Embora as pessoas pareçam não acreditar nisso, não há nada de extraordinário em perder uma eleição. Feitas as contas, uns perdem, o outro ganha, e não é preciso emprestar tantos significados retumbantes a esse processo. O Brasil já aprendeu a conviver com a alternância, vitórias e derrotas não condenam ninguém à glória ou ao ostracismo.
O que talvez signifique algo importante é a forma como se ganha ou se perde. Lula perdeu muitas eleições, antes de chegar à Presidência, e saiu maior a cada derrota, mais competitivo, mais conhecido, com a liderança reforçada. Ganhe ou perca, Dilma parece que trilhará caminho oposto, será sempre menor e menos amada. Ainda que receba uma montanha de votos.
Estou pensando nisso por causa da temporada de vaias, que começou e suspeito que não vá terminar tão cedo. Não sei o que ela, pessoalmente, fez de tão errado. Seu governo abrigou muitos escândalos, mas essa é uma marca atual de todos os governos, ninguém há de imaginar que as campanhas milionárias que vemos a cada dois anos, totalmente fora dos padrões internacionais, mesmo de países ricos, sejam financiadas por anjos.
Por que raios Dilma, que nem tem um padrão de sem-vergonhice tão escancarado quanto o de seus pares, é candidata a personificar os males políticos do Brasil? Ensaio, para mim mesma, algumas explicações. Talvez o excesso de expectativas criadas na sua campanha anterior tenha a ver com isso. Talvez o fato de ela nunca demonstrar autonomia e se conformar em ser criatura. Talvez o excesso de marquetagem-padrão, de manual, aplicada à sua imagem tenha tido efeito contrário, e parte da população a veja como uma mulher frankenstein (disso tenho convicção, mas acho que não explica tudo).
Pessoalmente, não acredito em simples fadiga de material. Os ódios estão exacerbados demais para serem lidos como simples desgaste natural, comum a governos longevos. Há um erro brutal na imagem construída para Dilma. Ela está muito longe de ser o pior que o petismo produziu na sua experiência de poder, e, no entanto, está vestindo o figurino. Muitas vaias virão.
* Liliana Pinheiro é jornalista.
* Liliana Pinheiro é jornalista.

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