Honra, Humildade, Humor, Honestidade e Habilidade
Um líder é alguém capaz de influenciar, motivar e conduzir pessoas na direção de objetivos comuns, despertando confiança, respeito e espírito de cooperação. Não se confunde com o chefe tradicional, que fundamenta sua autoridade exclusivamente no cargo, na hierarquia ou na imposição de regras. Liderar é muito mais do que mandar: é inspirar, servir, assumir responsabilidades e, sobretudo, dar o exemplo.
A verdadeira liderança não se mede pelo tamanho do gabinete, pelo número de subordinados, pelo poder de uma assinatura ou pela quantidade de pessoas que obedecem às suas ordens. Mede-se pela capacidade de conquistar o respeito daqueles que caminham ao seu lado.
Seja em qualquer país ou área de atuação — administrativa, empresarial, política, religiosa ou jurídica —, todo aquele que ocupa uma posição de liderança deveria reunir, entre outras qualidades, cinco atributos fundamentais, que podemos chamar de os cinco “H” de uma verdadeira liderança: Honra, Humildade, Humor, Honestidade e Habilidade.
Não necessariamente nessa ordem, mas todos igualmente importantes.
Como brasileiros, seria oportuno colocar um grande espelho diante daqueles que nos governam, representam, julgam, administram e orientam. Não para contemplarem a importância dos cargos que ocupam, mas para examinarem a própria consciência e verificarem se estão realmente à altura das responsabilidades que lhes foram confiadas.
Vejamos:
1. HONRA
Honra é um princípio moral e ético associado à dignidade, à retidão de caráter, à reputação e à coerência entre aquilo que se pensa, se fala e se pratica.
Um líder honrado não precisa anunciar suas virtudes, muito menos construir uma imagem artificial de respeitabilidade. Seu comportamento fala por ele. Não negocia princípios em troca de vantagens, não utiliza o cargo para benefícios pessoais e não se esconde atrás de justificativas quando precisa reconhecer um erro.
É difícil imaginar quantos dos nossos ilustres ocupantes de cargos públicos e privados resistiriam a um exame sério de consciência.
Afinal, Moral e Ética não são adereços de um discurso: são fundamentos de uma vida coerente. Não basta falar de valores; é preciso praticá-los.
2. HUMILDADE
Humildade é a virtude de reconhecer as próprias qualidades, mas também os limites, as falhas e a necessidade permanente de aprender. Não significa fraqueza, submissão ou falta de autoridade. Pelo contrário, exige grandeza de espírito para ouvir, reconhecer equívocos, aceitar críticas e pedir ajuda quando necessário.
O verdadeiro líder não precisa ter sempre a última palavra. Precisa, sobretudo, ter a disposição de ouvir a palavra do outro.
Não confunde autoridade com arrogância, nem conhecimento com superioridade. Sabe que ninguém detém sozinho todas as respostas e que boas decisões frequentemente nascem do diálogo e da contribuição coletiva.
3. HUMOR
Um líder não precisa ser carrancudo, sisudo ou carregar permanentemente uma expressão de preocupação. A seriedade é necessária, mas não deve eliminar a leveza, a cordialidade e o bom humor.
Saber sorrir, contar uma boa história, descontrair o ambiente e reconhecer o lado humano das pessoas também são atributos importantes da liderança.
O bom humor não significa irresponsabilidade, ironia ofensiva ou falta de compromisso. Significa ter equilíbrio emocional para enfrentar as adversidades sem transmitir desânimo a todos que estão ao redor.
Aliás, é justamente nos momentos mais difíceis que essa qualidade pode fazer a diferença. Um sorriso oportuno, uma palavra de incentivo ou uma atitude bem-humorada podem aliviar tensões, aproximar pessoas e renovar esperanças.
4. HONESTIDADE
Aqui não há muito o que discutir: honestidade é condição sine qua non para qualquer liderança digna desse nome.
Não deveria ser necessário criar mecanismos extraordinários para exigir aquilo que deveria fazer parte da formação moral de todo cidadão. A Lei da Ficha Limpa, por exemplo, é um instrumento importante, mas o ideal seria que a integridade pessoal tornasse desnecessária qualquer tentativa de contornar a lei.
Não deveria existir um jeitinho brasileiro para justificar a desonestidade. O furto de um celular continua sendo furto; o roubo de um automóvel continua sendo crime; e o desvio de milhões de recursos públicos não se torna menos condenável porque foi praticado por alguém de colarinho, gravata ou posição privilegiada.
A gravidade de uma conduta não pode ser medida pelo prestígio de quem a pratica, mas pela natureza do ato e pela responsabilidade de quem o cometeu.
Precisamos de uma sociedade em que a lei seja respeitada por todos, sem privilégios, seletividade ou proteção aos poderosos.
5. HABILIDADE
Não basta querer liderar, ter influência ou desfrutar das vantagens de um cargo. É preciso possuir competência e habilidade para desempenhar a função que lhe foi confiada.
Liderar exige preparo, conhecimento, experiência, capacidade de decisão, visão de futuro e disposição para trabalhar em equipe. Exige também reconhecer as próprias limitações e cercar-se de pessoas qualificadas, sem receio de que o talento alheio diminua a própria importância.
Um cargo de responsabilidade não deveria ser preenchido por amizade, parentesco, apadrinhamento ou conveniência política. Ser vizinho, parente, filho de alguém importante ou amigo de longa data não constitui certificado de competência.
O critério deve ser o mérito, a capacidade e o compromisso com os resultados esperados.
E, AFINAL, QUE LÍDERES QUEREMOS?
Os cinco “H” não esgotam as qualidades necessárias a uma boa liderança. Há outras igualmente importantes, como justiça, prudência, coragem, empatia, responsabilidade e espírito público. Mas esses cinco atributos oferecem um excelente ponto de partida para avaliar quem exerce ou pretende exercer alguma forma de poder.
Há uma passagem bíblica particularmente apropriada para essa reflexão. Em Marcos 10:43-45, Jesus ensina que aquele que deseja ser grande deve colocar-se a serviço dos outros. É uma inversão extraordinária da lógica humana: enquanto muitos procuram o poder para serem servidos, Cristo apresenta a liderança como uma oportunidade de servir.
Eis uma lição que deveria alcançar governantes, magistrados, empresários, religiosos e todos aqueles que recebem a confiança de outras pessoas.
No fundo, liderar é assumir uma responsabilidade diante dos homens e, para quem tem fé, também diante de Deus. É compreender que autoridade não é propriedade particular, mas uma missão que exige compromisso, discernimento e prestação de contas.
Que os nossos líderes tenham HONRA para agir corretamente; HUMILDADE para reconhecer suas limitações; HUMOR para enfrentar as dificuldades com leveza; HONESTIDADE para jamais negociar seus princípios; e HABILIDADE para realizar aquilo a que se propuseram.
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| * Linoel Dias é jornalista, assessor de imprensa e colunista do Coisas de Agora |


2 comentários:
Grande, Linoel!
Como sempre, nos apresentando excelente reflexão; fundamental para a prática da vida!
Do amigo, irmão Joao
Excelente reflexão meu caro amigo Linoel!
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