade deve ser reduzida a cinco nós (10 Km/h) se houver animais a menos de 300 metros da embarcação

A competição também adotará oficialmente as diretrizes da World Sailing  para regatas offshore em áreas com presença de megafauna marinha:

  • caso haja avistamento de baleias e golfinhos antes da largada, o início da regata somente poderá ocorrer 20 minutos após o avistamento; a Comissão de Regata também poderá alterar o percurso da regata;
  • durante a regata, caso haja a presença de animais, a prova não será interrompida, e participantes devem adotar todas as medidas para afastar os barcos dos animais, visando prevenir colisões

Segundo os organizadores, a proposta busca consolidar uma cultura de navegação consciente e colaborativa. “A vela depende diretamente da saúde dos oceanos. Incorporar um Plano de Ação para a Natureza à regata representa um avanço importante na construção de boas práticas para o esporte”, destaca Odoardo Lantieri, diretor de Vela e de Meio Ambiente do Iate Clube de Santos.

A partir da experiência na regata da Laje de Santos, a CBVela busca ampliar a ação. “Estamos trabalhando para difundir a legislação e as boas práticas como forma de prevenção de riscos de colisões, que podem causar danos a todos - para a vida marinha, velejadores, barcos e eventos”, reforça a gerente de Sustentabilidade da instituição, Sandra Di Croce Patricio.

A região da Laje de Santos

A área integra o único parque marinho do Estado de São Paulo e está inserida na rota migratória de diversas espécies

Segundo a pesquisadora Mia Morete, do VIVA, as baleias mais avistadas na região da Laje são a Baleia-de-Bryde, a Baleia-Jubarte e Baleia-Minke e, entre os golfinhos, há registro de Golfinho-Pintado-do-Atlântico, o Golfinho-Nariz-de-Garrafa, golfinho-comum e Golfinho-de-dentes-rugosos. Recentemente, grupos de Orcas foram registrados na área.

Jubartes

Nesta época do ano, entre maio e outubro, a Baleia-jubarte pode ser avistada com mais frequência na região da regata, pois é uma espécie migratória que passa o outono e o inverno nas águas brasileiras em atividade reprodutiva. As Jubartes são muito acrobáticas, apresentam comportamentos bastante ativos, como os saltos, mas também podem permanecer paradas, descansando. Por causa desse comportamento, o VIVA orienta velejadores a permanecerem atentos aos sinais de sua presença, como os borrifos da expiração da baleia e as movimentações na superfície da água.

“O trabalho do VIVA nessa parceria com a modalidade vela é levar informação para os praticantes. Ao conhecer a fauna marinha e as medidas a serem adotadas para evitar colisões, o esporte se torna um aliado da conservação da vida nos oceanos”, afirma a bióloga.

Ao final da regata, os dados e relatos de avistamentos registrados pelos participantes serão compartilhados com o VIVA Instituto Verde Azul  para contribuição científica e formação de banco de dados sobre megafauna marinha. Um relatório consolidado da experiência também será encaminhado à World Sailing pela CBVela.

Regata Volta da Laje de Santos 2026
Iate Clube de Santos
Bradart Comunicação e Marketing

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