terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

EMPRESAS DE NATAL PERDEM EFICIÊNCIA AO CONCENTRAR DECISÕES NO DONO

Dependência excessiva do fundador limita crescimento e amplia sobrecarga nas PMEs da capital potiguar

Levantamentos do Sebrae indicam que grande parte das pequenas e médias empresas brasileiras ainda concentra decisões estratégicas e operacionais na figura do dono, modelo que compromete a produtividade e limita o crescimento. Em Natal, onde predominam PMEs de comércio e serviços, essa dependência tem gerado gargalos internos, atrasos na execução e dificuldade de escalar operações de forma sustentável.

Hygor Lima, especialista em gestão de processos e fundador da Potencialize Resultados avalia que a centralização excessiva deixou de ser apenas um traço cultural e passou a representar um risco direto à eficiência do negócio. Ele afirma que, quando todas as decisões passam pelo empresário, a empresa perde ritmo e previsibilidade. “O dono acaba se tornando o principal gargalo da operação. Sem ele, nada anda. Com ele, tudo depende do tempo e da energia de uma única pessoa”, diz.

No dia a dia, esse modelo se manifesta em rotinas pouco documentadas, delegação informal e ausência de indicadores claros de desempenho. O resultado é a sobrecarga do empreendedor, que acumula funções estratégicas e operacionais, e equipes com baixa autonomia para tomar decisões. “Muitos empresários acreditam que centralizar é sinônimo de controle, quando, na prática, estão apenas concentrando risco”, observa.

Esse padrão ajuda a explicar por que tantas empresas enfrentam dificuldades para crescer ou manter resultados consistentes ao longo do tempo.

Dados do IBGE e do Sebrae mostram que uma parcela significativa das empresas brasileiras encerra as atividades antes de completar cinco anos, cenário mais frequente em negócios que dependem excessivamente do fundador para funcionar. Para o consultor, a falta de estrutura é um elemento decisivo. “Empresas que dependem do dono para tudo não são escaláveis. Elas funcionam enquanto o empresário aguenta, não enquanto o mercado exige”, afirma.

A mudança começa pela organização interna. Estruturar processos, definir responsabilidades e criar rotinas claras permite que a empresa funcione mesmo sem a presença constante do fundador. “Delegar não é abandonar o controle, é substituir o controle informal por um modelo profissional, baseado em padrões e dados”, explica.

Esse debate tem ganhado espaço em encontros presenciais de empresários em Natal, que vêm se consolidando como ambientes para discutir delegação estruturada, autonomia das equipes e profissionalização da gestão. “O contato direto entre empresários ajuda a quebrar a crença de que só o dono sabe fazer certo. Quando eles veem outras empresas funcionando com autonomia, a resistência diminui”, avalia.

O especialista apresenta cinco formas de como sair da dependência do dono

Antes de avançar para soluções mais complexas, é preciso ajustar a base da gestão. A seguir, cinco pontos que costumam orientar empresas no processo de transição para um modelo menos centralizador.

1- Mapear e documentar processos: O primeiro passo é transformar o conhecimento que está na cabeça do dono em rotinas claras e acessíveis para o time. “Processo documentado não depende de memória nem de improviso”, afirma.

2- Definir papéis e limites de decisão: Delegar exige clareza sobre responsabilidades. Cada função precisa saber até onde pode decidir e quando escalar um problema, reduzindo retrabalho e conflitos internos.

3- Criar indicadores simples de acompanhamento: Sem métricas, o empresário tende a interferir em tudo. Indicadores básicos permitem acompanhar resultados sem a necessidade de microgestão diária.

4- Treinar a equipe para ganhar autonomia: Autonomia não surge de forma espontânea. “É preciso preparar o time para assumir responsabilidades, errar menos e corrigir mais rápido”, destaca.

5- Buscar apoio externo especializado: Contratar consultorias ou mentorias ajuda a identificar pontos cegos da operação. “O empresário está dentro do problema. Alguém de fora enxerga o sistema”, conclui.

Na avaliação do especialista, empresas que enfrentam esse processo ganham fôlego para crescer e reduzem a dependência emocional e operacional do fundador. “Quando a empresa deixa de girar em torno do dono e passa a girar em torno de processos, muda a produtividade, o clima interno e a capacidade de expansão”, aponta.

À medida que as PMEs de Natal buscam competir em mercados mais amplos e exigentes, abandonar o modelo do empresário sobrecarregado deixa de ser uma escolha e passa a ser uma condição para sobreviver e crescer de forma sustentável.

Hygor Lima

Hygor Lima é especialista em gestão de processos para o setor contábil e fundador da Potencialize Resultados, consultoria referência nacional na padronização de rotinas e aumento da produtividade em escritórios de contabilidade. Com mais de 13 anos de experiência na área, já apoiou centenas de empresas na estruturação de fluxos operacionais, redução de retrabalho e capacitação de equipes. 

É o idealizador do Método DITA, sigla que significa Documentar, Implementar, Treinar e Aperfeiçoar, modelo utilizado por mais de 400 escritórios no país como base para organização interna e gestão com foco em autonomia e escala. A metodologia prevê estruturação de processos, definição de indicadores e acompanhamento sistemático dos resultados. 

Além da atuação técnica, Hygor também é sócio do Energy Club, grupo que reúne nomes como Joel Jota, Jhonny Martins e Caio Carneiro. Tem presença constante como palestrante em eventos de negócios, onde aborda transformação organizacional, delegação estruturada e profissionalização de escritórios contábeis. Clique aqui e visite o site Potencialize Resultados

Potencialize Resultados
Lara Comunicação

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