quarta-feira, 18 de outubro de 2017

ACORDO ENTRE AIRBUS E BOMBARDIER TERÁ IMPACTOS PARA A EMBRAER, APONTA ESPECIALISTA.

Acesso a financiamento e recursos para desenvolvimento e pesquisas devem acirrar a competição entre as corporações.


A francesa Airbus e a canadense Bombardier anunciaram terça-feira, dia 17, um acordo para o programa de jatos CSeries – aeronaves com 100 a 150 lugares. Shailon Ian, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e presidente da Vinci Aeronáutica, avalia que a parceria dessas duas empresas poderá causar impactos significativos para a Embraer no longo prazo.

Para o especialista, a competição na aviação comercial ocorre tanto nas esferas técnica como na econômica. “Se tecnicamente os jatos da Embraer são superiores, na esfera econômica, a entrada de um peso-pesado como a Airbus no mercado traz potenciais riscos para a Embraer”, analisa Shailon Ian.

O acesso a financiamentos mais vantajosos para aquisição de aeronaves CSeries é um dos fatores do provável acirramento da competição entre essas corporações. Para Shailon Ian, a otimização da frota em torno de um único fornecedor, desde os jatos regionais até os de longo alcance, é outro. “Sem contar o acesso a recursos para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias que a Airbus possui”, aponta o engenheiro.

A disputa por espaço no mercado de aviação comercial é intensa e cada centavo faz a diferença. Shailon Ian lembra que, na composição final do custo de uma empresa aérea, o consumo de combustível representa uma parcela importante, assim como pessoal e financiamento: “A chegada da Airbus, se não acrescentar nada tecnicamente ao projeto do CSeries, traz fôlego financeiro e acesso a linhas de financiamento que podem impactar a equação, anulando eventuais vantagens técnicas das aeronaves da Embraer”.

Para ilustrar o acordo entre as companhias francesa e canadense, o engenheiro faz uma analogia com o boxe. Segundo ele, essa parceria representa a entrada de um peso-pesado na categoria peso-galo. “Tem potencial de mudar o jogo caso a integração ocorra sem maiores percalços”, avalia Shailon Ian.

No curto prazo, o especialista avalia que não deverão ocorrer impactos significativos. A linha de jatos da companhia brasileira tem uma carteira sólida e vários pedidos confirmados.





Shailon Ian formou-se como engenheiro aeroespacial do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) – a escola PREMIER no Brasil para o setor aeroespacial e aeronáutico – e serviu como tenente durante 5 anos na Força Aérea Brasileira (FAB), onde trabalhou na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e teve a oportunidade de trabalhar em mais de 200 auditorias de aeronaves e empresas em todo o mundo. Depois de deixar a organização, ele atendeu clientes na área privada, trabalhando com todas as marcas e modelos de aeronaves e helicópteros corporativos. Desde 2015 é presidente e fundador da Vinci Aeronáutica.

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