Estamos no caminho certo?
O inesperado é a única certeza. Ninguém consegue antever o amanhã, tão profundas as mutações na ciência, na tecnologia, na cultura e na concepção de enxergar o mundo e a vida. Mutações inclusive naquilo que aprendemos a considerar algo estável e previsível: as estações do ano, a perenidade da natureza, a imutabilidade das paisagens. Tudo isso se desvanece em virtude de nossa insensatez. Continuemos a poluir, a envenenar e assistiremos, sem a possibilidade de alegar surpresa, à extinção da vida.
Todavia, enquanto há vida, há esperança. Parece milagre, mas não é inviável uma conversão coletiva, que regenere a humanidade e a conduza a ser mais humana. Isso só se faz mediante educação. Processo abrangente, que envolve todas as pessoas interessadas em que o mundo não desapareça. Educação que começa em casa, prossegue na escola, mas não apenas nela. Programa permanente em todos os ambientes e em todos os espaços.
Muito além do saber, da informação, da técnica, é urgente adotar uma prática humanista e humanizadora. Quais os conhecimentos essenciais para o amanhã que está à espreita e chegará célere, queiramos ou não?
As cinco habilidades mais desejadas para os profissionais hoje requisitados são a inteligência emocional, capacidade de gerenciar pessoas, resolver problemas complexos, estar orientado para atender às expectativas, saber dialogar e tomar decisões. É muito nítida a tendência à valorização das atitudes, dos aspectos comportamentais, em cotejo com uma avaliação estritamente técnica.
Há outra constatação a nos cobrar: o convívio entre os seres pensantes está na UTI. Precisa de ética. De respeito. De levar a sério o princípio da dignidade humana. Isso pode ser ensinado? Aprende-se a respeitar o próximo em sala de aula, com exposições teóricas?
Como é que se motiva o aluno? Como é que se motiva o professor? Quem é aluno e quem é professor numa era em que o aprendizado é permanente e o ciclo de apreensão de novas informações nunca termina? A aprendizagem pode ser individual, para quem é movido por curiosidade intelectual, mas é muito mais efetiva se for dialógica. Daí a necessidade de se encarar a neurociência, a força transformadora do querer ser, a ética do cuidado. Em síntese, o que se propõe é a descoberta daquela fagulha que toda criança e todo jovem tem dentro de si, à espera de que alguém a auxilie a aflorar e a torná-lo protagonista, regente da própria vida e não um ser robotizado, padronizado e ajustado a uma homogeneidade que não é característica verdadeiramente humana.
* José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.
Visite o blog: renatonalini.wordpress.com.
Leia> O Brasil Sobre Rodas.
* José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.
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