sábado, 7 de março de 2026

GUERRA E PAZ. Por Linoel Dias*

Foto: IA ChatGPT
Si vis pacem, para bellum
(Se queres paz, prepara-te para a guerra)
Provérbio Latino

O mundo, mais uma vez atônito, está diante de uma guerra travada em nome da paz. Agora, os Estados Unidos e Israel se levantaram contra o Irã. Em meio a discursos inflamados, interesses que se chocam, e a esperança de harmonia parece cada vez mais distante. Guerra e paz é um paradoxo doloroso: lutar para alcançar aquilo que, em essência, deveria nascer do entendimento e da reconciliação.

Enquanto armas são levantadas, poucos se levantam para apagar as chamas. As palavras que ecoam nos palcos políticos muitas vezes carregam mais acusações do que pontes, mais indignação do que sabedoria. Assim, a escalada do conflito cresce, alimentada não apenas por estratégias para auferir proveitos, mas também pelas paixões humanas: orgulho, medo, desejo de poder e domínio.

O que acontece no Oriente Médio é um retrato da própria humanidade. O escritor russo Leon Tolstoi (1825-1910) descreve em seu livro Guerra e Paz, que as guerras externas da história é um reflexo de cada ser humano, que trava suas guerras interiores, em busca de paz, sentido e verdade.

Ao observar esse cenário, somos levados a uma reflexão profunda: será que o homem, confiando apenas em si mesmo, consegue resolver plenamente os conflitos que ele próprio criou? A história parece sugerir que não. A inteligência humana é capaz de grandes avanços, mas o coração quando afastado de valores superiores, frequentemente se perde em disputas que ferem a própria humanidade.

É por isso que muitas tradições espirituais recordam que a verdadeira paz não nasce apenas de tratados ou acordos, mas de uma transformação interior. A paz começa no coração humano. Ela nasce quando o orgulho cede lugar à humildade, quando o desejo de vencer dá lugar ao desejo de compreender, e quando o amor se torna maior do que o medo.

Nesse ponto, a presença de Deus torna-se essencial. Não como justificativa para conflitos, mas como fonte de sabedoria, misericórdia e reconciliação. Quando o ser humano reconhece sua limitação e busca orientação no Criador, abre-se a possibilidade de enxergar o outro, não como inimigo, mas como semelhante.

Talvez a verdadeira pergunta não seja apenas “como acabar com as guerras?”, mas também “como cultivar a paz dentro de nós?”. Porque cada gesto de perdão, cada palavra de compreensão, cada atitude de justiça e compaixão são pequenas sementes de paz plantadas no mundo.

Vários tipos de guerras são travados, ao longo da história, pelos governantes: econômicas, com taxações, impostos, políticas e de conceitos. E a todas somos coparticipantes.

A paz duradoura dificilmente será construída apenas pelos poderosos ou pelos grandes acordos internacionais. Ela começa, silenciosamente, dentro de cada consciência que decide escolher o bem, a verdade e o amor.

E talvez seja justamente aí que reside a esperança: quando o ser humano reconhece que sozinho é limitado, mas que, guiado por Deus, pode aprender a transformar conflito em reconciliação e guerra em paz.

* Linoel Dias é jornalista e colunista do “Coisas de Agora”

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