JANELAS OPORTUNAS
Essa verdadeira novela em que se transformaram os acordos
automobilísticos entre Brasil e Argentina dentro do Mercosul completou mais um
capítulo. Agora, outra solução-tampão, por um ano, até julho de 2015. Foi
renovado o estranho regime chamado de “flex”, imposto pelos argentinos, que
condiciona os volumes de exportação e importação, em dólares, na proporção de
1,5 para 1, para ambos os lados. Antes era de 1,95 para 1, mais favorável ao
Brasil pelo próprio mercado.
Nos últimos anos, os carros brasileiros ocuparam de 45% a 50%
do mercado argentino e os veículos provenientes de lá ficaram com algo entre
10% e 15% das vendas aqui. Se houvesse livre comércio, conforme previsto desde
o início do Mercosul, há 23 anos, muitos desgastes de parte a parte teriam sido
evitados. Já existe uma razoável complementação industrial, pois modelos
compactos concentram-se no Brasil e os médios na Argentina, com raras exceções.
Desequilíbrio existe na indústria de autopeças, mas isso tem
a ver com as escalas de produção muito maiores no nosso caso. Tal cenário não
vai mudar, apesar de todas as pressões do país vizinho. Deve-se notar que o
Brasil também pratica, em menor escala, protecionismo regional: programa de isenção
de impostos para taxistas começou em 1995 (Mercosul, 1991), porém sempre foi e
continua vedado aos veículos da Argentina. Só recentemente pessoas com
necessidades especiais, igualmente isentas de impostos, tiveram acesso a
modelos argentinos.
No entanto, abrem-se janelas oportunas. Neste segundo
semestre o Mercosul deve, finalmente, assinar acordo com a União Europeia e
estabelecer um prazo de 15 anos para eliminação gradual de todas as barreiras
de cotas e impostos sobre veículos. Realmente uma grande notícia porque
consolidará, em nossa região, o processo corrente de atualização tecnológica
dos produtos. Segunda janela: encerra-se, em março de 2015, o período de três
anos de cotas de importação do México, restabelecendo o livre comércio
interrompido em 2012.
Assim, ficaria insustentável tentar um novo adiamento de
abertura incondicional das fronteiras de Brasil e Argentina, no próximo ano.
Existe até possibilidade de estabelecer um regime industrial conjunto que
tentaria melhorar as condições de exportação de ambos. Esse colunista acredita
que dependerá de resultado das eleições, aqui e lá, pois caso as oposições vençam
há visões diferentes sobre intervenções em excesso na economia.
Interessante observar a convergência de preços dos veículos
nos dois países. Historicamente os impostos eram mais baixos na Argentina,
porém um tarifaço recente (concentrado em modelos caros) acabou por contaminar
todos os produtos. Basta ver que o VW up!, lançado esta semana na Argentina,
parte do equivalente a R$ 30.900 contra R$ 27.000 aqui. Mesmo com IPI cheio,
previsto só para o final do ano, ainda assim sairá mais caro lá porque motores
de um litro têm imposto menor no Brasil.
Já modelos com motores acima de um litro apresentam preços,
hoje, praticamente alinhados. Dessa forma, conjugam-se os astros para que
Brasil e Argentina parem de se desentender e façam funcionar, depois de mais de
duas décadas, o almejado livre comércio sem desconfianças e rusgas.
RODA VIVA
TESE exposta em
entrevista recente de Carlos Ghosn: “Abrir fábricas focadas em exportação é
coisa do passado”. Para o executivo-chefe da aliança Renault-Nissan, disputar
participação nos países de mercado promissor, como os Brics (Brasil, Rússia,
Índia, China e África do Sul), torna mandatório produzir localmente. Explica,
de fato, o porquê de tantas fábricas aqui.
AVALIAÇÃO simultânea
das duas versões do Audi A3 sedã (1,8 L/180 cv e 1,4 L/122 cv) convence: versão
de motor menor apresenta ótimo equilíbrio entre preço (R$ 94.900), desempenho
(torque elevado proporcionado pela combinação turbo/injeção direta) e nível de
equipamentos de série. Espaço no banco traseiro é ponto fraco, mas prazer ao
dirigir compensa.
PROGRAMA Brasileiro
de Etiquetagem Veicular tem pormenor importante. À medida que os carros
melhoram consumo de combustível, em determinada classe de nota, é difícil não
ficar para trás, se o fabricante deixar de agir. Assim, médias móveis impõem competição
constante. No final do ano, novas exigências de emissões também poderão mudar
classificações atuais.
DEPOIS de três
anos, Chevrolet Camaro conversível estreia por R$ 239.900. Mercado é pequeno:
cerca de 10% das vendas de 100 unidades/mês do cupê. Capota aberta o deixa atraente,
próximo do modelo original de 1996. Motor V-8/406 cv lida bem com 126 kg de reforços.
Faltam bom isolamento térmico do console central e ar-condicionado digital.
PREVISÕES apontam
300 milhões de carros compartilhados no mundo em 15 anos. Algo em torno de 15%
a 20% da frota global. Ao entusiasmo atual, porém, se somam tropeços que atrapalhariam
as projeções. Na Inglaterra, por exemplo, o programa Car2Go, do pequeno smart,
não deu certo e se encerrou.
* Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 52 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just-auto (Inglaterra). Escreva para Fernando Calmon: fernando@calmon.jor.br ou o acompanhe pelo Twitter: www.twitter.com/fernandocalmon.
* Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 52 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just-auto (Inglaterra). Escreva para Fernando Calmon: fernando@calmon.jor.br ou o acompanhe pelo Twitter: www.twitter.com/fernandocalmon.

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