segunda-feira, 27 de outubro de 2014

BUSCAR ÁGUA DO MAR PARA USO MENOS NOBRE.
por Milton Saldanha*

Conversando com uma especialista em meio ambiente, em Curitiba, cujo nome não estou autorizado a citar, fiquei assustado com uma frase: “as represas nunca mais serão totalmente recuperadas como nos níveis anteriores”.

Certamente a questão é polêmica, se a gente sair a campo buscando o parecer dos técnicos. Mas como é impossível prever o humor de São Pedro no futuro, acho que seria interessante se pensar em medidas alternativas. Uma delas, por exemplo, buscar em Israel as soluções que encontraram para transformar a água salgada do mar em potável, ou utilizável, como queiram. Por exemplo, buscando esse recurso para o uso menos nobre da água, mas também essencial, como esgotos, lavar ruas, veículos, abastecer piscinas e hidrantes, etc. Talvez, quem sabe, até para banho. Poupando-se a melhor água para beber e também para a irrigação agrícola, indispensável, caso contrário a escassez do líquido se somará também ao desabastecimento, crise e, por tabela, inflação e fome. Tudo que ninguém deseja.

Fala-se no Aquífero Guarani, a água estocada no subsolo, um manancial fantástico. O problema de se buscar essa água, além de caro, porque em certos casos exige prospecção de grande profundidade, é que esse recurso é finito. Uma vez comprometido, causaria a drenagem de rios vitais para a formação dos grande mananciais. É, portanto, uma reserva que precisa ser preservada com extrema responsabilidade.

Pensar em aquaduto, hoje, parece coisa dos tempos dos gregos e romanos de antes de Cristo. Quem visita sítios arqueológicos na Grécia, Itália, Turquia e outros países encontra os vestígios das obras que fizeram para resolver o problema da água. 

Alguns, de longa extensão. Se naquele tempo isso já era possível, hoje não seria fantasia se pensar em tratamento da água do mar, com exemplos e tecnologia do Oriente Médio. E lembrando que a cidade de São Paulo, que abrigaria o piscinão salgado, em estado bruto, para processamento, está a apenas 70 quilômetros do oceano. Por canais e canos parte do estoque abasteceria o interior, com possibilidades inclusive de uso para recreação. É claro que isso exigiria cuidados especiais para prevenir a contaminação do solo em áreas onde a água do mar possa ser hostil. Mas para isso existem os técnicos e as obras adequadas de engenharia. Foi o que fizeram em Israel e nada impediu que lá também se plante.

Outra solução é ficar esperando por São Pedro e tentar a dança da chuva. Com uma pergunta trágica: e se as represas, como disse a especialista, nunca mais voltarem ao que eram antes?



Milton Saldanha, 68 anos, gaúcho, é jornalista desde os 17 anos. Trabalhou na imprensa de Santa Maria (RS) e Porto Alegre. Vive em São Paulo há mais de 40 anos. Passou por muitos empregos, entre eles Rede Globo, Estadão, TV Manchete, Diário do Grande ABC, Jovem Pan, revista Motor3, Ford Brasil, IPT, Conselho de Economia e vários outros, inclusive na Ultima Hora. Ao se aposentar, criou o jornal Dance, já com 19 anos. É autor dos livros “As 3 Vidas de Jaime Arôxa” (Editora Senac Rio); “Maria Antonietta, a Dama da Gafieira” (Phorte Editora) e “O País Transtornado” (Editora Movimento, RS) onde conta 60 anos da recente História brasileira. Participou da antologia de escritores gaúchos “Porto Alegre, Ontem e Hoje” (Editora Movimento)  

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