quinta-feira, 19 de março de 2015

COMUNICAÇÃO 360.
por Marco Piquini*

INTEGRAÇÃO DE CULTURAS É TRABALHO DA COMUNICAÇÃO.

E então sua empresa foi comprada por outra maior, ou seja, foi “vítima” de uma das chamadas “consolidações” estão acontecendo em todos os setores, do industrial ao da educação. E, de repente, os valores, os processos, práticas e métodos, tudo aquilo que fazia sentido dentro do seu local de trabalho e que, no final das contas, representava a “cultura” da organização, deixa de valer porque o conglomerado que incorporou a companhia tem seu próprio “jeitão de fazer as coisas” e vai impor uma nova forma de ser e estar. 

Mudanças trazem insegurança, reações, interpretações. As pessoas, acostumadas com uma maneira de trabalhar, precisam aprender outras regras e comportamentos. Tem gente que gosta desse tipo de mudança, mas a maioria das pessoas reage com medo. E na reação, não aceitam as novidades, falam mal das mesmas, reclamam muito, fazem corpo mole. Não são pessoas más, é uma reação natural. Quem quer mudar começa a brigar com quem não quer mudar nada. E o clima interno pesa.

Essa integração é algo muito difícil de gerenciar. E para o bem ou para o mal, nesses casos o papel da comunicação é essencial, pois ela tem a responsabilidade de “equalizar” culturas e divulgar a nova cartilha de comportamento e de personalidade de marca. Deve-se agir rápido. A marca nova é a que vale agora então... bola prá frente. Em situações como a descrits acima, é provável que o “filme” seja mais para Agente 86 do que par James Bond. Nem sempre as coisas sairão conforme planejado. Mas há um roteiro a ser seguido.

Primeiro, devem-se buscar (o mais rápido possível) definições claras da diretoria. É preciso saber se a cultura da empresa compradora irá prevalecer integralmente ou se haverá chance de “fertilização”, adotando-se práticas da companhia comprada. No caso da cultura hegemônica ou de uma nova cultura “mestiça”, a comunicação deve definir o conceito da mudança: o que dizer, como dizer.

Em seguida, mobilizar um time de mudança, que são os lideres, que devem receber i formações, orientações e treinamento, além de material de apoio (manuais ou cartilhas) para que possam compreender melhor a mudança, treinar os argumentos, ganhar confiança para poder enfrentar as equipes e repassar a elas informações precisas. Com as lideranças preparadas, pode-se organizar um evento de significado formal para todos os empregados, como uma convenção, com a participação do presidente.

Não se podem esquecer os simbolismos em um momento como esse. Identificação das áreas de trabalho, crachás, espera telefônica, site, facebook etc... Tudo isso precisa mudar, de preferência imediatamente e tudo de uma vez. A integração e sinergia entre fornecedores são cruciais nesse momento. Preparar, produzir, distribuir esses materiais é mais uma tarefa da comunicação.

E tem muito mais... Pois a integração de culturas empresariais é um dos mais desafiadores trabalhos que o pessoal da Comunicação pode ter pela frente. Mas é também um dos mais dignos. Deve ser enfrentado de peito aberto.





Marco Piquini é jornalista, consultor e palestrante. Trabalha com a comunicação para a gestão de mudança. Foi durante 20 anos executivo do Grupo Fiat e entre 2007 e 2012 diretor de Comunicação da Iveco para a América Latina, com responsabilidade sobre comunicação interna, externa, publicidade, eventos e sustentabilidade.
e-mail: piquini@tresmeiazero.com.br
Visite: tresmeiazero.com.br.

Nenhum comentário: