sábado, 29 de agosto de 2026

VOCÊ TEM PODER? PARA QUÊ? Por Linoel Dias*

“A ânsia de poder não é originada da força, mas da fraqueza” 
Erich Fromm

Imagem: IA Canva

A palavra poder pode ser compreendida de duas maneiras. Como substantivo- representa autoridade, força, domínio, capacidade de governar ou de exercer influência. Como verbo - expressa habilidade, possibilidade, permissão ou capacidade de realizar alguma coisa. Em ambas as situações, porém, existe uma verdade que o ser humano frequentemente esquece: todo poder é temporário.

Há quem receba poder e pensa que o recebeu para sempre. É eleito, conquista uma posição, ocupa um cargo legislativo, acumula riqueza, influência ou prestígio e, pouco a pouco, começa a confundir autoridade com superioridade, oportunidade com direito absoluto e poder com eternidade.

Mas a história é uma grande professora: ninguém permanece para sempre no topo. Governos mudam, cargos terminam, riquezas passam, aplausos diminuem e o tempo, silenciosamente, coloca cada pessoa diante daquilo que é, e o que construiu.

O problema não está necessariamente em possuir poder, mas em não saber para que ele deve ser usado.

O poder utilizado para o mal pode ferir, humilhar, dividir e destruir. Pode transformar o coração daquele que o possui, fazendo-o acreditar que é o todo poderoso e está acima das leis, da justiça e até dos próprios semelhantes. Entretanto, mais cedo ou mais tarde, a realidade se impõe. Como ensina a sabedoria bíblica: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.” (Provérbios 16:18).

O verdadeiro poder, porém, não está em dominar pessoas, mas em servir pessoas. Não está em levantar muros, mas em construir pontes; não está em exigir reverência, mas em conquistar respeito; não está em fazer o outro se curvar, mas em ter humildade suficiente para estender a mão.

Cristo nos deixou um dos maiores exemplos. Embora reconhecido como Mestre e Senhor, ensinou que aquele que deseja ser grande deve aprender a servir. O poder, quando colocado a serviço do bem, transforma-se em responsabilidade.

Na política, nas instituições, nas empresas, nas igrejas, nas famílias e até nas pequenas relações do cotidiano, todos nós recebemos algum tipo de poder. Alguns têm o poder de decidir; outros, o poder de aconselhar. Uns têm autoridade sobre muitos; outros exercem influência sobre poucos. Há quem tenha recursos materiais, conhecimento, experiência, palavra, talento ou simplesmente a capacidade de oferecer esperança a alguém.

A pergunta, portanto, não deveria ser apenas: “Você tem poder?”

A pergunta mais importante é:

“Para que você está usando o poder que recebeu?”

Para servir ou para apenas ser servido?
Para construir ou exclusivamente destruir?
Para promover justiça à nação ou alimentar privilégios
Para deixar um legado de amor ou uma lembrança de medo?

O poder é uma oportunidade, mas também é uma prova de caráter.

Quem utiliza o poder para o mal pode até receber aplausos momentâneos, mas dificilmente deixará uma memória digna. Quem o utiliza para o bem, talvez nem seja reconhecido imediatamente, porém plantará sementes que continuarão produzindo frutos muito depois que sua presença deixar de existir.

Tudo passa. O cargo passa. A autoridade passa. O dinheiro passa. A juventude passa. A própria vida passa.

Mas os frutos das nossas escolhas permanecem.

Se hoje você tem algum poder — grande ou pequeno — use-o com sabedoria. Não se esqueça de que nenhum ser humano é proprietário absoluto daquilo que possui. Fomos constituídos, na verdade, administradores temporários dos dons, oportunidades e responsabilidades que recebemos.

E diante do Criador, o maior não será necessariamente aquele que mandou mais, acumulou mais ou apareceu mais, mas aquele que serviu melhor, amou mais e fez o bem enquanto teve oportunidade.

Senhores políticos, magistrados, religiosos demagógicos: que o poder não seja instrumento de opressão, mas de transformação.

Que a autoridade venha acompanhada de humildade.

Que a força seja usada para proteger os fracos e não para fazer discursos. Porque no fim da jornada, o poder passa; o bem que fizermos permanecerá. O resto, ora o resto...morrerá.

* Linoel Dias é jornalista, assessor de imprensa e
 colunista do Coisas de Agora

Um comentário:

Anônimo disse...

Lamentavelmente os psicopatas buscam o poder a qualquer custo. Daí entre os governantes é até maioria...