Se existe um dia em que todos os seres humanos se igualam, independentemente de sua condição social, riqueza, origem, cor ou posição na sociedade, esse dia é o Dia de Finados, ou Dia dos Mortos. Diante da morte, desaparecem os títulos, os patrimônios, as diferenças e as vaidades humanas. Somos todos iguais diante da finitude da existência terrena.
Não importa quanto tenhamos vivido, o que conquistamos ou o quanto acumulamos: nossa passagem por este mundo tem um limite. A morte faz parte da condição humana, embora cada pessoa tenha sua própria maneira de compreendê-la, aceitá-la e homenagear aqueles que partiram. E essa diversidade de pensamentos e sentimentos merece, acima de tudo, respeito.
É, sem dúvida, um dia de lembranças, de recolhimento e de saudade. Saudade daqueles que fizeram parte da nossa história, compartilharam momentos, ensinaram, aconselharam, amaram e deixaram marcas que o tempo não consegue apagar.
A saudade dói, mas também é uma prova de que o amor existe
Existem ausências que jamais serão preenchidas, porque certas pessoas são insubstituíveis em nossa caminhada.
Entretanto, prefiro olhar para a vida e para a eternidade pela perspectiva dos ganhos, e não apenas das perdas. Não fomos criados para a morte, mas para a vida! A morte não representa a palavra definitiva do Criador sobre Sua criação. A promessa divina aponta para algo infinitamente maior: a ressurreição e a vida eterna.
Não se trata de simplificar uma questão tão profunda, tampouco de escolher uma interpretação mais confortável para aliviar a dor da separação. Trata-se de acreditar naquilo que constitui o fundamento da fé cristã: Cristo venceu a morte, e, por meio Dele, também viveremos eternamente!
O apóstolo Paulo ensina, em 1 Coríntios 15:42-44, que o corpo semeado em corrupção ressuscitará incorruptível; o que é mortal dará lugar ao imortal. E, mais adiante, em 1 Coríntios 15:54-55, proclama uma das mais extraordinárias declarações da fé cristã: "Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão?"
Esta é uma mensagem extraordinária! A morte, que tantas vezes nos assusta, não terá a última palavra. A última declaração é Dele: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (João 11:25).
Essa esperança não elimina a saudade, não impede as lágrimas e tampouco diminui a dor de quem perdeu alguém querido. A própria Palavra nos mostra Jesus chorando diante do túmulo de Lázaro (João 11:35). Portanto, chorar por quem amamos não é sinal de fraqueza na fé, mas uma expressão legítima do amor humano.
Aos que partiram, nossa gratidão pelo que foram, pelo que fizeram e pelo legado que deixaram. Aos que permanecem, a responsabilidade de continuar vivendo, amando, perdoando, construindo relacionamentos e semeando boas lembranças. Afinal, a melhor homenagem que podemos prestar a quem já partiu é fazer valer a vida que ainda temos.
E aqui está uma reflexão que merece atenção: talvez estejamos tão preocupados com aquilo que perdemos que nos esquecemos de contabilizar tudo o que recebemos. A vida, por si só, já é um presente extraordinário! Temos o privilégio de amar, aprender, compartilhar, recomeçar, contemplar a criação e experimentar diariamente a bondade e a misericórdia do Grande Criador e Provedor.
Por isso, neste Dia de Finados, que a saudade não nos impeça de enxergar a esperança; que as lembranças não sejam apenas motivos de tristeza, mas também de gratidão; e que a certeza da fé nos ajude a compreender que nossa história não termina no último suspiro.
Não fomos destinados à morte, mas à vida. Não temos apenas perdas a lamentar, mas ganhos eternos a celebrar.
E, se alguém ainda tiver dúvidas sobre essa convicção, respeito seu pensamento. Mas, quanto à minha fé, não tenho dúvidas: Cristo vive e, com Ele, viveremos eternamente!
Porque, no final das contas, não perdemos tudo. Ganhamos a promessa de uma eternidade ao lado Daquele que nos criou, nos amou e nos ofereceu a vida eterna.
Olhemos para o Alto! A morte pode encerrar uma existência terrena, mas não pode apagar a promessa de Deus.
A vida tem perdas e ganhos. E, pela Graça de Deus, o nosso maior ganho é a eternidade!
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| * Linoel Dias é jornalista, assessor de imprensa e colunista do Coisas de Agora |


Um comentário:
Perfeito Linoel, esperemos em Cristo a continuação para vida eterna...Amém..abs
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