Quando entram na equação autoridades com foro privilegiado e decisões do Supremo Tribunal Federal, o ambiente deixa de ser técnico e passa a ser político. E é justamente aí que mora o risco maior: a percepção pública.
A Receita Federal do Brasil sempre foi vista como um dos órgãos mais técnicos e estruturados da máquina pública. Seus sistemas são auditáveis. Cada acesso deixa rastro. Cada consulta é registrada. Não é um território sem controle.
Se servidores acessaram dados sem justificativa funcional, isso é grave. É crime. É passível de demissão. Mas é, até prova em contrário, um problema individual — não necessariamente institucional.
O que realmente colocaria a Receita em xeque não é o erro isolado. É a hipótese de direcionamento político, uso seletivo da máquina ou blindagem corporativa. Isso, sim, destruiria a confiança construída ao longo de décadas.
O mercado observa em silêncio. Empresas, contadores e investidores precisam de previsibilidade. Precisam acreditar que a fiscalização tributária não é instrumento de disputa de poder. A estabilidade econômica depende dessa neutralidade.
A crise atual é menos sobre o Banco Master e mais sobre credibilidade institucional. O banco pode enfrentar seus próprios problemas regulatórios. Autoridades podem se defender no devido processo legal. Mas a Receita precisa demonstrar algo maior: independência técnica.
Instituições fortes não são as que nunca erram. São as que expõem o erro, corrigem e punem — sem hesitação.
Se houver transparência, responsabilização e reforço de controles, a confiança pode sair até fortalecida. Se houver silêncio, corporativismo ou disputa política travestida de investigação, o dano será profundo.
No fim das contas, o caso é um teste. Não para um banco. Não para um ministro. Mas para a maturidade institucional do país.
E testes institucionais não admitem meia resposta.
Coisas de Agora

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